.O ministro Alexandre de Moraes decidiu manter a proibição de visitas a Jair Bolsonaro e rejeitou o pedido para que seus filhos pudessem encontrá-lo neste domingo, justamente no Dia dos Pais. A justificativa é o descumprimento de condições impostas à prisão domiciliar, após a divulgação de uma carta assinada pelo ex-presidente nas redes sociais.
Mas uma pergunta permanece: em meio a tantas decisões, restrições e disputas jurídicas, não haveria espaço para um mínimo de sensibilidade humana?
A defesa não pediu comício, entrevista, manifestação política ou ato público. Pediu algumas horas de convivência entre um pai e seus filhos em uma data carregada de significado familiar.
É evidente que decisões judiciais precisam ser cumpridas e que eventuais descumprimentos devem ser analisados. Mas Justiça também é equilíbrio, proporcionalidade e humanidade. E o Dia dos Pais talvez fosse justamente uma oportunidade para demonstrar que, mesmo diante de uma disputa política e judicial tão intensa, os vínculos familiares não precisam ser tratados como extensão da batalha política.
A impressão que fica é a de uma Justiça cada vez mais rigorosa na letra da decisão e cada vez mais distante daquilo que deveria ser seu componente essencial: a sensibilidade diante do ser humano que está por trás do processo.
Punição pode ser necessária. Mas impedir um pai de receber os filhos no Dia dos Pais é uma decisão que inevitavelmente provoca uma pergunta incômoda: faltou apenas legalidade ou faltou também sensibilidade?