O governo Lula (PT) enfrenta mais um episódio de desgaste político após o nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, aparecer em investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre supostas fraudes no INSS. Dados em posse da CPMI do INSS indicam que o filho mais velho do presidente teria mantido relação de proximidade — e até possível sociedade — com Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso desde setembro de 2025 e acusado de comandar um esquema de desvios e golpes contra aposentados.
Embora ainda não haja provas conclusivas, depoimentos colhidos apontam para o possível recebimento de valores expressivos — incluindo uma suposta “mesada” mensal de cerca de R$ 300 mil e transferências que somariam aproximadamente R$ 25 milhões, em moeda não especificada.
A base governista na CPMI rejeitou, por 19 votos a 12, o pedido de convocação de Lulinha para depor. A oposição classificou o resultado como uma “blindagem vergonhosa” e um “esforço para impedir o avanço da investigação”.
INDÍCIOS: VIAGENS, VALORES E EMPRESÁRIOS
Segundo documentos da Polícia Federal enviados à CPMI, uma testemunha relatou que Lulinha teria recebido pagamentos mensais de altos valores feitos por Antônio Carlos Camilo Antunes. O depoimento também menciona viagens realizadas pelo filho do presidente ao lado do empresário, incluindo deslocamentos para Portugal.
Além da proximidade pessoal, a PF apura possíveis vínculos societários entre os dois por meio da empresa World Cannabis, empreendimento registrado em Brasília e com operações declaradas no Brasil, Portugal, Estados Unidos e Colômbia.
A companhia — formalmente registrada como Camilo Comércio e Serviços S/A (CNPJ 50.442.926/0001-05) — tem como sócios públicos o próprio Careca do INSS e Romeu Carvalho Antunes. A atividade oficial é a comercialização de cannabis medicinal produzida em Portugal.
Apesar disso, investigadores suspeitam que o negócio possa ter sido usado para lavagem de dinheiro oriundo das fraudes envolvendo descontos associativos ilegais aplicados em beneficiários do INSS. Essa é a linha preliminar descrita nos autos já compartilhados com os parlamentares.
PF DIVIDIDA SOBRE AVANÇO DAS INVESTIGAÇÕES
A apuração interna revela um cenário de divergência dentro da própria Polícia Federal.
Segundo fontes ouvidas pelo Poder360 e relatórios anexados à CPMI:
- Uma ala defende a aceleração das diligências e considera que há indícios suficientes para aprofundar a participação de Lulinha;
- Outra ala entende que o conjunto probatório ainda é insuficiente e avalia como prematuras medidas mais incisivas.
Até o momento, a posição oficial predominante na corporação é de que não existem evidências diretas envolvendo o filho do presidente na execução dos descontos fraudulentos. Contudo, a PF reconhece que há “fatos conexos” que seguem sob análise, especialmente no que diz respeito às movimentações financeiras e às relações pessoais e comerciais do investigado.
ROBERTA LUCHSINGER TAMBÉM APARECE NAS INVESTIGAÇÕES
As relações de Lulinha com Roberta Moreira Luchsinger também são mencionadas de forma recorrente. Documentos mostram registros de várias viagens de avião feitas pelos dois, muitas delas com mesmo código de reserva, indicando que os deslocamentos eram combinados.
Investigações sugerem que Roberta e o Careca do INSS discutiam estratégias para “esquentar” recursos supostamente obtidos com fraudes contra aposentados. A PF avalia que a proximidade de Lulinha com ambos exige esclarecimentos adicionais, mas ainda não há imputação direta contra ele nesse ponto.
CPMI REJEITA CONVOCAÇÃO E GERA REAÇÃO DA OPOSIÇÃO

O pedido para que Lulinha prestasse depoimento à CPMI foi derrotado por 19 votos a 12, com a base governista se mobilizando para barrar a convocação. A oposição reagiu duramente.
Parlamentares classificaram a decisão como uma “tentativa explícita de blindagem”, enquanto apoiadores do governo afirmaram que a investigação não reúne elementos suficientes para justificar a oitiva no momento.
O ex-juiz Adriano Soares da Costa avalia que a blindagem pode ser temporária.
“É difícil esconder fatos dessa magnitude. R$ 300 mil mensais não passam despercebidos. O esquema pode até fechar uma porta, mas deixa vários buracos abertos”, afirmou.
A CPMI continua em andamento, e novos documentos devem ser analisados nas próximas semanas. O futuro do caso dependerá do avanço das investigações da Polícia Federal e da capacidade ou não do governo de manter o cerco político sob controle.
ALGUÉM DUVIDA QUE O STF VAI BLINDAR TODA ESTÁ TURMA QUE ESTÁ JUNTO COM O FILHO DO LULA?