Durante a sessão desta terça-feira (10) na Assembleia Legislativa do Paraná, o deputado estadual Marcelo Rangel (PSD) levantou questionamentos sobre um contrato milionário firmado pela Fiep (Federação das Indústrias do Paraná) para serviços de jardinagem.
De acordo com o parlamentar, dados disponíveis nos portais de transparência indicam que a entidade teria firmado contratos que somam R$ 53 milhões em 2025 para serviços de manutenção de áreas verdes em unidades da própria federação e também do Sesi (Serviço Social da Indústria), Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e IEL (Instituto Euvaldo Lodi).
Segundo Rangel, o valor representa um aumento expressivo em relação ao ano anterior. Em 2024, os contratos para o mesmo tipo de serviço somavam R$ 13,7 milhões, o que, de acordo com o deputado, significaria um crescimento de 287% em apenas um ano.
Ao iniciar seu pronunciamento, o parlamentar ressaltou o respeito à instituição, mas afirmou que os números precisam ser esclarecidos.
“Estamos falando de uma instituição que merece todo o respeito, mas precisamos discutir um contrato de R$ 53 milhões para jardinagem. Entre 2024 e 2025 houve um aumento muito significativo que precisa ser explicado à Assembleia e à sociedade paranaense”, declarou.
O deputado afirmou ter utilizado informações disponíveis nos portais de transparência do Sesi e do Senai para fazer a comparação entre os períodos. Segundo ele, além do aumento no valor total contratado, os serviços executados também apresentaram crescimento relevante, chegando a cerca de R$ 9,1 milhões no período analisado. Rangel ainda destacou que R$ 47,5 milhões do total contratado corresponderiam a aditivos contratuais.
Durante o debate em plenário, outros parlamentares se manifestaram. O deputado Adriano José (PP) chegou a sugerir a possibilidade de abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar os dados apresentados. Já o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD) lembrou que a Fiep e entidades do chamado Sistema S são fiscalizadas pelo Tribunal de Contas da União, mas defendeu que a Assembleia solicite oficialmente esclarecimentos por meio da Comissão de Fiscalização.
Em sua fala, Rangel também mencionou que a empresa responsável pelos serviços possui mais de 30 mil ações trabalhistas, o que, segundo ele, reforçaria a necessidade de apuração sobre os contratos firmados.
Fiep fala em inconsistência no Portal da Transparência
Procurada, a Fiep informou, por meio de nota, que o valor divulgado decorre de “uma inconsistência de natureza exclusivamente classificatória no Portal da Transparência”.
Segundo a entidade, parte dos contratos relacionados a serviços de facilities — que incluem diversas atividades de manutenção e suporte — teria sido registrada equivocadamente sob a rubrica de jardinagem, o que inflou os números apresentados.
A federação afirmou ainda que os dados corretos serão esclarecidos e que permanece à disposição para prestar os devidos esclarecimentos.