O governo está encantado consigo mesmo e joga confete em tudo que faz!
Na semana passada dirigindo-se ao ministro Fernando Haddad, em mais um dos discursos improvisados , Lula disse: “Vamos desenrolar, pelo amor de Deus”, referindo-se a um programa que vai permitir a renegociação das dívidas de 37 milhões de pessoas que, segundo a estimativa oficial, estão com o crédito sujo.
Mais uma promessa de campanha, fora o Picanha e cervejinha que não sai do papel e ganhou um nome de Desenrola. Até que a ideia dos marqueteiros foi boa para dar uma fachada em mais um “enrolation” que não decola. Na realidade o que não falta neste governo é programa, mas a falta de ação é que mais marca nestes 110 dias de desgoverno.
Em fevereiro, Haddad informou que ele seria anunciado logo. Há dias o ministro revelou que “estamos com um problema operacional, que é fazer o software para o credor encontrar o devedor”. À parte o fato de que o credor quase sempre sabe onde está o devedor, essa explicação parece insuficiente. Certo mesmo é que o simples anúncio da ideia estimulou o calote de quem prefere esperar o alívio.
Há vários dias o governo promete uma nova âncora fiscal e uma reforma tributária e como diz Delfim Neto tudo funcionando na lógica de uma quitanda, quer reformular a lista de fornecedores e refazer o cálculo dos preços que cobra.
Na última segunda-feira (10), quando Lula pediu a Haddad que desenrole o Desenrola, a íntegra de sua fala foi logo distribuída como se fosse à maior descoberta de um governo que não decola com tantas promessas na bagagem de um avião que não passa de um teco-teco. Como o pedido veio num momento de improviso mais uma vez desarmou toda equipe que estava em volta para apenas bater palma na hora em que o chefe terminasse um discurso que não levava nada a lugar nenhum.
Encantado com sua própria voz, Lula repetiu roucamente com aquele grito esfuziante que “o Brasil voltou”. De fato, o país vive novos tempos, mas por serem novos não são necessariamente eficientes e cada vez mais frustrantes a toda população que votou no PT e ansiava por melhores dias.
É nos improvisos de Lula que estão às surpresas segundo o artigo de Elio Gaspari da Folha de São Paulo. Para completar os improvisos citou o caso de uma empresa que está se instalando perto do aeroporto de Brasília, podendo vir a congestionar o trânsito de caminhões. Dirigindo-se ao ministro Márcio França, de Portos e Aeroportos, pediu: “É importante que essa empresa habilmente seja convidada a procurar outro trajeto”. Como? França manda nos aeroportos, quem manda na empresa é o empresário, e na malha de Brasília manda o governador do Distrito Federal.
O que se vê basicamente em todos os lances do presidente é que Lula fica à vontade quando volta a reclamar da taxa de juros. Essa é sua zona de conforto desde os primeiros dias. Afinal, a Selic é fixada pelo Banco Central e ele é autônomo. Em 2003, durante os seis primeiros meses de seu primeiro governo, o Banco Central não tinha autonomia legal e a Selic ficou acima dos 25%. Naquele ano, a taxa média do juro real foi de 13%. Bem acima dos 8% de hoje.
Seria um exagero dizer que o governo não tem rumo. Ele o tem e, pelas intenções, até parece ser bom, mas pelos nomeados nos cargos das estatais e nas cabeceiras dos ministérios logo teremos novidades que não irão agradar os brasileiros.
O problema de Lula está no seu excesso de confiança em suas promessas. Lula, em particular, investiu-se de uma autoridade imperial. Dirige-se aos ministros em reuniões públicas como um mestre-escola. Afinal, uma empresa instalando-se perto do aeroporto de Brasília não é assunto para uma reunião com 37 ministros. Essa postura serve para enrolar quem acredita na boa intenção do presidente e se convence de que os problemas estão no funcionamento da máquina.
Para se ter uma ideia no dia 02 de março, o ministro Renan Filho garantiu a liberação ao governador Ratinho Jr. de algumas concessões, mas no dia seguinte cancelou evento que já estava programado para a liberação do leilão de 2 lotes de estradas do Paraná. Uma suspeita intervenção de Arilson Chiorato e Gleisi Hoffmann teria sido arquitetada para que não ocorresse a liberação.Até agora nada!!!!!!!!!!!!
O programa Desenrola é uma boa ideia. A enrolação veio do próprio governo, anunciando prazos irreais na análise do colunista da Folha de S.Paulo.
CAI O FINANCIAMENTO DE CARROS: A DESCULPA É NA SELIC!
A manutenção da taxa Selic pelo Banco Central é apenas uma parte do script de um cenário temeroso pelos próximos meses. Essa gritaria de Lula sobre a taxa de juro que pode frear o crescimento do Brasil é jogo para a plateia. Fato é que a conta da pandemia da Covid-19 chegou. O Brasil está endividado (mais de 65% da população ativa) e quase metade deles inadimplentes. A constatação entre portas dos banqueiros é de que o crédito facilitado nos dois anos da pandemia criou um problema maior. O mercado não reaqueceu a tempo de o boleto aparecer na mesa do cidadão. Bancos seguram o crédito para a bolha não estourar. Sinais aparecem na praça, como o pedido de recuperação de grandes empresas e o recuo forte da venda de carros no 1º bimestre. Só no Paraná, bom mercado de automóveis, houve queda de 40% nos financiamentos de dois bancos em um levantamento apresentado na coluna de Leandro Mazzini.
BANCADA PETISTA FAZ O CORO NO ALEP

Sem muito que fazer a bancada estadual na Assembleia Legislativa faz o jogo do presidente Lula (PT). Agarra-se nos discursos de improviso do presidente na tentativa de repercutir no Paraná a idéia de que o governo está fazendo vôo de brigadeiro em todo o país. Arilson Chiorato faz o estilo de “quanto pior é o melhor” na tentativa de arrastar ainda mais a liberação das concessões das rodovias do estado.Os outros deputados seguem a mesma ladainha como vaquinhas de presépio concordando com os discursos entre eles pedindo “à partes” para enaltecer um governo que se arrasta em terminar obras do governo antigo.
O problema de se criar cada vez mais casos com relação ao pedágio, o setor produtivo, turismo e emprego sofre a cada dia com prejuízos enormes que ainda não tem data para terminar.Toda semana surgem notícias de que os processos de concessão de dois lotes estariam para ser liberados na bolsa de valores, mas de concreto nada se realiza.