O mundo está estarrecido com o caso do relógio que o Bolsonaro ganhou na Arábia Saudita, mas não era bem para ele. Era para todos nós.
A situação é muito diferente daquele relógio vagabundo que o Lula ganhou do Chirac, e usa no pulso esquerdo, o mesmo da perda do dedo mindinho que o incapacitou para o trabalho, para coçar a orelha e até para lavar o rosto, segundo declarou em entrevista ao Jô Soares.
Naquele tempo do relógio do Jacques Chirac, os presentes eram para a pessoa do presidente, não para todos nós. Lula quase quebrou com o aluguel de um armazém para guardar os onze contêineres cheios de presentes que foi obrigado, contra a sua vontade, a levar para casa.
A diferença do relógio do Lula para o Rolex Day-Date do Bolsonaro, lançado em 1959 – que poderia permitir que o Mito mergulhasse até 100 metros de profundidade para escapar do Alexandre de Moraes e seus colegas de alto nível do STF – é que foi feita uma lei, em 2016, estabelecendo que pertenceriam à autoridade presenteada apenas os itens de uso personalíssimo. Um relógio, sabemos todos, não é pessoal, é para ser usado um tempinho no pulso de cada brasileiro. Com os colares de diamantes a mesma coisa: os turcos deram para pendurar na ponta da bandeira do STF, não no pescoço da Michele, e assim por diante.
O que mais causou indignação foi o preço do Rolex. Os sites, de acordo com o grau de radicalização de cada redator, oscilam esse valor entre 57 mil reais e 302.000 mil reais.
O IMPACTO, num esforço jornalístico e financeiro enorme, foi ouvir pessoas em muitos locais, para informar o tamanho da repercussão do caso, que chocou o mundo. Tomamos o cuidado de ouvir apenas pessoas de reputação ilibada, cujo conceito ninguém questiona. Leia as suas opiniões:
VERA MAGALHÃES: a mais séria das jornalistas da Globo disse: é inacreditável que um presidente, eleito com mais de 50 milhões de votos, tire uma fortuna dessas da educação e da saúde.
JANJA: Não consigo nem imaginar como a coitada da Michele convive com um cara que desvia um valor desses, que daria para comprar seis jogos de sofás de couro legítimo.
LULA: Eu avisei na campanha que cargos públicos devem ser ocupados apenas por pessoas que respeitam cada centavo do dinheiro do povo. Hoje um relógio, amanhã um sítio, quando a gente vê está saqueando uma Petrobrás…
BONNER: Quando o povo vota em pessoas que não devem nada à justiça, como o Lula, isso não acontece.
FLÁVIO DINO: Se já estivéssemos no regime comunista, um cara que desvia um valor que daria para construir seis casas populares, já incluída a nossa comissão, seria fuzilado. Infelizmente ainda vamos demorar uns meses para instalar esse regime.
MADURO: O companheiro Dino está certo. Os caras pensam que ficamos com vergonha quando nos chamam de comunistas, mas ficamos orgulhosos. Aqui na Venezuela jamais tivemos esses desvios.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO: É questão de honra apertarmos o cinto, cortarmos gorduras, e arrumarmos o dinheiro para restituir aos pobres da Arábia Saudita, que se sacrificaram para comprar esse Rolex. Vou falar com a Febraban sobre isso.
MIGUEL DIAS-CANEL, atual presidente de Cuba: País que não tem um paredón, está sujeito a roubos. Já conversei a respeito com o camarada Lula.
MIRIAM LEITÃO: Nunca antes na história desse país se desviou um valor desses. Daria para pagar a metade de uma palestra que eu voltei a dar agora que acabou o boicote aos jornalistas honestos.
MINISTRO FACHIN: A culpa é da cúpula militar. Se tivessem cumprido sua obrigação de punir o Bolsonaro no passado, como nós fazemos aqui no Supremo, nada disso aconteceria. Mas preferiram dar uma canetada liberando o cara. E virou presidente. Nunca vi pilantragem igual!
LÉO PINHEIRO, DA OAS: Não é possível aceitar desvios desse porte. Isso aí daria para pagar o condomínio de um tríplex no Guarujá por quase cinco anos!!
