TARIFLÁVIO OU TARIFAÇO DE TRUMP COLOCA CAMPO LARGO ENTRE AS 10 CIDADES MAIS AFETADAS DO PAÍS

DGASDGER

A entrada em vigor da tarifa de 50% dos Estados Unidos sobre determinados produtos brasileiros acendeu o sinal de alerta na indústria do Paraná. Entre os municípios mais expostos aos efeitos da medida está Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, que aparece na 7ª colocação entre as cidades brasileiras mais impactadas pelo tarifaço e que ficou conhecida nos meios políticos como Tariflávio pela forte ligação da família Bolsonaro com Donald Trump.

Levantamento elaborado pelo Estadão, a partir de informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Amcham Brasil, aponta que 906 municípios brasileiros possuem exportações alcançadas pela nova tributação norte-americana.

Campo Largo ganha destaque nacional nesse cenário. O município paranaense soma aproximadamente US$ 184,1 milhões em exportações atingidas, sendo o único representante do Paraná entre as dez primeiras cidades da relação.

CAMPO LARGO ENTRE AS MAIS ATINGIDAS

O ranking é liderado por Piracicaba (SP), com US$ 1,19 bilhão em exportações afetadas. Depois aparecem São Paulo (SP), com US$ 239,4 milhões, e Joinville (SC), com US$ 229,9 milhões.

Também estão entre as dez mais impactadas Serra (ES), Petrópolis (RJ), Suzano (SP), Campo Largo (PR), Cachoeiro de Itapemirim (ES), Guarulhos (SP) e Caçador (SC).

A situação de Campo Largo preocupa principalmente pela presença de atividades industriais com forte participação no comércio com os Estados Unidos. Os segmentos metalmecânico e de cerâmica estão entre aqueles diretamente expostos ao aumento das tarifas.

Segundo o superintendente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr, a dependência do mercado norte-americano ajuda a explicar a posição do município no levantamento.

Outro setor paranaense que acompanha o tarifaço com preocupação é o madeireiro. A atividade possui peso importante na economia de diversos municípios do interior e tem nos Estados Unidos um dos principais destinos de sua produção.

Cidades como Jaguariaíva, Guarapuava, Palmas e Telêmaco Borba também podem sentir os efeitos das barreiras comerciais, especialmente pela importância da madeira e de seus derivados nas exportações locais.

EMPREGOS E INVESTIMENTOS ENTRAM NO RADAR

Para a Fiep, o impacto das tarifas não deve ficar restrito à queda nas vendas para os Estados Unidos. A preocupação envolve também uma possível redução da competitividade das empresas paranaenses, adiamento de investimentos e consequências sobre a geração e manutenção de empregos.

Com produtos brasileiros chegando mais caros ao mercado norte-americano, exportadores terão de enfrentar uma disputa mais difícil com fornecedores de outros países.

Diante desse cenário, a Federação trabalha em diferentes frentes para tentar reduzir os prejuízos. Entre as iniciativas estão negociações com compradores norte-americanos em busca de exceções, conversas com os governos estadual e federal para criação de mecanismos de apoio às empresas exportadoras e esforços para conquistar novos mercados.

A diversificação dos destinos das exportações, entretanto, não acontece de maneira imediata. A abertura de mercados exige negociações, investimentos, adequações comerciais e tempo para que novas relações sejam consolidadas.

TARIFAÇO ATINGE OUTRAS CIDADES DO PARANÁ

Campo Largo é o município paranaense em posição mais elevada no levantamento, mas está longe de ser o único afetado.

Entre as cidades do Paraná que aparecem entre as 100 mais expostas estão:

20º – Curitiba: US$ 96,8 milhões
41º – Ponta Grossa: US$ 29 milhões
48º – Sengés: US$ 22,7 milhões
53º – Ibaiti: US$ 20,7 milhões
54º – Bituruna: US$ 18,9 milhões
58º – Maringá: US$ 17,6 milhões
60º – Imbituva: US$ 17,2 milhões
64º – Piên: US$ 16,3 milhões
79º – Coronel Domingos Soares: US$ 13 milhões

O cenário coloca a indústria exportadora paranaense diante de um período de incertezas. Mesmo com parte dos produtos brasileiros fora da nova tributação, setores importantes continuam submetidos à tarifa de 50%, aumentando a pressão sobre empresas que dependem do mercado dos Estados Unidos.

No Paraná, Campo Largo tornou-se um dos principais símbolos do impacto do tarifaço, enquanto outras cidades industriais acompanham com preocupação os possíveis reflexos sobre produção, investimentos e empregos.

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