Voltaram a viralizar neste fim de semana mensagens que colocam em dúvida a versão de Sergio Moro (PL) sobre não ter votado em Flavio Dino na indicação ao Supremo Tribunal Federal. Os prints relembram uma polêmica foto tirada no dia da votação que aconselhava o ex-juiz a não revelar o voto.
Flávio Dino interrompeu nesta semana o julgamento que poderia abrir caminho para uma investigação contra Alexandre de Moraes. Ou seja: as possíveis investigações contra Moraes podem ficar só para depois das eleições, isso caso o julgamento ocorra de fato.
A indicação de Dino ao STF foi aprovada pelo Senado em dezembro de 2023 por 47 votos a 31, em votação secreta. Moro não revelou como votou, embora tenha tornado públicos seus posicionamentos em outras indicações para o Supremo. Na ocasião, o senador justificou que a manutenção do sigilo era uma “prerrogativa parlamentar” e uma forma de “preservar sua independência diante de pressões e possíveis retaliações”.
O episódio, porém, não ficou restrito ao silêncio de Moro. Na véspera da votação, seu primeiro suplente, Luis Felipe Cunha, perguntou se o senador votaria contra Dino e, após uma conversa entre os dois, enviou uma mensagem dizendo: “Deltan desesperado. Me ligou, mandou mensagem e etc.”
Reportagens da época relataram que Deltan Dallagnol – hoje seu colega de chapa – vinha pressionando senadores a votar contra a indicação e que a reação teria ocorrido depois de Moro não declarar voto contrário ao indicado de Lula. A Folha registrou ainda que pessoas próximas a Deltan passaram a acreditar que Moro havia votado pela aprovação de Dino.
Naquele mesmo dia, Moro foi fotografado abraçando e sorrindo ao lado de Dino durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. As imagens provocaram críticas nas redes sociais, e o próprio senador tentou se justificar dizendo que havia apenas reagido a uma brincadeira feita por Dino. O conjunto desses episódios passou a ser usado como indicativo de que Moro teria votado favoravelmente à indicação.
A Justiça Federal do Paraná concorda: em setembro de 2026, o TRE-PR rejeitou pedido da defesa de Moro para retirar do ar uma propaganda que afirmava que ele havia votado em Dino. A decisão não confirmou que o senador tenha votado a favor, já que tecnicamente a votação foi secreta, mas considerou que a afirmação não poderia ser classificada como fato sabidamente inverídico justamente porque o sigilo impede comprovar objetivamente o voto.