Lula afirma à BBC que Bolsonaro tem início de mandato “extremamente desastroso” e que “não sabe lé com cré”

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na noite desta sexta-feira, 10, que o presidente Jair Bolsonaro tem um início de mandato “extremamente desastroso”. Em entrevista à BBC World News, da Grã-Bretanha, Lula afirmou que tem a impressão de que Bolsonaro “não sabe lé com cré”. “É um doente que acha que o problema do Brasil se resolve com arma, o problema do Brasil se resolve com livro, com escola”, disse. As informações são do Broadcast/Estadão.

Lula disse que Bolsonaro defende “barbaramente um Estado armado e policialesco”. “Ele acaba de autorizar que fazendeiro pode utilizar arma e atirar em quem quiser”, declarou.

Na opinião de Lula, Bolsonaro corre atrás de filho para apagar um incêndio por dia. “O que se apresenta publicamente é um negócio incontrolável. Pelo bem do Brasil, eu espero que ele aprenda.”

O ex-presidente criticou também o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, que, quando juiz em Curitiba, o condenou à prisão pelo caso do triplex do Guarujá (SP). De acordo com Lula, Moro não nasceu para a política, mas sim para “se esconder atrás de uma toga e ficar lendo o Código Penal”.

O ex-presidente prosseguiu afirmando que o ministro da Justiça e Segurança Pública deveria se expor ao debate. “Eu, por exemplo, adoraria se sair daqui e fazer um debate com Moro sobre os crimes que eu cometi”, acentuou. “Não acredito que Moro durma com a consciência tranquila; não tenho ódio, tenho muita tranquilidade.”

“Esse apartamento, esse maldito apartamento, para ser meu, tem que ter um contrato, documento, pagamento. A única coisa que me interessa é a minha inocência e eu vou brigar até o últimos dias da minha vida para prová-la”, disse.

Corrupção
Para Lula, a corrupção não tem um peso “a ponto de atrapalhar o crescimento da economia no Brasil”. O ex-presidente afirmou acreditar que o que atrapalha o desenvolvimento é o fato de o País “nunca ter pensado efetivamente em se desenvolver”. “O Brasil se contentou em ser o que é, um país para 35 milhões, e o restante que seja número estatístico.”

O ex-presidente acrescentou também que vai “brigar” para que os “setores progressistas” da sociedade voltem a governar o País. “Não é possível a gente conviver com uma quantidade de mentira que nós estamos convivendo.”

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