Requião: da mamona à devoção ao PT

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Senador do PMDB volta a se aliar a petista envolvidos em casos de corrupção e denúncias na Lava Jato

Desde que engoliu e cuspiu sementes de mamona para demonstrar devoção ao ex-presidente Lula e ao PT, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) atua como defensor histórico e incondicional do modus operandis do petismo. De lá para cá, Requião defendeu Lula, Dilma Roussefff, alinhou-se com Gleisi Hoffmann, atual presidente nacional do PT, lutou contra o impeachment e investiu contra o juiz Sergio Moro e a Operação Lava Jato.

Requião, no último congresso do PT, como único peemedebista convidado, fez uma defesa apaixonado de Gleisi, Lula, Dilma Rousseff e do petismo. Requião rasgou elogios e usou as palavras “satisfação”, “excepcional”, “indispensável”, “parabéns” e “qualidade” para enaltecer o PT, Gleisi, Requião, Dilma e a militância petista.

E isso não é de hoje, Requião já pediu voto para ex-deputado André Vargas (ex-PT-PR), afirmando que ele era fundamental ao Paraná no Congresso Nacional e nos seus dois últimos governos (2003-2010) manteve petistas em postos chaves de sua administração. Pastas como Trabalho, Ciência e Tecnologia, Planejamento foram ocupadas por lideranças do petismo no Paraná.

Ligação histórica – Requião, volta-se ao PT neste ano com um objetivo claro, fisgar o eleitorado petista e ter o partido como satélite do seu projeto político para 2018. O senador quer os minutos do PT numa eventual disputa do Governo do Estado e faz o discurso à esquerda para agradar a militância petista e usá-la em campanha eleitoral.

Truculento, Requião usa as redes sociais para discursos moralizantes de esquerda, ataca adversários do PT e repercute os interesses políticos, tanto do PMDB, como do partido de Lula e de vários condenados na Lava Jato. No Congresso, segue como fiel escudeiro, usa a tribuna como armadura medieval para disparar falácias encomendadas e proteger os próprios interesses políticos/econômicos.

Mas toda esta devoção e amor incondicional ao PT e aos seus aliados, não parece algo apenas de afinidade ideológica ou mesmo relação cármica com os bolivarianos do Brasil. Requião tem interesses e muitos, ligações históricas e aportes interessantes.

Carne fraca – Dentre os interesses mútuos, Requião e Gleisi parecem abastecer os cofres de campanha na mesma fonte de recursos. Recente delação do executivo da JBS, Ricardo Saud, ao Ministério Público Federal, sobre o repasse de propinas para políticos, através de Caixa 2 disfarçado de doação oficial, aponta que Gleisi recebeu R$ 5 milhões e Requião R$ 2, 4 milhões, nas últimas eleições em 2014.

De falso moralizador, Requião se lambuzou no sabor e no tempero da Operação Carne Fraca. Considerado o chefe do esquema de doações, Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, citou Requião na delação premiada à PGR, em meio a uma lista de senadores do PMDB que supostamente teriam recebido vantagens indevidas.

De acordo com Sérgio Machado, a pedido do PT, a empresa JBS teria feito doações de aproximadamente R$ 40 milhões para a bancada do PMDB no Senado, nas eleições de 2014. Entre os parlamentares que teriam sido beneficiados pelos recursos, Sérgio Machado citou Requião, além de outros políticos já investigados na operação Lava Jato, como Renan Calheiros, Romero Jucá e Edison Lobão.

Doações da JBS – Coincidentemente em termos financeiros investigados, na prestação de contas da campanha de Requião ao Governo do Paraná em 2014, aparecem três doações feitas pela JBS, totalizando R$ 2,4 milhões.

A primeira, de R$ 500 mil, foi realizada através da direção nacional do PMDB; a segunda, de R$ 400 mil, por meio da campanha de Michel Temer à vice-presidência; e a última, de R$ 1,5 milhão, foi repassada diretamente pela JBS.

O esquema comprometeu a família do senador. Isso porque, no mês de março, quando foi deflagrada a Operação Lava Jato, parte das prisões, conduções coercitivas e mandados de busca e apreensão, atingiu pessoas próximas ou indicadas por membros da família Requião no Ministério da Agricultura.

Família – Um dos casos citados é do ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná, Daniel Gonçalves Filho, preso durante a operação. A indicação de Gonçalves Filho é creditada aos deputados do PMDB, entre eles João Arruda, sobrinho do senador e ao próprio Requião. Ele ficou no porto entre 2007 a 2014, boa parte do período o Estado estava sob comando de Requião.

Segundo as investigações, o esquema no Paraná era comandado por Daniel Gonçalves Filho, e pela chefe do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal, Maria do Rocio Nascimento, que trabalham em Curitiba.

Contraditório e sem a fusão da teática (teoria e prática), Requião observa o discurso esfacelar-se em meio ao lamaçal das próprias atitudes e dos casos de corrupção ligados ao seu nome. Mesmo assim grita no palanque o desesperado interesse em candidatar-se à presidência em 2018, no caso de eventual prisão de Lula, o que implicaria na mudança de partido, deixando o PMDB para se filiar ao PT.

Talvez, em última instância, prefira candidatar-se novamente ao Senado e manter privilégios por mais oito anos, dispendendo apenas alto custo aos eleitores – em 2016, a estrutura de Requião, o que inclui as despesas e salários de 21 assessores comissionados, custou R$ 2,8 milhões ao contribuinte.

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