Gazeta do Povo e família Cunha Pereira mamaram nas tetas do dinheiro público

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O passamento do jornal Gazeta do Povo, com um velório previsto para se encerrar somente em junho, não apaga da memória da imprensa paranaense os anos (muitos) em que a publicação se ancorava no dinheiro do poder constituído. E, para ser mais claro e direto, do suado dinheiro dos paranaenses.
Além de farta verba publicitária que sustentava a empresa e a família Cunha Pereira, não são poucos os casos de profissionais da redação que sobreviviam com o contracheque emitido por órgão públicos, que lhes garantiam, além do leite diário das crianças, uma boa aposentadoria.
Um caso emblemático é do colunista Dino Almeida, que aposentou-se como servidor da Assembleia Legislativa sem que tenha dedicado muito tempo de vida ao trabalho na casa de leis. Há gente que assegura que os cargos de diretor de comunicação e a chefia de cerimonial do legislativo paranaense só eram ocupados por indicados de Francisco Cunha Pereira.
O jornalista Nelson Souza Filho, que chefiou a redação da Gazeta por anos, também garantiu uma lauta aposentadoria como funcionário do Estado. Na lista de beneficiados pelo “forte vínculo” entre governos e o jornal também estão nomes como Rafael de Lala, Valmir Marcelino, Kaco Lacerda e Clóvis Stadler.
Lula e Dilma – Nos recentes momentos de agonia, o jornal se tornou parceiro dos governos Lula e Dilma. O definhamento do lulopetismo, contudo, está refletido na publicação que já foi “da família curitibana” e hoje não passa de um panfleto que aposta na pregação ideológica de quem o edita.
O que já foi um dos maiores jornais do país (já encolhido para o formato tabloide) – está tão desmilinguido que se parece com um encarte de supermercado. Antes de falir como jornal impresso, a Gazeta levou a falência o Jornal de Londrina e O Estado do Paraná. A Tribuna do Paraná, também incorporada ao grupo, está no bico do corvo. Centenas de profissionais de imprensa foram ou vão para o olho da rua.
Essa catástrofe jornalística tem pai e tem mãe: Ana Amélia Cunha Pereira Filizola e Guilherme Cunha Pereira, que destruíram, a golpes de incompetência e prepotência, não só o patrimônio deixado pelo pai mas também deram grande colaboração com o enterro da imprensa paranaense.
Filhos – O mergulho da Gazeta no abismo começou em 19 de março de 2009, quando morreu o jornalista Francisco Cunha Pereira, diretor-presidente da RPC (Rede Paranaense de Comunicação), que mantinha o jornal e a Globo/RPC com uma linha conservadora, muito semelhante ao perfil do curitibano médio. Ele mantinha o jornal na liderança incontestável no Paraná e na condição de um dos mais importantes do país.
O lugar de Francisco foi assumido por seus filhos Ana Amélia e Guilherme Cunha Pereira, os dois portadores de uma mortal combinação de arrogância e incompetência. Marchando contra a linha tradicional adotada pelo pai, e apreciada pelos leitores, os filhos de Francisco se decidiram por uma aliança de risco com o petismo.
O jornal passou a apoiar abertamente o PT, apesar dos fartos indícios de corrupção que explodiram já em 2005, com o escândalo do Mensalão, que sugeriam que o petismo havia colocado uma quadrilha no comando do país. Para simular jornalismo independente e investigativo, a Gazeta passou a perseguir com selvageria o governo do Estado e a prefeitura de Curitiba, além de outras instituições do Paraná, enquanto dava cobertura a todos os desmandos do PT.
Apoio ao PT – O esquema era de alto risco. Garantia grandes recursos publicitários federais, mas, para funcionar, precisava que o governo do PT desse muito certo. Ocorreu o contrário. Em 2016 a presidente Dilma Rousseff, sob cujo governo explodiram os maiores esquemas de corrupção do planeta, foi colocada para fora do Palácio do Planalto.
A mudança de linha do jornal, com uma aliança subserviente ao PT, foi pautada por Paulo Bernardo, marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), ré por corrupção no mensalão. Ele próprio, que já foi até preso, é acusado de chefiar uma quadrilha que roubou R$ 100 milhões de aposentados e funcionários públicos.
Tudo somado e a Gazeta do Povo veio a falecer. O leitor se afastou e os anunciantes abandonaram o veículo. O jornal se tornou deficitário (R$ 40 milhões ao ano) e passou a drenar recursos da televisão. A tal ponto que o sócio Mariano Lemanski ter forçado a separação da RPC/Globo da Gazeta antes que o jornal afundasse também a TV.
Leitor abandona – Além de perder o suporte financeiro do governo do PT, a Gazeta viu o negócio fazer água com a Operação Lava Jato. Empreiteiras que antes lhe garantiram verbas publicitárias, a mando dos petistas, deixaram de realizar investimentos. Muitos porque foram presos.
Abandonados pelo leitor e pelos anunciantes o jornal entrou em processo de agonia. Mesmo na morte do jornal, os filhos de Francisco foram arrogantes. Tentaram transformar o fracasso num sucesso. Um enterro em uma ressurreição gloriosa. Sem condições de imprimir até mesmo o jornaleco diário magrinho, armaram uma farsa com contratados nacionais para dizer que o resíduo eletrônico do jornal, seria um salto para a modernidade e um avanço, não um velório.
Nada podia ser mais irônico, os filhos do empresário de comunicação mais bem-sucedido do Paraná, se tornam os maiores coveiros da imprensa do estado.
Além de perder o suporte financeiro do governo do PT, a Gazeta viu o negócio fazer água com a Operação Lava Jato. Empreiteiras que antes lhe garantiram verbas publicitárias, a mando dos petistas, deixaram de realizar investimentos.
charge douglas mayer- jornal impacto pr.

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