Sem a presença da ala ideológica, reunião do PSL em SP traçou estratégias para as disputas municipais e marcou aproximação de Júnior Bozzella com a bancada estadual
Escanteados por Luciano Bivar por terem ficado ao lado do presidente Jair Bolsonaro na ruptura entre os dois, os deputados federais da ala bolsonarista do PSL começam 2020 completamente fora do planejamento eleitoral do partido.
Na última quarta-feira (29), parlamentares ligados a Bivar se reuniram na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para traçar estratégias e parcerias no estado. Os bolsonaristas ficaram de fora — e ainda não traçaram um plano comum para as disputas municipais.
O encontro foi convocado por Janaina Paschoal e contou com a presença dos deputados federais Júnior Bozzella e Coronel Tadeu e dos estaduais Castello Branco, Leticia Aguiar, Coronel Nishikawa, Rodrigo Gambale e Tenente Nascimento, além de diversas lideranças locais e pré-candidatos.
Nascimento é o mais cotado para assumir a liderança do PSL na Casa a partir de março — movimento que deve dar ainda mais predominância ao grupo de Bivar. O atual líder, Gil Diniz, é braço direito de Eduardo Bolsonaro em São Paulo.
Um dos motivos da reunião foi a demanda da bancada estadual por maior aproximação com a presidência da sigla em São Paulo, disseram os deputados presentes. Segundo Tenente Nascimento, Eduardo Bolsonaro, que foi sucedido por Júnior Bozzella no comando do diretório, estava “um pouco distante” das pautas dos correligionários na Alesp.
Alçado como porta-voz informal do PSL no Congresso, Bozzella agora tenta unificar o que “sobrou” do PSL e fortalecer alianças. Além da demanda por uma melhor interlocução, a disputa eleitoral que se avizinha entrou na pauta.
“A solicitação foi de que os deputados federais fizessem composição com os estaduais para ajudar nas campanhas pelo estado. Afinal, são os primos ricos, né? Vai ser dada uma preferência para concorrerem às prefeituras os candidatos que já tenham uma base na sua região. Fica mais fácil montar as comissões provisórias e alianças. É importante fazermos muitos vereadores nas grandes cidades, porque isso dá uma amplitude para o partido”, declarou o deputado estadual.
Suspensa de suas funções em razão do que o PSL chama de “ataques ao partido”, a deputada federal Carla Zambelli afirmou que pretende apoiar diversos candidatos pelo Brasil, mesmo sem suporte da sua legenda. Ela disse que vai apoiar os candidatos que concorram pelo Aliança pelo Brasil se o registro da sigla vier a ser aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a tempo.
“Se não der para ser pelo Aliança, já procuramos outros partidos que possam nos representar, como Patriota, PRTB, Republicanos. Em alguns outros locais, talvez tenhamos algum partido diferente, como o Podemos. Eu tenho um irmão, o Bruno Zambelli, que vai sair candidato a vereador em São Paulo pelo Patriota, por exemplo. Acredito que meus colegas estejam indo na mesma toada”, afirmou Zambelli.
Outro expoente da ala ideológica, o deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança discorda da estratégia da colega. Para ele, todos os esforços devem ser concentrados em erguer o Aliança pelo Brasil e não há motivos para apoiar candidatos de outros partidos.
E se o novo partido de Jair Bolsonaro não se viabilizar, ele afirmou que se manterá “longe da disputa”.
“O gargalo agora é a criação de um novo partido. Sem ultrapassar esse gargalo, não há como a gente avançar de uma maneira razoável. Dar apoio agora a qualquer outro partido é uma ideia muito prematura. Não acho correto. O Aliança ainda está em constituição. Uma vez constituído, vai ser um partido forte. Não há por que fazer uma parceria com outros partidos”, declarou.
Na base, no entanto, o pragmatismo já supera o discurso otimista. Sem o PSL, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro que pretendem se candidatar não sabem o que fazer e tampouco esperam contar com o Aliança pelo Brasil para se filiar. Cada um mantém sua própria estratégia.
Há militantes que, antes convictos em concorrer às Câmaras Municipais e prefeituras pelo país para defender o legado de Bolsonaro, agora receiam a empreitada. Alguns deles temem se filiar ou voltar ao PSL para disputar a eleição, com medo de represália da militância bolsonarista, que vê a legenda como traidora.
Interessados na empreitada ouvidos pela ÉPOCA citaram os mesmos partidos mencionados por Zambelli para uma possível filiação, além do DC (Democracia Cristã). Sem orientação ou alguma liderança que aglutine esse apoio bolsonarista, eles terão uma eleição de “cada um por si”.
Informações são da ÉPOCA