TRE pede ao juiz Sérgio Moro informações de doações suspeitas na campanha de Glesi Hoffmann em 2014:
A situação da senadora Gleisi Hoffmann (PR), presidente nacional do PT, vai piorar com o pedido do Tribunal Regional Eleitoral ao juiz Sergio Moro, responsável pelas sentenças das ações da Operação Lava Jato. O TRE pediu a Moro informações sobre as empresas investigadas na Lava Jato e que financiaram o PT nas eleições de 2014 no Paraná.
Gleisi foi candidata ao governo do Estado pelo partido e num rápido levantamento verifica-se que a petista recebeu R$ 15.723.900,00 de dinheiro suspeito. Esse total corresponde a 72,5% das despesas de Gleisi na campanha de 2014.
Dos R$ 21.667.129,50, declarados na Justiça Eleitoral como doações, Gleisi recebeu R$ 9.450.000,00 da JBS e da Seara (empresa do grupo). O dinheiro foi repassado em cinco parcelas: R$ 50 mil, R$ 2.850.000,00, R$ 3,8 milhões, R$ 1,8 milhão e R$ 950 mil (esta parcela da Seara).
A JBS está no epicentro do escândalo de corrupção que envolve figurões da República. Os irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores da JBS e executivos do grupo, fizeram uma série de delações em que detalham como passaram toda a dinheirama às campanhas eleitorais como propinas para alavancarem empréstimos bilionários junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Pedido a Moro – O juiz Josafá Antonio Lemes, que pediu as informações ao juiz Sergio Moro, é relator da prestação de contas do diretório estadual do PT em 2014. Segundo o juiz, para avaliar a regularidade da contabilidade da legenda, é preciso levar em consideração que “foram feitas doações ao PT – dentre outras pessoas – pelas empresas JBS S/A e Banco BTG Pactual S/A”.
Lemes acrescenta: “tais empresas fazem parte do rol de pessoas jurídicas investigadas nas operações ‘Lava Jato’ e outras, porque – em tese – as origens desses recursos (financiamento de campanha) seriam de fontes ilícitas porque derivadas de ‘propinas’ de contratos firmados entre empresas privadas e públicas (licitações)”.
Além das gordas doações da JBS, Gleisi recebeu mais R$ 400 mil (duas parcelas: R$ 250 mil e R$ 150 mil) do banco BTG Pactual. O banqueiro André Esteves, controlador do Pactual, foi preso em novembro de 2015, após ter seu nome envolvido em conversa do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT) com o filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, preso sob acusação de envolvimento em corrupção na Petrobras. Na conversa gravada, Amaral diz que Esteves teria aceitado pagar R$ 1,5 milhão ao advogado que defendia Cerveró, Edson Ribeiro, desde que o BTG não fosse envolvido na Lava Jato.
Empreiteiras da Lava Jato – As suspeitas seguem nas doações à Gleisi que recebeu outros R$ 2.795.000 de quatro empreiteiras (Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, UTC e Galvão Engenharia) investigadas na Operação Lava Jato. Da Queiroz Galvão, Gleisi recebeu R$ 475 mil; da Andrade Gutierrez, mais R$ 950 mil, da Galvão Engenharia, R$ 420 mil (em duas parcelas: R$ 250 mil e R$ 170 mil) e da UTC, R$ 950 mil (duas parcelas de R$ 475 mil).
A UTC financiou Gleisi desde sua primeira campanha em 2006, à prefeitura de Curitiba. A empreiteira já repassou R$ 1,5 milhão à petista: R$ 100 mil (2006), R$ 250 mil (2008), R$ 250 mil (2010) e R$ 900 mil (2014). Ricardo Pessoa, dono da empreiteira, prestou depoimento no inquérito que Gleisi responde no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a participação da petista no esquema da Petrolão. O empresário arrolou ainda o marido de Gleisi, o ex-ministro Paulo Bernardo (PT), como testemunha em processo que responde no
Ricardo Pessoa assinou no último 10 de julho, acordo de leniência com o Ministério da Transparência e a AGU (Advocacia-Geral da União). Pessoa aceitou pagar cerca de R$ 600 milhões para livrar as empresas dele da proibição de efetivar novos convênios com o governo.
