JMK deve R$ 700 mil para ex-sócio que investiu R$ 1,1 milhão e não lucrou nada

72402645_2807230452633885_7951967361102249984_n

Interrogado nesta terça-feira (8) pela CPI da JMK da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), o sócio que assinou o contrato para gestão da frota do Governo do Paraná em janeiro de 2015 declarou que se considera lesado pela empresa e seus verdadeiros donos, Aldo Marchini Junior e Jairo Cezar Vernalha Guimarães. “A JMK não perdoou nem os amigos. O Guilherme entrou como sócio investidor, acreditando no trabalho da JMK, mas é um dos vários lesados devido às fraudes cometidas na execução do contrato com o Governo do Estado”, avaliou o presidente da CPI, deputado estadual Soldado Fruet (PROS).

Guilherme Votroba Borges relatou que Aldo era cliente da empresa de contabilidade da família e o estimulou a ingressar no ramo de gestão de frota. Em fevereiro de 2014, adquiriu 100% do capital da JMK através da empresa Bibal, de sua propriedade. Ele revelou que investiu R$ 1,1 milhão na implantação do negócio, mas sem obter retorno financeiro e sem perspectiva de renovação do contrato, em outubro do mesmo ano acertou com Aldo e Jairo a venda de suas cotas para outra empresa, por R$ 1,3 milhão. Guilherme disse que recebeu cerca de R$ 400 mil e aceitou um sobrado na negociação. “Ainda tenho R$ 700 mil a receber, fora juros e correção”, contou.

“Entrei como sócio investidor, eu não participava da gestão, não tinha função na empresa, não recebia salário, pro labore ou dividendos, nunca participei de nenhuma reunião com representantes do Estado, apenas uma vez, logo após assinar o contrato, que me apresentei como sócio com o Aldo”, afirmou o ex-sócio. Mesmo confirmando que Aldo era seu contratado como administrador da empresa e que Aldo e Jairo tratavam dos detalhes do contrato com o governo, Guilherme negou ser laranja. “Como que o Estado fazia reuniões com representantes da JMK e o dono no papel nunca participava? As negociações para acertar questões do contrato eram feitas com sócios ocultos”, apontou o Soldado Fruet.

Guilherme confirmou ainda que tinha conhecimento do comissionamento de 10 a 15% que a JMK cobrava das oficinas, apesar do contrato com o governo vedar a prática e estipular R$ 0,10 de remuneração mensal por veículo consertado. O ex-sócio admitiu que o valor era irrisório, mas explicou que, em consulta a escritórios jurídicos, a cobrança da taxa administrativa foi considerada uma prática de mercado. Conforme o Soldado Fruet, a CPI já detectou crimes de improbidade administrativa. “Já que a moda é PPP (Parceria Público-Privada), o governo tem que investir mais na fiscalização dos contratos com empresas privadas para que não ocorra mais outro caso como o da JMK”, frisou o presidente.

CALADA – A gerente financeira da JMK Andreia Peres da Silva compareceu à CPI com uma liminar que lhe garantia o direito de permanecer em silêncio e desobrigando-a de assinar o termo de compromisso de dizer a verdade. “Fui indiciada pela polícia, por este motivo vou permanecer em silêncio”, limitou-se a dizer. Mesmo assim, o Soldado Fruet fez seus questionamentos, como, por exemplo o motivo de a empresa destinar recursos da conta onde recebia os repasses do Estado para pagar prestações de veículos de luxo dos proprietários ao invés de quitar as dívidas com as oficinas. Ela preferiu ficar calada.

Compartilhe