Faltando um ano para a eleição municipal, que vai eleger, ou reeleger, um novo prefeito nos municípios brasileiros, as conversas entre os partidos e os políticos que pretendem candidatar-se em 2024 vão se aprofundando. Em Cascavel, os nomes estão colocados, sem grandes perspectivas de novidades na disputa.
A situação mais indefinida em relação à escolha do candidato é do PR- Partido Republicanos, que tem em Cascavel dois nomes muito fortes que disputam a indicação.
O vice-prefeito Renato Silva, empresário tradicional, figura sempre presente nas disputas, que foi candidato a deputado federal por duas vezes, geralmente faz boa votação em Cascavel, mas não consegue a eleição, diretamente, pela baixa votação em outros municípios. Candidato a prefeito em outras duas eleições, também não conseguiu sucesso, mas sempre obteve votações razoáveis.
Tem o apoio, até o momento, do prefeito Leonaldo Paranhos, que as pesquisas indicam ter uma boa possibilidade de transferência de votos.
O outro nome, muito forte, é do Márcio Pacheco, que exerce o terceiro mandato consecutivo de deputado estadual, após ser vereador, presidente da Câmara, dono de um forte eleitorado cativo, que é avaliado como um deputado importante, de resultados, sem mácula na sua trajetória de homem público.
Na prefeitura, a vitória do Renato dentro do partido é considerada certa, mas quem conhece os desdobramentos e os bastidores da política acreditam que a coisa não é bem assim.
Márcio Pacheco é deputado estadual de ótimas e crescentes votações, apóia de forma muito leal o governador Ratinho Jr., e foi levado ao Republicanos pelo presidente estadual, Valdemar Bernardo Jorge, que é secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, amigo pessoal do governador.
Alguns dados que não são oficialmente confirmados, mas que considero importantes nesta disputa do Republicanos, para compreensão dos fatos:
1-Não é das melhores a relação pessoal do Ratinho com o Paranhos;
2-O candidato do coração do Ratinho não é, hoje, nem Renato nem Pacheco, é o Gugu Bueno. Porém, de forma alguma o Ratinho vai desprezar, hostilizar ou considerar o Márcio Pacheco como seu adversário. Nem o Renato, obviamente, mas o Pacheco é mais próximo do governo. Cito isso porque é claro que a decisão final, nessa disputa interna do PR, é do presidente estadual Valdemar Jorge, que vai jogar o jogo do governador;
3-É possível que os dois adversários no partido sejam candidatos por outras legendas. O Renato porque pode mudar de partido no momento que desejar, e o Márcio porque, em caso de preferência do diretório estadual pelo Renato, este diretório vai liberar o Márcio para disputar por outro partido, sem perda de mandato. O contrário seria uma cafajestice, que a biografia do Valdemar Jorge não comporta e o Márcio, pela lealdade, não merece;
4-Sem um acordo entre os dois nomes, a candidatura do Edgar Bueno, hoje um nome certo no segundo turno, pelos números mostrados em todas as pesquisas, ficaria ainda mais forte;
5-Essas mesmas pesquisas mostram que o Márcio, neste momento, tem mais votos que o Renato.
SUPER MUFFATO E OS SELINHOS
Faz alguns anos que o departamento de marketing do grupo Super Muffato é um dos mais agressivos do mercado, sendo um dos maiores anunciantes do estado. Uma das estratégias de maior sucesso do Super Muffato é a distribuição de prêmios a cada compra que atinge um determinado valor. O consumidor, no caixa, recebe selinhos, que acumulados dão direito a utensílios bem escolhidos, de valores significativos, que caíram no gosto das famílias paranaenses. Em Cascavel, sede do grupo, não existem residências sem uma grande quantidade de pratos, travessas, panelas, talheres e tudo o mais que é utilizado numa cozinha, recebidos como brindes, da empresa. Pra melhorar e pra agradar mais o cliente, os produtos são importados, chiques, caros e úteis. Ao contrário dos concorrentes, que eventualmente promovem sorteios de um único bem, de valor maior, como um carro, com apenas um ganhador, os compradores do Super Muffato não precisam de sorteio, ganhando com certeza o prêmio a cada valor acumulado, preestipulado.
Tanto o grupo do Super Muffato, dos “Muffatinhos”, com seus selinhos, como o do concorrente Muffatão, do Pedro, sem selinhos, fazem muito bem a Cascavel e ao Paraná. Pessoas sérias, que têm no trabalho, na geração de renda e empregos, a sua missão principal, cumprida com extrema correção. Sou muito fã desse pessoal e me orgulho da nossa relação de amizade que nasceu há mais de 50 anos.
