Petraglia enfrenta o sistema

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Revista Ideias

Longe dos holofotes da grande mídia, Petraglia quer fazer do Athletico um dos maiores times do Brasil. Para isso, bate de frente com os gigantes do futebol. Ideias disseca a gestão de Mario Celso Petraglia e explica de que forma o dirigente quer levar o Furacão ao topo.

Ambição, rebeldia ou inovação: o que é mais importante para mudar o patamar de um clube de futebol? Para Mario Celso Petraglia, os três. Desde que assumiu o comando do Athletico Paranaense, Petraglia tomou para si uma missão que para muitos era impossível. Queria transformar o Athletico em um dos grandes protagonistas do futebol nacional.

Um projeto de expansão que no início pareceu megalomaníaco e inviável. Em 1995, na segunda divisão do futebol brasileiro, endividado, com um patrimônio sucateado, o clube estava fadado ao ostracismo, à época, muito distante do já campeão brasileiro Coritiba (1985) e do recém-fundado Paraná Clube (1989) e seu milionário patrimônio.

Petraglia decidiu entrar em cena em 1995. Desde o começo daquele ano, já existia a vontade de transformar o clube. As articulações já estavam em curso. Mas a gota d’água e grande oportunidade vieram após um vexame em campo. No domingo de páscoa daquele ano, o Athletico sofreu acachapante derrota para o Coritiba. 5 a 1.

Carneiro Neto, que narrou a partida das cabines do Couto Pereira, relembra o movimento de Petraglia: “Eu lembro pouco do jogo em si, afinal transmiti mais de cem Atletibas nos meus 35 anos como narrador. O time do Atlético era muito ruim. O que mais marcou foi o fato de na segunda-feira o Petraglia ter me telefonado pedindo para indicar um nome para mudar a história do Atlético. Pedi tempo e indiquei ele mesmo. Dali em diante mudou tudo e eu tive o prazer de ajudar com espírito livre e só interessado em mudar a história. O Petraglia foi genial nos cinco primeiros anos da reconstrução do Furacão. O resto é história”, disse ao UOL.

Autor de uma biografia que se confunde com a história do Athletico, Mario Celso Petraglia gosta de dividir essa revolução em três etapas. Vamos à versão oficial e preferida do presidente do Conselho Deliberativo:

As três ondas da transformação:

1995–2004: Profissionalização

No início, um clube com uma dívida incontrolável e no 36º lugar do ranking da CBF. Logo no primeiro ano, título do Campeonato Brasileiro da Série B e consequente acesso à Série A do Brasileirão. Etapa fundamentalmente de recuperação financeira do clube – em grande parte, conquistada com a venda do atacante Lucas para o futebol francês (até hoje, uma das principais negociações do futebol brasileiro).

Saúde fiscal que permitiu a demolição do antigo estádio e construção da primeira Arena do país, inaugurada em 1999. Também foi possível o CT do Caju, referência em infraestrutura que virou um celeiro de craques nas décadas seguintes. Em campo, o ponto alto deste ciclo foi o título do Brasileirão de 2001.

2005–2014: Expansão

Petraglia não responde por 100% desta fase. Deixa claro: é um período “Interregno durante os 3 anos da administração ‘+ Chuteiras 2009-2011’ (nome do grupo político que comandou o clube neste triênio). Mario Celso Petraglia volta ao Athletico em 2012, com o clube na Série B. Também neste período, nos bastidores da realização da Copa do Mundo, Petraglia foi ferrenho na luta que ele descreve como “não entregar a Baixada às empreiteiras”. A ideia era dominante no conselho e entre os opositores. O tempo é o senhor da razão. Hoje o dirigente vê a Baixada distante de escândalos enquanto a maioria das arenas que receberam a Copa estão na mira da Lava Jato.

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