O BRASIL NÃO PRECISA DE VÍTIMAS, PRECISA DE RESPONSÁVEIS – COLUNA DE OGIER BUCHI

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O BRASIL NÃO PRECISA DE VÍTIMAS, PRECISA DE RESPONSÁVEIS

Durante anos, o governo Lula e seus aliados repetiram que as críticas internacionais ao Brasil eram fruto de preconceito ideológico ou de interesses externos. Agora, os fatos mostram uma realidade mais complexa.

O governo dos Estados Unidos concluiu uma investigação comercial e apontou problemas que vão muito além das tarifas. O relatório menciona insegurança jurídica, dificuldades no combate à corrupção, problemas de propriedade intelectual, desmatamento ilegal e até questionamentos sobre o tratamento dado ao PIX em relação a empresas estrangeiras.

Pode-se concordar ou discordar das conclusões americanas. O que não se pode fazer é fingir que nada aconteceu.

Quando a maior economia do mundo aponta riscos para investidores e empresas, isso afeta diretamente a imagem internacional do Brasil. Não se trata de uma disputa ideológica. Trata-se de credibilidade.

E credibilidade leva décadas para ser construída e poucos dias para ser destruída.

LULA PREFERE O PALANQUE À PRESIDÊNCIA

Diante de uma situação delicada, seria natural esperar de um presidente da República equilíbrio, prudência e capacidade de diálogo.

Mas Lula escolheu outro caminho.

Ao comentar a crise, preferiu transformar o assunto em campanha eleitoral antecipada. Atacou adversários, chamou opositores de traidores e utilizou referências históricas infelizes para sugerir punições exemplares a quem pensa diferente dele.

O mais grave não é apenas o conteúdo da fala.

É o fato de que um presidente da República parece incapaz de separar divergência política de inimizade pessoal.

O Brasil já está suficientemente dividido. O que se espera do chefe de Estado é que ele reduza tensões, não que as aumente.

Quem ocupa a Presidência não pode falar como militante de diretório partidário.

O ERRO HISTÓRICO E O ERRO POLÍTICO

A fala presidencial trouxe ainda um componente simbólico preocupante.

Ao citar Joaquim Silvério dos Reis, Lula demonstrou desconhecimento histórico. Quem foi enforcado não foi o delator da Inconfidência Mineira. Foi Tiradentes.

Mas o problema não é apenas o erro factual.

O problema é a mensagem política.

Em qualquer democracia madura, adversários são combatidos nas urnas, no debate público e no campo das ideias.

Quando líderes políticos passam a utilizar linguagem que remete à eliminação simbólica de opositores, o ambiente democrático se deteriora.

Palavras têm consequências.

E presidentes deveriam saber disso melhor do que ninguém.

O ISOLAMENTO INTERNACIONAL PREOCUPA

As declarações recentes do secretário de Estado americano Marco Rubio colocaram o Brasil em uma posição desconfortável.

Ao citar Cuba, Venezuela, Nicarágua e Brasil como exceções entre os parceiros estratégicos dos Estados Unidos na América Latina, Rubio sinalizou um afastamento diplomático que não pode ser ignorado.

O Brasil sempre teve tradição de diálogo com diferentes governos e diferentes correntes ideológicas.

Essa sempre foi uma de nossas maiores virtudes.

Transformar a política externa em instrumento de militância ideológica tem custo.

E quem paga essa conta não é o governo. É o produtor rural, o exportador, o trabalhador e o consumidor brasileiro.

O BRASIL PRECISA AMADURECER

Existe um traço comum em todos esses episódios.

Lula culpa adversários. Parte da classe política culpa terceiros. Ninguém assume responsabilidades.

O Brasil precisa abandonar a cultura permanente da vitimização.

Precisamos de governantes que governem. De parlamentares que legislem.

De instituições que funcionem e de líderes que entendam que ocupar um cargo público significa responder pelos próprios atos.

O país não precisa de heróis imaginários nem de vítimas profissionais, precisa de responsabilidade, seriedade e maturidade política.

Porque enquanto nossos líderes continuarem preocupados em encontrar culpados, os problemas continuarão sem solução.

ALCOLUMBRE E A POLÍTICA DO DISTANCIAMENTO

Enquanto isso, em Brasília, o Congresso continua oferecendo sinais contraditórios à população.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, acumula índices impressionantes de rejeição popular.

Isso não acontece por acaso.

Existe uma percepção crescente de que parte da elite política brasileira vive desconectada dos problemas reais da sociedade.

Enquanto milhões de brasileiros enfrentam dificuldades econômicas, o debate político frequentemente gira em torno da preservação de espaços de poder, acordos internos e disputas corporativas.

O Brasil precisa de líderes que inspirem confiança.

Não de dirigentes que reforcem a sensação de que existe um abismo entre Brasília e os brasileiros.

REGIONAIS

O CASO RENATO FREITAS

No Paraná, a discussão sobre o processo disciplinar envolvendo o deputado Renato Freitas segue o mesmo roteiro que se tornou comum na política brasileira.

Quando uma decisão institucional agrada, ela é democrática. Quando desagrada, vira perseguição.

A Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa analisou a legalidade do procedimento e aprovou sua continuidade. O caso seguirá para o plenário, onde haverá votação dos deputados.

Isso se chama devido processo legal. Isso se chama rito institucional. Isso se chama democracia.

A NARRATIVA DE ARILSON CHIORATO

O deputado Arilson Chiorato insiste em afirmar que Renato Freitas é vítima de um processo político.

Mas toda vez que uma instituição toma uma decisão desfavorável ao PT, surge imediatamente a mesma narrativa: perseguição, conspiração, injustiça ou ataque à democracia.

Essa estratégia já foi utilizada inúmeras vezes. O problema é que ela produz um efeito corrosivo.

Quando tudo é perseguição, nada é responsabilidade. Quando toda decisão contrária é tratada como golpe, a confiança nas instituições desaparece.

A democracia não funciona apenas quando o resultado agrada. Ela funciona justamente quando somos obrigados a aceitar decisões das quais discordamos.

ORAÇÃO DE OGIER BUCHI

“Senhor, salve o país desta gente”

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