Uma carta enviada por Carlos Guilherme Ceschin Gomes do Rego, Presidente da INFRAVIA-PR às construtoras associadas, logo após as eleições do último domingo(04), deixou muita gente de cabelo em pé no Palácio Iguaçu e que deve ter repercussão nos próximos meses de finalização de mandato do governo Ratinho Jr., com os dados revelados no teor do documento.
Carta às Associadas
Curitiba, 5 de outubro de 2026.
Ref.: Conduta do DER-PR nos processos de reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos do setor.
Prezadas Associadas,
Por ocasião do meu retorno, dirijo-me a Vossas Senhorias para apresentar a posição desta Presidência acerca das condutas adotadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), nosso principal contratante no Estado.
Desde abril de 2026, temos envidado esforços irrestritos perante as instituições públicas — notadamente o DER-PR — para restabelecer o reequilíbrio econômico-financeiro e assegurar a viabilidade operacional dos contratos sob nossa responsabilidade.
Como é de conhecimento de todo o setor, o DER-PR, que deveria servir de referência para as demais instituições estaduais, conduziu a matéria, sob a gestão de seu Diretor-Presidente, com aparente inobservância dos preceitos legais e sem a urgência exigida pela situação, ultrapassando de forma desarrazoada os prazos a que a Administração Pública está estritamente vinculada.
Nesse período, registramos três decisões proferidas pelo Diretor-Presidente sobre a matéria, as quais foram sucessivamente abandonadas sem a devida motivação jurídica ou administrativa.
Trata-se de uma postura que carece de justificativa técnica, legal, operacional ou institucional. Ao postergar tais soluções, submeteu-se a quase totalidade das empresas do setor a um cenário crítico de inviabilidade, agravado, entre outros fatores, pela expressiva majoração dos preços dos derivados de petróleo (asfaltos e combustíveis), que acumulam alta de 50% no período.
Diante da gravidade desse quadro, fez-se indispensável a consulta a uma banca especializada de advogados para analisar a conduta administrativa e avaliar o eventual enquadramento em ilícitos funcionais, inclusive o crime de prevaricação.
Na última quinta-feira, mantive contato direto com a Administração com o intuito de exigir a imediata tramitação e liberação de todos os processos de reequilíbrio das associadas, até então indevidamente retidos por determinação da Presidência do órgão.
Diante da firme e inequívoca postura desta Presidência em resguardar os direitos das empresas representadas, observou-se o imediato andamento dos referidos processos, que se encontravam paralisados.
Em razão desses desdobramentos, mantemos a expectativa de que o órgão adote, com a urgência que o momento impõe, e sem mais condicionamentos de qualquer natureza, as providências administrativas necessárias para a liquidação e o pagamento integral dos valores devidos ao longo do mês de outubro.
Caso essa expectativa não se efetive, esta Presidência adotará as medidas cabíveis, formalizando representação junto ao Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR) e ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), além de dar ciência formal dos fatos ao Exmo. Sr. Governador do Estado, ao Presidente da Assembleia Legislativa (ALEP), à Exma. Sra. Presidente do Tribunal de Justiça (TJPR) e à Ouvidoria-Geral do Estado.
Confiantes de que estarmos conduzindo o tema rumo a uma solução legal, ética e definitiva, colocamo-nos, como de hábito, à disposição de Vossas Senhorias para os esclarecimentos necessários.
Atenciosamente,
Carlos Guilherme Ceschin Gomes do Rego
Presidente da INFRAVIA-PR