Após cerca de um mês de trocas públicas de críticas e desgaste nos bastidores do PL, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciaram uma reconciliação. O gesto é visto como uma tentativa de restabelecer a unidade da direita e minimizar os impactos políticos da crise familiar na pré-campanha presidencial e atende um pedido do presidente do partido Waldemar Costa Neto
A reaproximação começou na quinta-feira (23), quando Flávio publicou um vídeo em suas redes sociais pedindo desculpas à madrasta pelos “momentos que causaram desconforto”. No pronunciamento, o senador afirmou estar de “coração aberto” e renovou o convite para que ambos caminhem juntos na missão de defender o país.
Pouco depois, Michelle respondeu por meio de outro vídeo, aceitando o pedido de desculpas. “Eu te desculpo”, declarou a ex-primeira-dama, acrescentando que os dois devem conversar pessoalmente e unir forças durante a campanha eleitoral.
Nos bastidores do PL, a reconciliação faz parte de uma estratégia organizada em três etapas: primeiro, o pedido público de desculpas de Flávio; em seguida, a manifestação de Michelle aceitando a retratação; e, por fim, a gravação de um vídeo conjunto, que deverá simbolizar o encerramento definitivo da crise.
O conflito veio a público no fim de junho, quando Michelle divulgou vídeos afirmando ter sido “apunhalada” e “humilhada” pelo enteado durante uma conversa sobre as articulações políticas do PL no Ceará. Segundo ela, Flávio teria defendido uma aliança do partido no estado e afirmado que ela deveria permanecer afastada das decisões políticas.
O episódio provocou repercussão dentro do PL e entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A crise também gerou trocas de indiretas nas redes sociais entre Michelle e Fernanda Bolsonaro, esposa de Flávio, além de críticas de aliados e lideranças do partido.
O desgaste refletiu na pré-campanha presidencial do senador. Michelle é considerada uma das principais lideranças da direita entre o eleitorado feminino e evangélico, segmentos estratégicos para a disputa eleitoral. Pesquisas de opinião indicaram que parte significativa dos eleitores se identificou mais com a posição da ex-primeira-dama durante o conflito.
Agora, com a reconciliação pública, a expectativa da campanha é interromper eventuais perdas nesse eleitorado e reforçar a imagem de unidade do grupo político. Além de sinalizar disposição para participar da campanha de Flávio, Michelle confirmou que pretende disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal e afirmou que continuará atuando no fortalecimento de candidaturas femininas de direita.
O vídeo conjunto que deverá ser gravado nos próximos dias é tratado por aliados como o último passo para encerrar oficialmente a crise e demonstrar, de forma pública, a retomada da parceria política entre o senador e a ex-primeira-dama.