O deputado estadual Soldado Fruet (PROS) participou nesta terça-feira (26) da audiência pública sobre a saúde mental dos trabalhadores da segurança pública, no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), e cobrou do Governo do Estado uma política pública para a área. O Soldado Fruet foi parceiro do evento, proposto pelo deputado Goura e apoiado também pelo Delegado Recalcatti.
“Nós não temos uma política pública que trate da saúde mental dos policiais”, destacou o deputado do PROS. Segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária (SESP) divulgados na audiência, entre 2014 e 2019 foram contabilizados 41 suicídios na Polícia Militar, oito na Polícia Civil e dois no Departamento Penitenciário (Depen). “É muito triste a realidade da PM. É culpa dos políticos, pois há tempos ocorrem esses problemas e ninguém toma providências”, afirmou o Soldado Fruet.
O parlamentar relembrou dos 17 anos que foi soldado da PM. “Os policiais militares aprendem muito nos dez meses de escola, mas na rua a realidade é outra. Medo de errar é o que passa na cabeça do soldado: medo de entrar em confronto e morrer, de matar ou prender um inocente”, observou. Segundo o Soldado Fruet, os policiais são ensinados a defenderem a sociedade e a serem informais nas ocorrências. “Mas o soldado é humano, não é um robô, então assimila as dores do povo”, pontuou.
“Muitos PMs conseguem assimilar e tocam o bonde, mas muitos, como demonstram os números, não conseguem assimilar isso e entram nas drogas, no alcoolismo, se separam, ou até tiram a vida, pois você leva esses problemas para casa”, comentou. O Soldado Fruet salientou que em Curitiba a PM ainda conta com alguns especialistas em saúde mental, mas no interior do Estado não há uma estrutura formal.
Na avaliação do Soldado Fruet, o governo é culpado por essa situação preocupante da saúde mental dos profissionais de segurança. “O Rio Grande do Sul enxergou isso e fez uma política pública em 2002, Alagoas também fez. No Paraná, entra e sai governo e não nos acrescentam em nada. Pelo contrário, parece que o servidor público só tem dois direitos: um é não ter direito; e o segundo, não abusar deste primeiro”, ironizou.
PROMESSAS – Também presente na audiência, o assessor de planejamento estratégico da SESP, João Alfredo Zampieri, disse que a questão da saúde mental dos agentes de segurança pública é prioridade para o governo. Prometeu contratar no início de 2020, via Processo Seletivo Simplificado (PSS), 82 profissionais (57 psicólogos, 12 assistentes sociais e 13 médicos psiquiatras ou especialistas em saúde mental). Zampieri revelou ainda que está em fase final de discussão interna a política de saúde mental que o Estado encaminhará em breve à ALEP.