CPI coloca sob investigação obra de R$ 1,45 milhão do estádio de Clevelândia durante gestão Rafaela Losi

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Comissão Parlamentar de Inquérito foi instaurada pela Câmara após requerimento assinado por quatro vereadores e vai investigar contrato, aditivos, paralisação, fiscalização e execução da reforma do Estádio Max Stalschmidt durante a gestão da prefeita Rafaela Losi

Uma obra pública de R$ 1,45 milhão, que deveria representar um importante investimento na estrutura esportiva de Clevelândia, agora está oficialmente no centro de uma investigação do Poder Legislativo Municipal.
A Câmara Municipal de Clevelândia instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar fatos relacionados à contratação e à execução das obras de revitalização e reforma do Estádio Municipal Max Stalschmidt, realizadas durante a gestão da prefeita Rafaela Martins Losi.
O requerimento de abertura da CPI foi lido em Plenário na sessão de 10 de setembro e foi subscrito pelos vereadores Manoel Augusto Gollub Inocêncio, Camila Loyola Daneluz, Diego Alcides Martignoni e Julio Cezar Calgaro Dal Pizzol.
No dia seguinte, 11 de setembro, o presidente da Câmara, vereador Manoel Augusto Gollub Inocêncio, formalizou a instauração da CPI por meio do Ato da Presidência nº 003/2026.
O objeto da investigação está relacionado à Tomada de Preços nº 005/2023, ao Contrato nº 137/2023 e aos respectivos Termos Aditivos.

*Uma obra de R$ 1,45 milhão sob a lupa do Legislativo*
Os números ajudam a dimensionar a importância da investigação.
Dados disponíveis no Portal da Transparência do Município de Clevelândia indicam que a obra de reforma do Estádio Municipal Max Stalschmidt possui valor total de R$ 1.450.049,00, dos quais R$ 1.173.411,60 constam como já pagos.
O sistema oficial também registra a situação da obra como “ATRASADA” e informa como data de início 1º de março de 2024.
É nesse contexto que a Câmara Municipal decidiu abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a contratação e a execução do empreendimento.
O requerimento apresentado pelos vereadores aponta uma série de situações que deverão ser esclarecidas, entre elas questões relacionadas aos projetos básicos da licitação, à existência de canalizações pluviais no subsolo, à paralisação da obra e ao período transcorrido até a retomada dos trabalhos.

*R$ 202 mil em um dos aditivos*
Um dos pontos de maior repercussão está relacionado ao 3º Termo Aditivo.
Segundo o requerimento, o aditivo teria acrescentado R$ 202.896,38 ao contrato. Os vereadores questionam ainda as circunstâncias de sua celebração diante da existência de um parecer jurídico contrário constante dos autos do processo.
Outro ponto que deverá ser analisado é o 5º Termo Aditivo, relacionado à ampliação do prazo contratual e ao refazimento de serviços na pista de atletismo e no alambrado. O requerimento também questiona a condução administrativa diante das ocorrências registradas durante a execução do contrato.
O requerimento aponta ainda questionamentos relacionados à fiscalização da obra e à eventual adoção de medidas administrativas e sancionatórias diante de situações registradas durante a execução contratual.

Prefeita Rafaela Losi está entre os agentes que poderão ser ouvidos
Por envolver atos administrativos praticados durante a atual gestão municipal, o nome da prefeita Rafaela Martins Losi aparece entre os agentes cuja oitiva foi solicitada no requerimento.
O documento também relaciona outros agentes envolvidos na contratação, fiscalização e execução da obra, incluindo engenheiros responsáveis pela fiscalização, gestores do contrato, a Procuradora Jurídica do Município, o responsável pelo Controle Interno e o representante da empresa contratada.
A CPI poderá ainda realizar vistoria técnica no próprio Estádio Max Stalschmidt, com análise da pista de atletismo, drenagem do solo, alambrados e sistema de iluminação.
Entre as diligências inicialmente previstas estão ainda a requisição de documentos do processo licitatório, documentos de pagamentos, livros diários da obra, relatórios fotográficos, ensaios tecnológicos e registros das vistorias realizadas durante a execução.
O requerimento prevê também a possibilidade de solicitar colaboração técnica do CREA-PR e do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR).

*A investigação ganha dimensão política no Paraná*
A abertura da CPI ocorre em um momento em que a prefeita Rafaela Losi também ganhou projeção no cenário político estadual.
Em julho de 2026, Losi assumiu a presidência estadual do Democracia Cristã (DC). A nova direção da legenda passou a se posicionar politicamente em torno da pré-candidatura de Sérgio Moro ao Governo do Paraná, apoio posteriormente oficializado pelo partido em convenção estadual.
A conexão política, entretanto, não faz parte do objeto da CPI.
A investigação instaurada pela Câmara está formalmente delimitada às circunstâncias relacionadas à contratação e à execução das obras do Estádio Municipal Max Stalschmidt.
O contexto político, porém, amplia a repercussão do caso para além de Clevelândia, especialmente por envolver uma prefeita que atualmente ocupa uma posição de destaque dentro de uma legenda que declarou apoio ao projeto eleitoral de Sérgio Moro no Paraná.

*Do papel ao canteiro de obras*
A investigação não deverá ficar restrita aos documentos.
O requerimento prevê a possibilidade de realização de vistoria técnica no próprio estádio, incluindo a análise da pista de atletismo, drenagem do solo, alambrados e sistema de iluminação.
A Comissão também poderá deliberar sobre requisição de documentos, oitivas, diligências, inspeções, perícias e outras medidas investigativas, sempre respeitando os limites constitucionais e legais.

90 dias para buscar respostas
A CPI terá 90 dias, contados a partir de sua efetiva instalação, para concluir os trabalhos, podendo o prazo ser prorrogado por igual período, desde que observados os requisitos legais.
Agora, as lideranças partidárias e/ou blocos parlamentares deverão indicar os vereadores que irão compor a Comissão, observando os critérios de representação previstos na legislação e no Regimento Interno.
Depois da formalização dos integrantes, será realizada a reunião de instalação, quando serão organizados os trabalhos e definidas as primeiras providências investigativas.

*O que a CPI pode revelar?*
A resposta ainda não existe.
E é justamente essa a razão de a investigação ter sido instaurada.
A Câmara terá agora a responsabilidade de transformar os questionamentos apresentados no requerimento em documentos analisados, depoimentos, avaliações técnicas e fatos comprovados.
O próprio Ato da Presidência é claro ao estabelecer que a instauração da CPI não representa julgamento antecipado sobre a existência de irregularidades ou sobre a responsabilidade de agentes públicos ou particulares.
O que aconteceu na obra do Estádio Max Stalschmidt? Houve falhas de planejamento? Por que a obra foi paralisada? Como foram conduzidos os aditivos? Houve falhas na fiscalização? Como foram empregados os recursos públicos?
São algumas das perguntas que agora estarão oficialmente sob investigação.
E as respostas deverão sair dos autos da CPI.
O que está em jogo é uma obra pública de R$ 1,45 milhão, com R$ 1,17 milhão registrados como pagos no Portal da Transparência e cuja situação aparece oficialmente como paralisada.
Agora, o contrato, os documentos, as decisões administrativas e a execução da obra estarão sob a lupa do Poder Legislativo de Clevelândia.
A população espera respostas. A CPI terá a responsabilidade de buscá-las.

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