A passagem do senador Sergio Moro (PL) por Paranaguá nesta semana acabou gerando controvérsia após declarações sobre os índices de violência no município. Durante evento político, Moro afirmou que a cidade estaria entre as mais violentas do mundo, uma comparação que não encontra respaldo direto nos levantamentos estatísticos utilizados como referência.
O estudo mais citado sobre o tema, o Atlas da Violência, produzido pelo Ipea, analisa exclusivamente dados brasileiros e não estabelece qualquer ranking internacional de criminalidade. Além disso, os números divulgados pelo levantamento têm como base anos anteriores e não refletem integralmente a realidade atual dos municípios avaliados.
Embora Paranaguá tenha enfrentado problemas históricos relacionados à violência urbana, os indicadores mais recentes apontam redução em crimes patrimoniais e também nos homicídios. Dados das forças de segurança mostram queda nos registros de roubos e uma diminuição significativa dos assassinatos nos últimos anos.
A declaração do senador foi recebida com críticas por lideranças locais, que consideram inadequado associar a cidade a uma condição extrema sem contextualizar os avanços registrados na área de segurança pública. Para representantes da região, reconhecer os desafios ainda existentes não significa ignorar os resultados obtidos recentemente.
Não é a primeira vez que integrantes do grupo político ligado a Moro se envolvem em polêmicas relacionadas a Paranaguá. Nos últimos anos, críticas ao Porto de Paranaguá e à gestão local também provocaram reações de setores empresariais e políticos do litoral paranaense.