“Menos Brasília, mais Paraná”: Curi quer mudar pacto federativo para aumentar recursos aos municípios

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O que significa o conceito “Menos Brasília, Mais Paraná”, tema da campanha de Alexandre Curi? Candidato ao Senado defende maior participação de estados e municípios nas receitas federais e apresenta propostas para infraestrutura, cooperativismo e fortalecimento das prefeituras. Curi quer levar ao Senado seu método de trabalho na Assembleia Legislativa, próximo aos prefeitos e atento às diferentes necessidades de cada município.

Alexandre Curi (Republicanos) quer levar ao Senado uma agenda de fortalecimento dos municípios e de revisão do pacto federativo para ampliar a participação do Paraná na distribuição das receitas federais. A proposta é um dos principais pilares do “Menos Brasília, mais Paraná”, conceito que orienta a campanha do candidato e reúne compromissos nas áreas de municipalismo, infraestrutura, logística, reforma tributária e cooperativismo.

Um dos argumentos apresentados por Curi é a diferença entre o volume de tributos federais arrecadados no Paraná e os recursos que retornam ao Estado e aos municípios por meio das transferências constitucionais e legais.

Segundo estimativa da Secretaria da Fazenda do Paraná, mais de R$ 108 bilhões em tributos federais foram arrecadados no Estado em 2025, enquanto aproximadamente R$ 38,9 bilhões retornaram ao Paraná e aos municípios por meio dessas transferências. Considerado esse recorte, o valor equivale a cerca de R$ 0,36 em transferências para cada R$ 1 arrecadado em tributos federais no Estado.

“O Paraná não quer privilégio. Quer justiça. Somos um Estado que trabalha, produz, exporta e contribui muito para o Brasil. O que defendemos é que uma parcela maior dos recursos chegue aos estados e, principalmente, aos municípios, que é onde as pessoas vivem e onde os problemas precisam ser resolvidos. É isso que significa Menos Brasília, mais Paraná”, afirma Curi.

Uma proposta concreta para mudar a divisão dos recursos

Entre as medidas defendidas pelo candidato está a PEC 231/2019, que prevê a criação de dois novos fundos constitucionais destinados ao financiamento de projetos produtivos e de infraestrutura nas regiões Sul e Sudeste e amplia em um ponto percentual os repasses da União ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Para Curi, a revisão do pacto federativo deve aumentar a capacidade de investimento dos estados e, principalmente, das prefeituras, reduzindo a dependência dos municípios em relação a Brasília.

A proposta também passa por uma discussão sobre a divisão de responsabilidades entre União, estados e municípios. Curi defende combater a prática de criar novas obrigações para as prefeituras sem assegurar a correspondente fonte de recursos para financiá-las.

“Brasília não pode criar a obrigação e deixar a conta para o prefeito pagar. Quem conhece a realidade da população é quem está na cidade. Precisamos colocar mais recursos perto das pessoas e dar condições para que os municípios possam investir”, afirma.

Municípios no centro do mandato

O municipalismo ocupa posição central no plano de mandato de Curi. Em seu sexto mandato como deputado estadual e atualmente presidente da Assembleia Legislativa, ele pretende levar ao Senado a experiência de articulação construída com prefeitos e lideranças das diferentes regiões do Paraná.

Entre os compromissos estão a busca por maior previsibilidade das transferências federais, o fortalecimento dos consórcios intermunicipais e a ampliação do apoio técnico da União às prefeituras, especialmente às cidades de pequeno porte, que enfrentam maiores dificuldades para elaborar projetos e acessar programas e recursos federais.

O plano prevê ainda a construção de uma agenda paranaense comum em Brasília, articulada com o Governo do Estado, a Assembleia Legislativa e as associações de municípios, para aumentar a capacidade de representação do Paraná no Congresso e junto ao governo federal.

Mais recursos para obras estratégicas do Paraná

A defesa de maior participação do Paraná nos recursos federais também está ligada aos investimentos necessários para sustentar o crescimento econômico do Estado.

Entre as prioridades apresentadas por Curi estão a Nova Ferroeste e a modernização do complexo portuário de Paranaguá. O plano prevê ainda a retirada das linhas férreas do perímetro urbano de Curitiba e a implantação de uma solução ferroviária metropolitana, além de uma nova ligação entre Paraná e Mato Grosso do Sul.

A proposta é ampliar a participação do governo federal no financiamento de projetos considerados estratégicos para a logística e a competitividade da economia paranaense.

Reforma tributária e defesa do cooperativismo

Outro eixo da agenda é a regulamentação da reforma tributária. Curi defende regras que preservem a competitividade do cooperativismo, setor estratégico para a economia paranaense e especialmente importante para o agronegócio.

O plano prevê atuação para garantir tratamento adequado ao ato cooperativo, previsibilidade tributária para o agronegócio e segurança jurídica para a indústria.

Curi também pretende defender mecanismos de compensação para municípios produtores, industriais e exportadores durante a transição para o novo sistema tributário, além da participação efetiva dos estados e municípios na governança do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

A agenda inclui ainda maior transparência na aplicação dos recursos federais e fiscalização da execução dos investimentos destinados ao Paraná.

“Não queremos um Paraná isolado do Brasil. Queremos um Paraná mais forte dentro do Brasil. O Estado vai continuar contribuindo para o desenvolvimento nacional, mas precisa ter condições de transformar uma parcela maior dessa riqueza em estradas, saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento nos municípios. Menos Brasília, mais Paraná significa fazer o dinheiro chegar mais perto das pessoas”, resume Curi.

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