| Lula da Silva não é um novato que acabou de descobrir onde fica o Palácio do Planalto. Está no terceiro mandato como presidente da República. Já governou o país por oito anos, voltou ao poder em 2023 e teve tempo, experiência, estrutura e dinheiro público suficientes para saber exatamente como funciona a máquina federal. Por isso, quando o governo acumula problemas fiscais enquanto o brasileiro enfrenta endividamento elevado, fica cada vez mais difícil vender tudo como herança, surpresa ou consequência de terceiros. Depois de três mandatos, a desculpa da inexperiência simplesmente não existe. A incompetência está estampada na cara de um governo temerário e que vai colocar o país em 2027 em uma das piores crises econômicas segundo os economistas que avaliam a mudança tributário e aumento dos encargos desta gestão. FAMÍLIAS ENDIVIDADAS E O GOVERNO OFERECENDO MAIS CRÉDITO O primeiro retrato dessa contradição está dentro das casas brasileiras. Segundo os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) citados no levantamento, 81,6% das famílias brasileiras estavam endividadas em maio de 2026, recorde da série histórica. É um número brutal. Enquanto milhões de brasileiros fazem malabarismo com cartão, financiamento, prestações e empréstimos, o governo decidiu flexibilizar as condições do Reforma Casa Brasil, ampliando acesso ao crédito, valores financiáveis e prazos. É quase uma receita política perfeita: o cidadão está endividado? Ofereça outra dívida. A oposição levou o assunto ao Senado e cobra explicações sobre impacto fiscal e eventual incompatibilidade das mudanças com as regras eleitorais. E existe uma pergunta que o governo precisa responder: se o país precisa de programas para combater o superendividamento, qual é a lógica de estimular ainda mais crédito justamente quando mais de oito em cada dez famílias já carregam dívidas? Isso é política econômica ou improvisação eleitoral? R$ 3,3 TRILHÕES: A MÁQUINA NÃO PARA DE ENGOLIR DINHEIRO O segundo número é igualmente indigesto. Dados parciais da plataforma Gasto Brasil apontam R$ 3,3 trilhões em despesas públicas primárias de União, estados e municípios nos primeiros sete meses de 2026. Somente o Governo Federal respondeu por mais de R$ 1,5 trilhão. Enquanto isso, o trabalhador recebe uma aula diária de austeridade doméstica: corta carne, combustível, lazer, parcela compras e renegocia dívidas. Para a família, a ordem é economizar. Para Brasília, parece que a palavra “corte” desapareceu do dicionário. E quando as contas públicas apertam, a criatividade aparece rapidamente para discutir arrecadação, tributos e novas fontes de receita. Para reduzir estruturalmente o tamanho e a ineficiência da máquina, porém, a disposição parece bem menor. NO TERCEIRO MANDATO, JÁ NÃO DÁ PARA CULPAR O MANUAL DE INSTRUÇÕES Esse talvez seja o aspecto politicamente mais constrangedor. Lula não está aprendendo a governar. É a terceira vez que ocupa a Presidência da República. Se depois de tantos anos comandando o país o resultado ainda inclui pressão fiscal, despesas gigantescas e famílias altamente endividadas, a pergunta deixa de ser sobre falta de experiência. Passa a ser sobre competência administrativa, prioridades e responsabilidade com o dinheiro público. Governar não é simplesmente aumentar programas, anunciar crédito, criar despesas e depois procurar dinheiro para fechar a conta. Isso qualquer gastador consegue fazer. Competência é estabelecer prioridades, cortar desperdícios, melhorar a qualidade do gasto e entregar resultados sem transformar permanentemente o contribuinte no caixa eletrônico do governo. Há ainda um cuidado importante: dizer simplesmente que Lula é o “recordista histórico de gastos” exige comparação técnica em valores corrigidos pela inflação, percentual do PIB e períodos equivalentes. Em valores nominais, gastos tendem naturalmente a bater recordes ao longo do tempo. Mas isso não alivia a cobrança política. Pelo contrário. Depois de tantos anos no comando, se a resposta para os problemas continua sendo mais gasto, mais crédito e mais pressão sobre a arrecadação, talvez o problema não esteja na falta de experiência. Talvez esteja justamente na forma de governar. E O BRASILEIRO COMEÇA A DESCOBRIR A PIOR PARTE DESSA HISTÓRIA: QUANDO BRASÍLIA ERRA A CONTA, QUEM RECEBE A FATURA NÃO É O PRESIDENTE. É O CONTRIBUINTE. A DIREÇÃO |