Obra superfaturada – Gleisi também recebeu R$ 1.950.000,00 de outra empreiteira suspeita: a Sanches e Tripoloni. A empresa não está envolvida nos casos de corrupção na Petrobras, mas é suspeita de superfaturar as obras do Contorno Norte em Maringá. É uma das principais financiadora das campanhas de Gleisi. Em 2010 e 2014, a construtora e seus três diretores repassaram R$ 2,4 milhões nas duas campanhas da petista: R$ 510 mil em 2010 e R$ 1,9 milhão em 2014.
A obra do Contorno Norte, que custou R$ 412 milhões, está na lista de obras superfaturas e investigada pelo TCU. Gleisi e seu marido, Paulo Bernardo, foram acusados ainda de usar o jatinho da empreiteira na campanha de 2010.
A petista recebeu ainda mais R$ 500 mil da Construtora Triunfo, R$ 380 mil da CRBS, R$ 85 mil de Cixares Líbero Vargas (acionista do Grupo Positivo) e mais R$ 164.059, 50 da campanha de Dilma Rousseff (PT).
Olho
Dos R$ 21.667.129,50, declarados na Justiça Eleitoral como doações, Gleisi recebeu R$ 9.450.000,00 da JBS e da Seara (empresa do grupo).
Gleisi recebeu R$ 5 milhões
das empreiteiras da Repar
Dos R$ 113 milhões desviados da Repar, conforme aponta o Ministério Público Federal, R$ 5 milhões podem ter abastecidos as campanhas da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Na prestação de contas da petista no TSE se constata que em quatro campanhas (2206, 2008, 2010 e 2014), Gleisi recebeu R$ 5 milhões através de doações suspeitas de sete empresas com serviços prestados na Refinaria Getúlio Vargas em Araucária e investigadas pela Operação Lava Jato.
Gleisi já responde inquérito no STF, acusada de corrupção passiva qualificada e é investigada em mais três frentes pela Polícia Federal em decorrências das revelações apuradas pela Lava Jato. O grosso dos repasses das empreiteiras se concentrou nas campanhas de 2008 (Gleisi disputou a prefeitura de Curitiba e perdeu) e de 2010 (ao Senado).
Em 2008, Gleisi recebeu R$ 1,1 milhão da Camargo Correa (R$ 500 mil), OAS (R$ 250 mil), UTC (R$ 250 mil) e Mendes Junior (R$100 mil). Em 2010, Gleisi recebeu mais 2,8 milhões da Camargo Correa (R$ 1 milhão), OAS (R$ 780 mil), UTC (R$ 250 mil), Coesa (R$ 220 mil), Fujiwara (R$ 300 mil) e IBQ Indústrias Químicas (R$ 250 mil).
Nota-se que 2008 e 2010 foram os anos de pico nas obras de ampliação da Repar, suspeitas por superfaturamento e investigadas pelo TCU. As suspeitam apontam desvios de R$ 85,9 milhões desviados das obras e metade desse total, R$ 43 milhões, foram para engordar os cofres do PT. Na campanha de 2006 (a primeira tentativa ao Senado), Gleisi recebeu R$ 220 mil de duas empreiteiras: OAS (R$ 100 mil) e UTC (R$ 100 mil). A UTC repassou mais R$ 900 mil para a campanha de Gleisi em 2014 (derrotada ao governo do paraná).
Até o momento, quatro contratos referentes ao pacote de obras de ampliação e modernização da Repar, lançado em 2006, já se tornaram alvos da Lava Jato com base nas mais de 30 denúncias oferecidas pelo Ministério Público Federal à Justiça Federal.
Para o MPF, houve pagamento de propina nos contratos da refinaria firmados com o Consórcio Skanska/Engevix, Consórcio Conpar (Norberto Odebrecht, OAS e UTC), Consórcio CCPR (Camargo Corrêa e Promon) e Consórcio Interpar (Mendes Júnior, Setal e MPE). No total, em relação aos quatro contratos, o MPF já apontou cerca de R$ 113 milhões de propina até agora.