PONTA GROSSA/IRATI : DER – NOVELA SEM FIM

Nelson-Leal-Junior-Beto-Richa-e-Pepe-Richa

A denúncia contra os homens fortes do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), que virou dor de cabeça e diarréia após a delação premiada de Nelson Leal Jr, fez com que Ratinho Junior agisse rápido e colocasse a Secretaria de Infraestrutura (SEIL) em primeiro lugar na gestão de compliance, regras de conduta e controle externo.
Na denúncia que levou José Richa Filho, irmão de Beto Richa, para os autos Autos nº 5052288-41.2017.4.04.7000 e 5036128-04.2018.404.7000 ao lado de Aldair Wanderley Petry (o Neco) está escrito:
“No decorrer das investigações, concluiu-se que os esquemas de corrupção se complementavam, sendo que JOÃO CHIMINAZZO NETO era o operador financeiro de propina das concessionárias e fazia entregas mensais a diversos agentes públicos, estando entre esses funcionários MAURÍCIO DE SÁ FERRANTE, ANTONIO QUEIROZ “CABELEIRA” e JOSE STRATMANN da AGEPAR, como também ALDAIR PETRY, da Secretaria de Infraestrutura e Logística que, por sua vez, fazia a distribuição para JOSE RICHA FILHO, NELSON LEAL JUNIOR, além de outros agentes públicos do DER/PR e a LUIZ ABI ANTOUN. Este último, a seu turno, repassava valores em proveito do ex-governador BETO RICHA.”
E sobre os outros governadores como Jaime Lerner, Roberto Requião, Mario Pereira e Orlando Pessuti os procuradores foram claros: “Segundo o MPF, a prática acontece há 20 anos no estado. Segundo o procurador do Ministério Público Diogo Castor de Mattos, os crimes prescreveram para gestores públicos anteriores a Richa. ‘Do ponto de vista criminal, nós temos prescrição. O prazo é curto e se a pessoa tem mais de 70 anos, o período já conta pela metade’, afirmou.”

