Rebobinando: quatro atos que propõem novas histórias sobre o autismo no teatro

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Espetáculo reúne atrizes autistas que revisitam suas próprias vivências e
constroem, em cena, uma perspectiva autoral e inédita sobre o espectro

Rebobinando é um espetáculo teatral composto por quatro atos independentes,
conectados pela revisitação de histórias de mulheres autistas diagnosticadas na vida adulta.
A partir de experiências pessoais, as artistas constroem enredos que rompem com visões
estereotipadas e propõem novas formas de perceber o autismo.
A diretora artística do projeto, Giovana de Salles, conta que o projeto nasce do
encontro entre artistas que decidiram voltar a fatos importantes em suas vidas, sob a
perspectiva pós-diagnóstico, no intuito de buscar o que nos faz falta hoje. “Ao olhar para
o passado com mais compreensão, ampliamos também nossa leitura de quem somos”,
afirma.
Rebobinando é uma obra que se estrutura a partir da própria experiência autista. Em
cena, o público é convidado a conhecer, e quem sabe até reconhecer, formas de perceber o
mundo que são diferentes. As quatro histórias acolhem o humor, a sensibilidade, a denúncia
e a poesia.
Quatro atos, múltiplas linguagens
Em Encontro, Kely Varela conduz uma personagem diante da expectativa de uma
situação que pode transformar sua vida. Entre humor e desconforto, a peça explora as
nuances das relações e os desencontros cotidianos.
O solo interativo Você decide, de Alea Reis, propõe um deslocamento do controle da
cena. O público é convidado a interferir nas decisões, alterando os caminhos da narrativa e
compartilhando a construção do espetáculo.
Já em Mariene no Jantar, Giovana de Salles apresenta um monólogo que percorre os
limites entre imaginação e realidade. A obra contrapõe a fantasia de uma criança, sua forma
de compreender o mundo, à narrativa de adultos que deslegitimam suas denúncias de abuso.
Em Vale a PENA ver de novo, a atriz Suelen Oliveira da Silveira utiliza a palhaçaria para
acompanhar um corpo em tentativa constante. Entre falhas e reinvenções, a cena constrói
um jogo sensível sobre risco, insistência e liberdade.

Acessibilidade como parte do processo criativo
Rebobinando também propõe um modelo de acessibilidade que vai da própria criação
artística até a recepção do público durante as peças. O projeto é realizado com recursos do
Programa de Apoio, Fomento e Incentivo à Cultura de Curitiba – Fundação Cultural de
Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba.
Cada atriz conta com o acompanhamento de um interlocutor, que atua como suporte
no desenvolvimento dos trabalhos e durante as apresentações. A proposta amplia as
possibilidades de expressão e contribui para que cada artista construa sua obra a partir de
suas próprias condições e potências.
Experiência que começa antes do palco
Além dos quatro atos, o espetáculo conta com a participação de Anlu, responsável por
conduzir o público antes do início e nos intervalos, que fará o papel de Mediador Cultural.
Enquanto aguarda o início do espetáculo, o público poderá participar de uma interação
com uma dobradura de papel que representa os quatro atos do espetáculo. O objeto
funciona como metáfora da multiplicidade de experiências dentro do espectro autista, em
oposição à ideia de uma narrativa única.

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