A PEC que discute o fim da escala 6×1 voltou à pauta do Congresso Nacional nesta semana, mas o senador Sergio Moro (PL) já deixou claro de que lado está na discussão: contra a mudança que amplia o descanso semanal e reduz a jornada de trabalho sem redução salarial. Em maio, após a aprovação da proposta pela Câmara dos Deputados, Moro se posicionou publicamente contra a proposta, apoiando uma PEC alternativa, enquanto sua esposa Rosangela Moro, deputada federal por São Paulo, votou contra o fim da escala 6×1 nos dois turnos de votação na Câmara.
O texto apresentado estabelece o fim do regime em que o trabalhador trabalha seis dias para ter apenas um de descanso e prevê dois dias de folga por semana, além da redução gradual da jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial. Se for aprovada, a mudança pode beneficiar cerca de 1,03 milhão de trabalhadores paranaenses que trabalham nessa escala. São pessoas que poderiam passar a ter um segundo dia de descanso semanal caso a proposta seja aprovada.
Depois que a Câmara aprovou o texto da PEC por ampla maioria – foram 472 votos favoráveis contra 22 votos contrários no 1º turno e 461 contra 19 votos no 2º – Sergio Moro passou a apoiar uma PEC alternativa articulada pelo senador Rogério Marinho (PL). Na prática, a proposta defendida manteria o teto de 44 horas semanais, com definição da carga horária a critério de uma “negociação direta” entre patrões e empregados, com possibilidade de redução proporcional de direitos trabalhistas, como férias, FGTS e 13º salário caso houvesse diminuição da jornada.
A escala 6×1 impacta diretamente na rotina dos trabalhadores, especialmente em setores como comércio, serviços, alimentação, transporte e atividades que funcionam continuamente. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva divulgada nesta quarta-feira (2) pelo Estadão mostrou que o fim da escala 6×1 é apoiado por 78% dos brasileiros – incluindo a maioria dos eleitores de direita e de esquerda. Apenas 9% dos entrevistados afirmaram ser contra a proposta.
*Discussões no Paraná*
A retomada da votação no Senado coloca novamente em discussão uma das principais pautas em análise no Congresso, com impacto direto na vida de mais de um milhão de trabalhadores paranaenses. Na quarta-feira (2), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou o relatório em votação simbólica com apenas quatro votos contrários, sendo dois do PL. Moro não esteve presente.
No Paraná, um dos adversários de Sergio Moro na disputa pelo Palácio Iguaçu, o deputado federal Sandro Alex, do PSD, votou a favor do fim da escala 6×1 em ambos os turnos. A posição contrária à PEC defendida por Moro e a esposa não tem sequer o apoio de toda a bancada do PL, como já comprovado nas votações na Câmara dos Deputados e na CCJ do Senado.