Em reestruturação, TV Educativa do Paraná suspende produção local e corta cachês
O governo de Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) anunciou que a programação da Rádio e Televisão Educativa do Paraná (RTVE) vai passar por reformulação. A futura grade da tevê começou a ser desenhada e, segundo a gestão, a produção local está interrompida até que o novo formato seja traçado e implantado. Durante esse período, entretanto, a televisão não sai do ar; seguirá ativa, mas com a simples retransmissão do sinal nacional, da TV Cultura de São Paulo. As informações são de
Cristina Seciuk na Gazeta do Povo.
De acordo com o secretário de Estado da Comunicação Social, Hudson José, não há previsão de prazo para que o trabalho seja concluído, mas o foco é o enxugamento da máquina pública, com redução de gastos e otimização da estrutura da emissora. “Essa é uma ação de respeito ao paranaense. Nós temos que respeitar o imposto que as pessoas entregam e não podemos ter excessos como o que encontramos”, afirmou o secretário ao se referir ao quadro de pessoal da Educativa que – segundo ele – inchou às vésperas da eleição de 2018.
Segundo Hudson José, o cenário mais alarmante tem relação com os contratados pelo sistema de cachês [profissionais terceirizados e sem vínculo com o estado]: chegou ao ápice de 175, com pagamentos de R$ 700 mil ao mês, afirma o secretário. “É excessivo. Se fosse mantido o padrão, seriam R$ 8 milhões gastos [por ano] somente em cachê na tevê”. Para fechar a torneira, a primeira medida – já adotada – foi a dispensa de metade desses trabalhadores, com economia que deve alcançar de R$ 300 mil e R$ 350 mil já no mês de janeiro, conforme o responsável pela pasta, representando R$ 4,2 milhões a menos em gastos para 2019.
Sobre a situação da tevê na gestão anterior, a Gazeta do Povo fez contato com o grupo da ex-governadora Cida Borghetti (PP) , mas ainda aguarda um posicionamento do antigo secretário de Comunicação, Alexandre Teixeira.
Além desses profissionais, a RTVE tem ainda comissionados e efetivos, com quadro total que, na prática, “ultrapassa com folga” os 220 empregados, de acordo com o secretário de Ratinho Junior – estrutura considerada por ele maior do que as necessidades da rádio e da televisão.
Concurso e programação
O funcionamento da Rádio e Televisão Educativa do Paraná foi alvo de diversos questionamentos em anos recentes, entre outros motivos, por causa do regime de contratação dos funcionários. Um edital lançado em 2016 para a contratação de profissionais enfrentou resistência e acabou revogado após uma medida cautelar conseguida pelo Tribunal de Contas do Estado, que barrou o processo seletivo por causa de indícios de irregularidades.