BATOM NA TOGA! Fundo ligado à cadeia do Banco Master teve participação em empresas de familiares de Dias Toffoli, diz Folha

EFGFEW

Duas empresas ligadas a familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli tiveram, até 2025, participação de um fundo de investimentos que integra a cadeia financeira associada às suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. As informações constam em documentos oficiais e foram analisadas e publicadas pela Folha de S.Paulo.

Segundo a reportagem, o Arleen Fundo de Investimentos manteve participações em duas companhias relacionadas a parentes do ministro: a Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro, no norte do Paraná, e a DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária da mesma cidade que teve como sócio um primo de Toffoli.

O Arleen não é alvo direto de investigação. No entanto, aparece conectado à estrutura apontada pelo Banco Central como parte de uma suposta teia de fraudes envolvendo o Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. A ligação ocorre porque o Arleen foi cotista do fundo RWM Plus, que também recebeu recursos de fundos associados ao Maia 95, um dos seis veículos citados pelo Banco Central nas apurações sobre o banco.

Todos esses fundos tinham como administradora a gestora Reag, empresa investigada na Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro em benefício do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Criado em 2021, o Arleen possuía apenas um cotista e foi encerrado no fim de 2024, apesar de seu prazo original de duração ser de 20 anos. No último balanço disponível, de maio de 2025, o fundo concentrava seus recursos em quatro ativos, incluindo as participações nas empresas ligadas à família de Toffoli e cotas do fundo RWM Plus.

Dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicam que, em novembro de 2021, quase toda a carteira do Arleen estava concentrada em ações da empresa que administra o resort Tayayá. A participação na DGEP Empreendimentos aparece nos balanços a partir de 2022, com valores superiores a R$ 16 milhões, mantidos até 2025.

Uma auditoria registrada na CVM em maio de 2025 apontou falhas na documentação do Arleen, levando a empresa responsável a se abster de emitir parecer sobre as contas do fundo.

Dias Toffoli é o relator, no STF, do inquérito que apura as fraudes atribuídas ao Banco Master. O caso chegou à Corte após a defesa de Daniel Vorcaro alegar que a investigação deveria tramitar no Supremo. Desde então, decisões do ministro — como a condução do processo sob sigilo e a convocação de uma acareação envolvendo um diretor do Banco Central — passaram a ser alvo de questionamentos.

Procurado, o STF informou, por meio da assessoria, que o ministro Dias Toffoli não se manifestou até a publicação da reportagem. Parentes do ministro, assim como o Banco Master e a gestora Reag, também não comentaram.

As relações societárias mencionadas constam em bases da Receita Federal, em documentos da CVM e em balanços financeiros analisados pela Folha, com apoio de plataformas de jornalismo investigativo.

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