PARANHOS: Eu já desconfiava desse cara. Há dez anos, não tinha um tostão furado, e hoje ele e todos os filhos moram num condomínio frente ao mar. Cada filho numa casa! Eu pensava: só com o salário de deputado não dá!! Não precisa conhecer muito para ver quando o cara é ladrão. Basta ver a evolução do seu patrimônio.
MEU AMIGO ELIAS KLAYME
A imprensa do Paraná está mais pobre: na quarta-feira (23), voltou ao Criador o nosso estimado Elias, companheiro de muitas lutas em defesa do Oeste do Paraná.
Elias chegou em Cascavel há muitas décadas, como representante da Gazeta do Povo, já naqueles tempos um dos mais fortes veículos de comunicação do Paraná. Após um longo tempo de Gazeta, arrumou um tempo para dar uma ajuda quando eu e o Joni Varisco nos metemos com o Jornal A Cidade, trabalhando sem salário, e logo fundou seu próprio jornal, A Voz do Paraná, com foco total no desenvolvimento dos municípios do Oeste. Sua diretriz, jamais esquecida, foi publicar notícias positivas e defender as iniciativas que trouxessem benefícios à população regional. Foi assim que contribuiu fortemente para a construção do Hospital Regional, hoje universitário, apoiou em todos os momentos a Ferroeste, e foi muito importante na articulação política que transformou a modesta faculdade Fecivel na Unioeste, que depois o Mário Pereira, como governador, consolidou mandando muitos milhões para a execução de todas as obras físicas, para compra de equipamentos e aperfeiçoamento do corpo docente.
Mas foi como pai de família que o Elias mais brilhou. Casou-se com a Uttara, da tradicional família Piaia, e deram a Cascavel um trio espetacular de herdeiros: a Thaianna, a Sumaya e o Tiago, filhos que eram seu orgulho maior. Através deles vamos continuar nossa amizade e nosso respeito enorme. Corintiano fervoroso, teve sua última alegria horas antes de partir: internado na UTI da Policlínica, com previsão de alta em breve, com seu quadro respiratório sob controle, seu filho Tiago providenciou com a direção do hospital para que um televisor fosse ligado na hora do jogo, permitindo que o Elias – em plena UTI!! – Assistisse a vitória do Corinthians sobre o Estudiantes da Argentina. Seis horas depois da vitória, dois infartos vieram, e Elias partiu para o céu. Vai em paz, amigo.
O ESTRANHO CASO DO FUNDO DE PARTICIPAÇÃO-FPM
O Fundo de Participação dos Municípios é um dos principais sustentáculos da arrecadação dos 5.568 municípios do país, além de Noronha e Brasília.
Este ano, com a arrecadação federal crescendo, a distribuição dos recursos do FPM, para surpresa geral, caiu em percentuais significativos.
O deputado federal Dilceu Sperafico reuniu em Brasília o seu partido, o Progressista, para ver o que estava acontecendo e achar de imediato uma forma de ajudar os prefeitos. Informa o Dilceu que, do total de municípios, existem perto de 3.500 que dependem diretamente dessa receita, que nos pequenos municípios caiu em torno de 20%. Nos municípios maiores, a queda foi mais pesada, de até 40%.
O governo federal, até o fechamento desta coluna, na madrugada de quinta,24, não havia dado qualquer explicação sobre os motivos da redução que está apavorando os prefeitos. Disse o Dilceu que não acredita que vá acontecer, mas tem prefeitos articulando um fechamento parcial das prefeituras, em protesto, uma espécie de greve nos atendimentos. Só no Brasil temos dessas coisas.
COLAPSO NAS FINANÇAS MUNICIPAIS
Muitos municípios, eventualmente, escolhem prefeitos mais políticos, que focam sua atuação muito mais na demagogia que na condução rígida do orçamento que determina o uso do dinheiro do povo. Esses prefeitinhos gastam muito mais com a imprensa que com obras pensadas, estudadas, para beneficiar de fato a população. Eles têm em comum o fato de andarem com as finanças sempre no fio da navalha, pelo excesso de gastos com contratação de cabos eleitorais, com parentes de vereadores, com verbas milionárias para a imprensa, etc…
Quando sopra um ventinho diferente, esses demagogos são os que mais sofrem, porque de administração séria entendem muito pouco.
Conheço um município que está tentando vender todos os imóveis que pertencem ao povo para cobrir a folha de pagamento nos próximos meses.