Assediados pelo Palácio do Planalto, os partidos como PP e PR começam a
discutir nesta quarta-feira o posicionamento sobre o governo Dilma
Rousseff. Mas, segundo integrantes dessas legendas, as negociações devem se
prolongar enquanto as bancadas seguem divididas sobre o que fazer: ficar ou
não na base. Parlamentares mais experientes afirmam que agora as análises
são sobre participação no atual governo e num eventual governo Michel
Temer. O PP, que se reúne nesta manhã rachado, conta com 49 deputados e o
PR, 40. As informações são de Cristiane Jungblut e Simone Iglesias.
A senadora Ana Amélia (PP-RS) lidera o movimento para o desembarque do
governo Dilma.
— A posição do Rio Grande do Sul é essa. Não podemos ser o último a sair
desse barco. O PP do Rio Grande do Sul sempre foi maltratado por esse
partido — disse Ana Amélia.
Mas há outros que defendem aguardar o desenrolar do que ocorrerá na
comissão especial do impeachment. O ex-presidente Lula, segundo
interlocutores, estaria conversando com integrantes do partido.
Para o vice-líder do governo e tesoureiro nacional do PP, deputado Ricardo
Barros (PR), é preciso ter calma neste momento. Ele disse que defenderá na
reunião desta manhã que é preciso aguardar a votação do processo de
impeachment de Dilma na comissão especial da Câmara.
— Vou defender que a gente se reúna para tomar uma posição depois do que
ocorrer na comissão especial do impeachment — disse Ricardo Barros.
*OUTRO ALIADO RACHADO*
No PR, o cenário também é de racha. Apesar do esforço do governo em buscar
garantir votos de partidos da base aliada em troca de cargos, a operação
não tem garantia de sucesso. O PR, que já tem o Ministério dos Transportes,
está ouvindo propostas da presidente Dilma, mas mesmo que aceite comandar
mais alguma pasta na Esplanada, isso pouco deverá influenciar na posição da
bancada da Câmara.
A legenda definiu até o momento que não irá desembarcar formalmente, a
exemplo do que fez na terça-feira o PMDB, mas irá liberar o voto dos
parlamentares no processo de impeachment. Dos 40 deputados, segundo as
contas de dirigentes, 25 são a favor do afastamento da presidente Dilma.
Este número vem crescendo a cada dia. Na semana passada, último
levantamento feito pela direção, eram 20 a favor e 20 contra.
— Não vamos desembarcar, nem fechar questão a favor do impeachment, porque
quem descumprir terá que ser punido até com expulsão e não queremos isso. A
posição majoritária é pela liberação — disse um cacique do PR.
Integrante da base aliada de Dilma mas sem uma identificação ideológica,
como PCdoB e PDT, o PR aguardará os desdobramentos da crise. Se a
presidente se mantiver no cargo, deverá permanecer no governo. Se houver
impeachment, o desembarque, nas palavras de um líder do partido, “será
natural”.
*NOVA REFORMA À VISTA*
Após o já esperado rompimento formal do PMDB com o governo, a presidente
Dilma Rousseff começou a preparar uma reforma ministerial, que deverá ser
anunciada até sexta-feira. Escalado para falar em nome do governo, o
ministro da Chefia de Gabinete da presidente, Jaques Wagner, chegou a falar
em “governo novo” e a dizer que a saída do principal aliado abre uma “boa”
oportunidade para que Dilma inicie uma nova fase, com outros aliados nos
espaços deixados pelo PMDB. O governo conta com um mapa dos cerca de 580
cargos da máquina federal hoje ocupados por indicação de peemedebistas.
(foto: André Coelho/Agência O Globo)
*link matéria*
http://oglobo.globo.com/brasil/assediados-pelo-planalto-pp-pr-estao-divididos-sobre-deixar-base-18981509#ixzz44OsmqZcw
*Dilma convida Ricardo Barros para Ministério da Saúde*
O deputado Ricardo Barros (PP-PR) pode assumir o Ministério da Saúde no
governo de coalizão, sem o PMDB, traçado pela presidente Dilma Rousseff
(PT). A definição se dará nesta sexta-feira, 1º de abril. As informações
são de Valdo Cruz, Ranier Bragon e Débora Álvares na Folha de S. Paulo.
No balcão de ofertas aberto após o rompimento com o PMDB, o governo federal
ofereceu ao PP o Ministério da Saúde, um dos principais da Esplanada, e uma
troca de ministro na Integração Nacional, já comandada pelo partido. O
objetivo é tentar evitar o desembarque da quarta maior bancada da Câmara
dos Deputados.
A Folha de S. Paulo apurou que a negociação é para tornar o deputado Cacá
Leão (PP-BA) o novo ministro da Integração Nacional no lugar de Gilberto
Occhi, que tem menor representatividade na bancada de 49 deputados. Occhi
assumiria a presidência de alguma estatal ou autarquia federal. A Saúde
ficaria com o deputado Ricardo Barros (PP-PR).
Em reunião realizada na manhã desta quarta-feira (30), no gabinete do
presidente do partido, Ciro Nogueira (PI), o partido decidiu marcar para o
dia 11, véspera da votação do impeachment na Comissão Especial da Câmara, a
decisão final se vai ou não permanecer no governo.
Logo depois da reunião, o deputado Ricardo Barros disse à Folha que não foi
convidado para nenhum ministério e que nem poderia discutir qualquer
assunto relacionado a isto porque seu partido decidiu marcar reunião para o
dia 11 para decidir sua posição sobre o impeachment.
A Folha apurou, porém, que o nome de Barros faz parte da lista que o
Palácio do Planalto montou para tentar garantir a manutenção do PP na base
aliada e, com isto, evitar a abertura do impeachment.
Ciro se encontrou nesta terça (29) com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, que comanda os entendimentos para tentar barrar o impeachment de
Dilma Rousseff.
A Saúde é comandada hoje pelo deputado licenciado Marcelo Castro (PMDB-PI),
cuja permanência se tornou difícil após a decisão do PMDB de romper com o
governo
Além do PP, PR, PSD e outras legendas menores, como o PTN e o PHS estão
sendo procuradas pelo governo com a proposta de ocupar o espaço que será
aberto com a entrega de ministérios e cargos pelo PMDB.
Ricardo Barros nega convite para Ministério da Saúde*
Direto de Brasília. Questionado pela imprensa sobre o convite do Governo
Federal para assumir a pasta da Saúde, o deputado federal Ricardo Barros
diz que desconhece a informação e que o PP não decidiu sobre a permanência
no governo Dilma Rousseff (PT) e o fará no momento adequado.