Bolsonaro pretende se filiar a um partido que lhe dê o controle do dinheiro e das principais indicações nos estados-chaves da próxima eleição. Isso está tornando o seu vínculo partidário muito difícil.
Foi por isso que ele tentou criar o Aliança, mas fracassou na hora de conseguir o número de adesões necessário.
Bolsonaro já negociou a sua filiação com pelo menos nove partidos, mas até agora não fechou com ninguém. O presidente já soma 22 meses sem filiação. E ele precisa um vínculo até o fim de março de 2022, seis meses antes da eleição, caso pretenda disputar a reeleição ou qualquer outro cargo.
Pelo jeito está longe a data desta assinatura. O último aceno estava marcado para o dia 22 de novembro. Ele chegou a anunciar a entrada no Partido Liberal. Mas domingo passado acabou se desentendendo com o presidente e cancelou o ato de filiação.
Jair Bolsonaro não tem pressa! Sua governabilidade está garantida, aparentemente, até o final do mandato. O que pesa nisso tudo é a união entre militares e Centrão.
Bolsonaro não se cansa em afagar seu antigo vínculo e agradar os amigos. Ministros e aliados já foram condecorados ao menos 115 vezes desde que Bolsonaro entrou no Palácio do Planalto. Entre os agraciados, Damares Alves, Paulo Guedes e Carlos Wizard.
O único senão no processo é o descontrole econômico. Se isso acontecer, nem militares, nem cristãos e muito menos o Centrão vão salvar sua pele.
Na questão partidária, recentemente, numa entrevista para a Revista Veja, disse que vai ficar entre PP, PL ou Republicanos. O PTB também é uma possibilidade.
Mas sendo Bolsonaro como ele é, pode acontecer e tudo até uma volta ao Progressistas, onde há grande bases do governo. O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, o presidente da Câmara, Arthur Lira estão todos lá. Bolsonaro foi filiado por mais de dez anos. Mas há resistências em alguns diretórios estaduais ao nome dele. Há no Progressistas até que pretende apoiar a candidatura de Lula, principal adversário de Bolsonaro.
A questão partidária tem sido uma pedra no sapato do presidente. É neste ponto que está evidente toda a sua incapacidade, alimentada por anos de insignificância e rachadinhas.
No episódio do PL, novamente questões regionais barraram um acordo. Bolsonaro quer companheiros atacando Lula no Nordeste e Doria em São Paulo. Mas o PL pode apoiar a candidatura de Rodrigo Garcia (PSDB) ao governo estadual. O diretório de Pernambuco pode se unir ao PT. Nem os filhos ajudam Bolsonaro nesta hora. Houve o racha entre Carlos e Flávio, além da resistência do bolsonarismo para conseguir um partido.
Oxalá até março ele encontre a paz e consiga formalizar seu vínculo e futura candidatura, senão terá novamente que alugar uma sigla qualquer para não perder a oportunidade de concorrer novamente.