Levantamento encomendado por jornal de Jaraguá do Sul (SC) entra na mira da Justiça Eleitoral após apontamentos de supostas inconsistências técnicas; origem da contratação também desperta questionamentos.
O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) deverá analisar nas próximas horas um pedido de suspensão da divulgação da pesquisa eleitoral registrada sob o nº PR-02914/2026, destinada a medir a disputa pelo Governo do Paraná.
A representação judicial sustenta que o levantamento apresenta supostas inconsistências metodológicas capazes de comprometer a confiabilidade dos resultados. Entre os pontos questionados estão a composição da amostra, a ponderação da renda dos entrevistados e divergências no plano amostral informado no registro da pesquisa.
Mas não é apenas a metodologia que chamou atenção.
O fato de o levantamento ter sido contratado pelo jornal Correio do Povo, de Jaraguá do Sul (SC), acabou ampliando as dúvidas em torno da pesquisa. Embora a legislação permita que empresas ou veículos de comunicação de qualquer estado contratem levantamentos eleitorais, o caso provocou questionamentos sobre qual seria o interesse editorial, comercial ou institucional de um jornal de circulação regional catarinense em financiar uma pesquisa sobre a sucessão estadual no Paraná.
Coincidentemente este instituto Neokemp Pesquisas sempre colocou o lider nas pesquisas acima de 48 % , será que vem no mesmo embalo , sabendo que já houve um declínio nos últimos dois meses.
Nos bastidores da política paranaense, a situação gerou estranheza e alimentou debates sobre a finalidade do levantamento. A combinação entre os questionamentos técnicos apresentados à Justiça e a origem da contratação acabou colocando a pesquisa sob forte escrutínio público.
O episódio ocorre justamente em um momento em que cresce a cobrança por maior transparência e rigor na realização de pesquisas eleitorais. Recentemente, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, defendeu uma fiscalização mais rigorosa dos levantamentos registrados, ressaltando a importância da observância dos critérios técnicos para preservar a credibilidade das pesquisas durante o processo eleitoral.
Agora, caberá ao TRE-PR decidir se a pesquisa poderá ser divulgada ou se permanecerá suspensa até que todos os questionamentos apresentados sejam analisados pela Justiça Eleitoral. Enquanto isso, o caso continua cercado de dúvidas e deverá permanecer no centro do debate político paranaense.