HOSPITAL SÃO LUCAS
Na semana passada foi inaugurado o centro cirúrgico do Hospital São Lucas, em Cascavel, com tudo que existe de mais moderno na tecnologia mundial para o setor. São dezenas de salas com equipamento de Primeiro Mundo. O centro leva o nome do Dr. Francisco Souza, um dos médicos que fundaram o São Lucas, com a esposa também médica, Aparecida de Cicco Souza, e o meu estimado amigo Jadir de Mattos.
Depois de décadas de bons serviços à população do Oeste do Paraná, os sócios Francisco e Jadir aceitaram vender a instituição para a FAG, da família Gurgacz, o que possibilitou investimentos milionários ao hospital.
Há muitos meses o José Antonio Ferreira, membro da família que ficou encarregado da construção do “novo” hospital, trabalha praticamente 24 horas por dia para a conclusão das obras, num dos mais arrojados projetos da área de saúde do interior do país. Em breve, essa modernização do São Lucas deverá estar concluída, presenteando o Oeste do Paraná com um hospital de altíssimo nível.
A inauguração do Centro Cirúrgico não teve festa convencional: foi comemorada com uma cirurgia, como milhares de outras no passado, comandada pelo homenageado, o próprio Dr. Chico Souza, com a maestria de sempre. Já escrevi antes, repito agora: existem algumas obras que parecem abençoadas. O São Lucas é uma delas. São 62 anos de história de curas, de competência e de respeito aos milhares (e põe milhares nisso) de pacientes que lá foram atendidos.
CASCAVEL: SAUDADE DO BETO RICHA
O estranho déficit financeiro do município de Cascavel, que pretende vender praticamente todas as áreas disponíveis para futuras obras, e que foram reservadas para essa finalidade pelos prefeitos que antecederam o Paranhos, pegou a todos de surpresa. Em nenhum momento dos últimos sete anos se noticiou qualquer dificuldade financeira no caixa da prefeitura.
É bom lembrar que Paranhos recebeu a prefeitura do Edgar Bueno com mais de R$ 100 milhões em caixa, contas em dia, e o dinheiro das obras do BID, que mudaram a cara da cidade e trouxeram popularidade ao Paranhos, estava contratado e disponível para liberação na medida em que as obras fossem sendo executadas. A festa da publicidade, quem sabe, fez a mídia esconder um aperto nas contas, causado certamente pela má gestão, porque para pagamento das poucas obras próprias dessa administração é que não se gastou tanto dinheiro. Centenas de cabos eleitorais, uma parte deles nomeados pelos vereadores acabrestados, com altos salários, incompatíveis com a sua capacidade, somados vão gerando uma despesa que exaure as finanças de qualquer prefeitura. Seis anos e meio de desperdício não passam impunemente.
Tem muitas coisas estranhas nessa tentativa de vender um patrimônio tão valioso, às pressas. Uma lei aprovada para aumentar de forma absurda e suspeita o perímetro urbano em mais de 50% da área anterior, feita em seis décadas, trouxe embutidas, quase nas entrelinhas, autorizações esdrúxulas, como a possibilidade de venda de patrimônio público “não utilizados após cinco anos”.
Outro motivo de suspeição: se o aperto é de tal monta que precisa vender os bens do povo, que se valorizam a cada dia em Cascavel, porque não se contrata um empréstimo, que a Fomento Paraná disponibiliza com juros subsidiados a qualquer prefeitura? Ou não se pede uma verba a fundo perdido com o governo supostamente amigo, do Ratinho Jr.? Será que 30 Milhões de reais, pretendidos pela prefeitura com a venda dos terrenos, seriam muito pesados para o governo estadual, com 18 bilhões de reais aplicados nos bancos? Com todo o imposto que Cascavel paga, a cada 30 dias?
Por isso, amigos, o título desta nota: saudade do Beto Richa.
No passado, o prefeito queria comprar o Hospital Santa Catarina, que sempre foi útil e mudou para essencial na pandemia? O Beto Richa mandava pagar. O prefeito queria construir a Avenida Tito Muffato, o Beto Richa pagava. O prefeito pedia um aumento nos leitos do HU, o Beto Richa pagava. Ala de queimados? O Beto pagava. Helicópteros para salvar vidas, sediado aqui? O Beto Richa mandava. O prefeito queria inaugurar uma clínica moderna, para apoiar os dependentes químicos, mas que tinha um custo de 400.000 reais mensais, que pesaria demais na prefeitura? O Beto Richa pagava.
Beto fez votação pífia em Cascavel, se levarmos em consideração tudo que seu governo realizou aqui.
Nosso povo pelo jeito não anda com a memória muito em dia. Efeito da Covid, talvez.