Tomando por base essa a postagem sobre produtividade de nossos Senadores publicada na semana passada pelo Lauro Jardim do Globo, lembrei de uma discussão que aparece em estudos da ONU/UNESCO sobre corrupção na educação e enviada pelo leitor do IMPACTOPR.
Um professor que dá 30 ou 40 minutos de uma aula de 50 está roubando 10 ou 20 minutos do aluno.
A UNESCO/IIEP trata o absenteísmo e a perda de tempo de ensino como *formas relevantes de corrupção ou falhas de integridade na educação*.
Um relatório sobre o custo oculto da corrupção chega a classificar o absenteísmo docente como uma das formas mais sérias de corrupção educacional.
A própria UNODC, órgão das Nações Unidas voltado ao combate à corrupção e ao crime, afirma que, quando educadores estão ausentes, os estudantes são privados do direito à educação, e inclui isso entre os efeitos da corrupção no setor educacional.
Aqui estou fazendo uma transposição do conceito de corrupção patrimonial para o conceito de corrupção do tempo e da oportunidade.
Tradicionalmente, quando pensamos em corrupção, imaginamos que alguém recebeu dinheiro público e desviou, mas podemos ampliar a pergunta, o que acontece quando alguém recebe para entregar uma determinada quantidade de trabalho e entrega menos?
Se uma aula contratualmente prevista para 50 minutos entrega apenas 40, há uma diferença de 10 minutos. Parece pouco.
Mas façamos a conta de 3 aulas por semana, 4 semanas por mês, 9 meses letivos, 10 minutos subtraídos por aula, isso dá 1.080 minutos por ano, ou 18 horas de aprendizagem não entregues.
Se forem 20 minutos retirados de cada aula, são 2.160 minutos, ou 36 horas.
Não é necessariamente dinheiro que foi roubado. Foi tempo.
E tempo de aprendizagem é um recurso que não pode ser devolvido.
Mas, se um profissional ou um político como os nossos senadores deliberadamente reduzem aquilo que deveriam entregar, mantendo integralmente a remuneração ( alto valores e com gabinetes com despesas excessivas em viagens e regalias) e a aparência de cumprimento da obrigação, aí temos uma analogia muito forte com o CONCEITO DE DESVIO.
A grande questão, é que corrupção começa muito antes de chegar ao dinheiro público.
“A ÉTICA NÃO COMEÇA NOS GRANDES ESCÂNDALOS, ELA COMEÇA NOS PEQUENOS COMPROMISSOS”.