O senador Sergio Moro (PL) deixou o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em abril de 2020, com o país registrando o maior patamar de feminicídio da série histórica até então, segundo dados da própria pasta elencados no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública.

Foram 1.331 mulheres vítimas de feminicídio em 2019, um aumento de 13,2% em relação ao ano anterior, o que corresponde a 155 mortes a mais para este tipo de crime. Depois disso, os registros apontam para um crescimento muito mais lento em 2020 (1,1%) e 2021 (1,5%), já na gestão de André Mendonça, e depois uma nova guinada até as 1.560 vítimas de 2025.
Em termos proporcionais, 2019 teve a 3ª maior alta de casos desde a publicação da Lei do Feminicídio, em 2015, saltando de 1.176 em 2018 para 1.331 em 2019. Apenas entre 2017 e 2018 (29,5%) e 2016 e 2017 (49,3%) os registros foram maiores.

Outro ponto importante, no entanto, é que em 2019 a taxa de feminicídios por 100 mil habitantes é maior do que em 2025 devido à evolução do crescimento da população. Ou seja, as 1.331 mortes de 2019 têm impacto maior na taxa que as 1.560 de 2025.
O sistema também aponta que as tentativas de feminicídio cresceram 78% entre 2018 e 2019, de 1.314 para 2.340.
Os números do primeiro ano completo da gestão de Moro também mostram que a violência contra as mulheres pressionava os serviços de segurança. Em 2019, de acordo com o Anuário da Segurança Pública, as solicitações de medidas protetivas de urgência feitas pela Polícia Civil aumentaram 16,9%, passando de 275 mil em 2018 para quase 350 mil ao final do ano seguinte.
Os registros de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica também cresceram 5,2%, de cerca de 250 mil em 2018 para aproximadamente 268 mil em 2019. A taxa passou de 238,5 para 250,9 casos a cada 100 mil habitantes.
Em 2020, Moro deixa o Ministério no fim abril durante o agravamento da pandemia. Naquele ano, as chamadas para o 190 relacionadas à violência doméstica aumentaram 16,3%, passando de 596 mil em 2019 para 694 mil em 2020. No mesmo período, as medidas protetivas de urgência concedidas pelos Tribunais de Justiça cresceram 4,4%, de 281 mil para 294 mil.