Sobra para o militar da reserva do Exército João Alfredo Zampieri que assumiu o DER, o papel relevante de nos inúmeros contratos a serem auditados como por exemplo os das gerências regionais do órgão, por um fim aos desmandos.
Já que a sensação de impunidade ia do alto escalão até o fiscal de obras do DER.
EXTENSO RELATO DE NOMEAÇÕES
Impacto recebeu um extenso relato sobre a nomeação de um deles – o que controla a sede da empresa de pedágios CCR Rodonorte em Ponta Grossa, nomeado desde 2001 por Jaime Lerner (decreto 3597/2001) no cargo DAS – 5 – e nunca deixou o cargo – após mesmo Requião, Pessuti e Richa, este o rebaixamento para o comissionado 1C.
Trata-se do engenheiro Jair Roberto Romanini, que tem até uma empresa em Ponta Grossa e Irati – Roma Pré Moldados de Cimento Ltda (CNPJ: 79.572.442/0001-62), com contratos naquelas prefeituras – de fornecimento de galpões, tubos de concretos e até os pontos de ônibus pré fabricados – modelo DER.
Jair Romanini como é conhecido nas lides empresariais participa de licitações presenciais – em pleno horário de trabalho no DER – representando sua empresa como na Ata de Pregão 31/2016 da Prefeitura de Ponta Grossa de 11 de março de 2016 – das 10 às 10:50 hs, quando amealhou um contrato de R$ 130.820,00 reais de tubos de concreto em disputados lances verbais.
Na prefeitura de Irati – encontramos três contratos de Jair Romanini e sua ROMA: Ordem de Serviço 40/2018 para um barracão pré moldado de R$ 64.206,00 mais aditivo de R$ 14.884,37; Ordem de Serviço 27/2017 de R$ 250 mil reais para pontos de ônibus tipo DER e Ordem de Serviço 32/2017 para um barracão pré moldado de R$ 327.902,00 mais R$ 8.296,33 de aditivo.
Não sem encontrarmos uma gleba de 163.036,95 m² em Irati (antes tributada em 1.000 m² na rua Costa Rica, 147 – bairro Engenheiro Gutierrez, sede da ‘microempresa’ Roma, em nome de Jair Romanini, conforme notificação da Sra. Sandra Elisa Otto de Lara, de 5 de abril de 2017 – com lançamento de IPTU no valor de R$ 10.126,25) que está sendo loteada para o Residencial Professor Lico (Processo 946/2017 – http://irati.pr.gov.br/uploads/pagina/arquivos/Mapa-de-Implantacao.pdf e no arquivo http://irati.pr.gov.br/uploads/pagina/arquivos/habilitacoes-projese_201706080731_(287).pdf, para casas unifamiliares da Projese/Construtora Piacentini).
O que salta aos olhos é que contratos fiscalizados por Jair Romanini da empresa Gaisller Moreira (C 304/2002, 028/2005, 095/2007, 096/2007, 041/2008, 042/2008, 055/2009, 074/2010) e sua outra associada UNIT, não eram adequadamente auditados pelo DER do Paraná e muito menos pela gerência de Ponta Grossa. Nelson Leal deverá detalhar na sua delação premiada ao Ministério Público Federal e Estadual estes comportamentos anômalos de gerentes indicados e mantidos por políticos locais, nos chamados cargos de indicação de deputados aliados com a chancela da Casa Civil.
Cabe ao Oficial de Reserva do Exército que dirige o DER na gestão Ratinho Junior proceder uma simples fiscalização dos CPFs de cada funcionário e de seus familiares, identificando possíveis empresas constituídas para amealharem contratos de prestação de serviços ou de consultoria, ou até, como a de Jair Romanini, que tem uma empresa de tubos de concreto que porventura pode fornecer a empreiteiros contratados pelo governo do Paraná.
Em época de controle de pedágios é bom saber que após Jaime Lerner assinar contrato de concessão de rodovias aos graduados empreiteiros em 1997, Jair Romanini torna-se quatro anos depois, justamente o chefe da regional onde está sediada a empresa Rodonorte/CCR (com praças de pedágio em São Luiz do Purunã/Balsa Nova, Witmarsun/Palmeira, Tibagi, Imbaú e Ortigueira, além de Carambeí e Jaguariaíva) em Ponta Grossa, com trechos até Irati e Sengés.

GAISSLER MOREIRA
Um capítulo à parte pode ser dedicado ao engenheiro Fernando Afonso Gaissler Moreira, que solicitou até para retirarem seu nome do site ConsultaSócio, mas que dirige as empresas Gaissler Moreira e Unit. Em Londrina ela repassou a obra de construção da Avenida Castelo Branco para a empresa de um condenado pelo escândalo que cassou Antonio Casemiro Belinati, como prefeito, da família Abdo, que já está arrebatado pelo outro processo que levou à delação de Nelson Leal no DER.
O advogado londrinense Julio Roehrig foi claro ao portal Bonde ‘é vigarice’: “O advogado revelou, ainda, que teria fechado o contrato, no ano passado, com a empresa Ivano Abdo Construções e Corporações, também de Curitiba, supostamente contratada pela Gaissler para acompanhar as obras em Londrina. A prefeitura terceiriza a obra para uma construtora que, por sua vez, terceiriza o serviço para outra empresa. O problema é que os documentos e as qualidades técnicas apresentadas durante a licitação do serviço são da primeira empresa, que acaba encaminhando o procedimento para uma firma até então desconhecida pelo poder público. Isso é vigarice’, desabafou.”
É por isso que o Coronel (R) Zampieri não pode falhar – encontrar um mecanismo de popularizar o controle externo sobre os antigos contratos e punir todos os culpados que lesaram os contribuintes do Paraná tanto do ICMS, IPVA e do pedágio caríssimo que enriqueceu tantos espertos e metidos a espertalhões.

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