Aquilo que começou como um sonho virou um pesadelo para centenas de pessoas que acreditaram numa propaganda enganosa que até hoje continua mantendo o drama da casa própria como uma situação criada e que virou um verdadeiro inferno.
Depois de algumas reportagens publicadas na Gazeta do Povo em 2015, inclusive com fotos do empreendimento e da revolta de compradores de apartamentos no Parque das Nações, em São José dos Pinhais, tudo caiu em um estranho silêncio que passa a impressão de que àqueles que acreditaram no sonho da casa própria foram ludibriados por um grupo de espertalhões que atuou na área de construção imobiliária, usando financiamento da Caixa Econômica Federal para seus atos de tapeação ludibriando a boa-fé de centenas de pessoas levadas na propaganda farta do “Minha Casa, Minha Vida”, que se espalhava pelo país.
Anos depois de acreditarem, e estarem pagando religiosamente à Caixa suas prestações, os compradores olham para o local e encontram seus olhos pousados em obras inacabadas e sem qualquer previsão de conclusão.
Mas, o que tem o casal Eugênio Caetano do Amaral Neto e sua esposa Mônica Malucelli do Amaral e o empresário e político Joel Malucelli com isso tudo?
O que tem a ver a EMEC-Incorporadora e Construtora e a Caixa Econômica Federal com esta mutreta?
Muitas histórias e estórias envolvem o Parque das Nações em São José dos Pinhais, uma obra que iniciou em cima de mananciais graças a absurda decisão de quem autorizou a mesma numa área de preservação ambiental, contando para tanto com o financiamento da Caixa Econômica Federal que se rendeu, ao que parece sem garantias, porque as empresas da empreitada dizem não terem bens para honrar os compromissos devidos com os compradores.
Todos que viram esta propaganda enganosa promovendo um empreendimento que não existia mas estava começando a caminhar com obras aparentemente, ficaram deslumbrados passando a viver o sonho da casa própria.
– O stand de vendas passou a receber mais e mais clientes interessados em mais de 450 apartamentos vendidos no pulo, como diziam os corretores, até que…
…Até que uma decisão da 11ª Vara Federal em Curitiba, acatou pedido do Ministério Público e embarcou as obras das 624 unidades residenciais e 58 salas comerciais que seriam construídas ali, emn áreas de Preservação Permanente e de Proteção Ambiental, onde zonas úmidas e alagadiças não eram apropriadas a uma empreitada deste vulto.
Só então o empresário Joel Malucelli, recém aposentado em seu grupo empresarial para dedicar-se a vida política como vem fazendo, foi alertado que o seu nome estava inserido neste contexto.
Tratou de divulgar nota oficial desmentindo participação na empreitada, embora àquela altura o grande cartaz com o nome de sua empresa estivesse carimbado não apenas naquele outdoor de propaganda do Parque das Nações, mas na memória de todos os compradores.
A própria EMEC-Incorporadora e Construtora tratou de aliviar a barra, com seu dono, Eugênio Caetano do Amaral Neto tentando a todo custo apagar o nome J.Malucelli de um empreendimento que ele, apenas ele e seu grupo encabeçavam com os nomes Amaral Imoveis Ltda, Fórmula Empreendimentos Imobiliários Ltda, Vista Alegre Participações Ltda e, claro, a dita EMEC.
E as obras do Parque das Nações, entre a Avenida Rui Barbosa e Rua AnnelieseGellertKrigsner, cujo projeto fora autorizado pela Prefeitura Municipal de São José dos Pinhais e pelo Estado, que caminhavam em cima de uma área de manancial, pararam.
Começou a correria, desmentindos, disse-não-disse e etc, tudo conturbando ainda mais o ambiente que cercava este negócio.
E que negócio!
Começou a correria e até a OAB foi chamada a tomar posição, com a Gazeta do Povo publicando reportagens que depois, estranhamente, caíram no esquecimento e nunca mais se falou a respeito até o sepultamento deste veículo de comunicação.
Teria a matéria perdido o interesse de ser acompanhada?
Bem, vamos adiante porque há muito, muito mais a ser revelado neste escândalo sem precedentes.
AÇÕES
Na Justiça os prejudicados correram em busca de um socorro que, demorando a chegar, não vai conseguir reparar todos os prejuízos registrados com esta mutreta de imóveis.
Advogados foram acionados, processos foram instaurados mas, como tudo é demorado e àqueles que compraram os imóveis que não receberam são obrigados a pagar religiosamente suas prestações junto à Caixa Econômica, armou-se uma situação grotesca e que precisa ser melhor explicada pois tudo parece muito enrolado.
Advogados acionam através de seus clientes as empresas envolvidas nesta história, mas os cabeças desta história não parecem incomodados.
MALUCELLI
O sobrenome Maucelli, claro, rende muito nas especulações, ainda mais que Joel Malucelli é, por coincidência, pai de Monica Malucelli do Amaral, esposa de Eugenio Caetano do Amaral Neto, o genro que segundo dizem teria colocado o empresário e político nessa fria.
A ligação do sobrenome não veio apenas pelo fato do genro ter complicado a imagem do sogro, mas deixa no ar a falta de explicações, até, pela ligação política dos dois nas eleições de 2014, quando Joel e Eugênio estiveram no mesmo barco.
Some-se a tudo isso, o fato de que Monica, a filha de Joel Malucelli, é dona de cartório, o 6ºTabelionato de Notas, ligação que tambpem está sendo devidamente levantada para arguir juto a Corregedoria da Justiça a respeito de alguma ligação de negócio misturado com cartório.
No terreno das especulações muitas coisas certamente ainda vão surgir, principalmente pelo fato de que em tudo isso, o nome político de Joel Malucelli está inserido no contexto.
Joel Malucelli é hoje o presidente da executiva estadual do PODEMOS, o partido que sucede o PTN e que está se projetando, inclusive, para a campanha presidencial com o nome de Álvaro Dias.
Com um escândalo desse tamanho sendo revelado a esta altura, certamente vai respingar na imagem política do mesmo, através daqueles que estão sofrendo enormes prejuízos com os negócios do genro de Joel Malucelli, e que a esta altura já começam a perguntar de forma irônica se haverá de parte do mesmo alguma solução para todo o imbróglio, indagando : “PODEMOS?”
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