A decadência está miseravelmente estampada na cena do ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL) frente a sua mansão em Brasília tendo que explicar sobre fraudes em cartão de vacinas. Ou seja, de fraude em vacinação até as famosas jóias sauditas. Bolsonaro com tantos deslizes no final de governo, até mesmo a fuga para os Estados Unidos, deixou seus eleitores com o famoso pincel na mão. Situações difíceis até para os defensores nas redes sociais que tentam sobreviver com ataques a Lula da Silva (PT), mas as coisas não caminham como o Partido Liberal realmente queria no ano de 2023.
A idéia do partido de sobreviver com a imagem do mito como Presidente de Honra e angariar prefeitos pelo país nas eleições de 2023 está caindo por terra. A situação não vai ser tão cômoda se imagina e o sonho do presidente do partido Waldemar da Costa Neto de que teria uma valorização começa a desmoronar. A cada semana tem-se um fato novo contra o governo de Jair Bolsonaro, sendo que o próprio Supremo Tribunal Federal faz a sua parte prendendo e soltando os invasores dos atos de 8 de Janeiro nos Três Poderes.
De outro lado as seguidas decadências se destacam quando diversas matérias polêmicas publicadas em toda mídia nacional recaem por coincidência sobre um Mauro Cid, um mordomo da elite presidencial que fazia tudo pelo mito. Agora ele é suspeito de ter atuado também na falsificação dos cartões de vacinação de Bolsonaro e sua família para que realizasse, no final do ano passado, viagem aos Estados Unidos. O lançamento da fraude no sistema Conecte Sus, segundo a GloboNews, ocorreu em 21 de dezembro.
OPERAÇÃO VENIRE
Na quarta-feira (03), o tal de Mauro Cid, considerado como o braço direito do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi preso em operação da Polícia Federal. A chamada “Operação Venire” foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, dentro do inquérito das “milícias digitais” que já tramita no Supremo Tribunal Federal, juntamente com outros cinco ex-assessores preventivamente.Esse assessor esteve sempre ao lado do mito e construiu um histórico de diversas polêmicas e suspeitas nos últimos quatro anos, como pau mandado no mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na lista dos detidos está também o ex-policial militar Max Guilherme, ex-assessor especial de Bolsonaro. O militar fazia parte do mesmo grupo de amigos do ex-policial Fabrício Queiroz, pivô do escândalos das rachadinhas. Max Guilherme também foi um dos seguranças que acompanhou o ex-presidente durante sua fuga aos Estados Unidos.Também foi preso nesta quarta o ex-assessor e segurança do ex-capitão, Sérgio Cordeiro, que esteve na mesma comitiva de Bolsonaro na viagem. Ele ficou conhecido por ceder sua casa para as lives do então candidato à reeleição durante a campanha eleitoral. A lista de detidos inclui ainda o secretário de governo de Duque de Caxias (RJ), o ex-ajudante de ordens, Luis Marcos dos Reis e o candidato a deputado estadual pelo PL no Rio de Janeiro, em 2022, Ailton Moraes Barros.
QUEM É MAURO CID
Muito próximo da família Bolsonaro, Mauro Cid é filho de um ex-amigo do ex-presidente, o general da reserva Mauro Cesar Lourena Cid, que cursou com Jair Bolsonaro a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), na década de 1970. Formado em 2000 na mesma instituição, com mais de 20 anos de Exército, Mauro Cid foi alçado ao posto de tenente-coronel pouco antes da posse do amigo do pai, em 2019. Ele se preparava para avançar na carreira militar quando, após a eleição, desistiu de assumir uma função nos Estados Unidos, para aceitar o convite de ser ajudante de ordens do futuro presidente. Segundo o site Metrópole, a atuação do assessor presidencial ganhou o primeiro grande “destaque” após o jornal O Estado de S. Paulo revelar conversas dele no WhatsApp com o blogueiro Allan dos Santos, do Terça Livre, investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito dos atos antidemocráticos.A descoberta conectou diretamente o gabinete do então presidente às manifestações contra o Supremo, o Congresso e em defesa da ditadura no país, estimuladas pelo próprio Bolsonaro. Em outubro de 2021, Mauro Cid também foi indiciado pela PF por produzir e divulgar desinformação ao associar, erroneamente, a vacina contra a covid-19 ao vírus HIV em uma das lives semanais de Bolsonaro.
MAIS POLÊMICAS DO FAZ TUDO
Considerado um faz-tudo do ex-presidente, o tenente-coronel também foi alvo de investigação federal que apurava se ele operava uma espécie de caixa 2 no gabinete do Palácio do Planalto. De acordo com informações do site Metrópoles, Mauro Cid é suspeito de coordenar desvios de dinheiro vivo e até saques de recursos dos cartões corporativos. Entre as contas pagas pelo ajudante de ordens, estariam faturas de um cartão de crédito usado pela ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, mas emitido em nome de uma amiga dela, Rosimary Cardoso Cordeiro. Atualmente ela é funcionária do Senado lotada no gabinete do senador Roberto Rocha (PTB-MA), mas já foi assessora de deputados na Câmara. Mauro Cid também está envolvido no caso da apropriação ilegal pelo primeiro casal das jóias presenteadas pelo governo da Arábia Saudita. Ele foi o primeiro a ser escalado para resgatar pessoalmente as peças do primeiro conjunto recebido, avaliadas em R$ 16,5 milhões, que ficaram retidas na alfândega de São Paulo.