QUEM SERÁ O LIGEIRO BANQUEIRO? Vladimir Timerman afirma na CPI que Vorcaro não é o verdadeiro dono do Master

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A CPI do Crime Organizado ouviu o depoimento de Vladimir Timerman, gestor de fundos de investimentos e fundador da Esh Capital. Timerman disse que Daniel Vorcaro não é o verdadeiro dono do Banco Master; e criticou a Polícia Federal, o Banco Central e a CVM pela demora na apuração das fraudes cometidas pelo banco. Relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) disse que são fortes os indícios de lavagem de dinheiro de facções violentas por meio de ativos do Master.

Em nota enviada à Rádio Senado, Nelson Tanure classifica como “ilações” as declarações de Vladimir Timerman à CPI do Crime Organizado. O empresário nega ter qualquer relação com o Banco Master e afirma que o depoente “não desfruta de qualquer credibilidade no mercado”. “O empresário e investidor Nelson Tanure tem décadas de experiência profissional no mercado de valores mobiliários e jamais havia sido acusado de qualquer prática supostamente delitiva no contexto das empresas em que é ou foi acionista. O empresário reitera que nunca foi sócio, controlador ou beneficiário, direto ou indireto, do Banco Master, tendo mantido com a instituição apenas relações comerciais legítimas, como cliente e investidor, nos mesmos moldes em que opera com diversas outras instituições financeiras”, pontua trecho da nota.

Transcrição
O fundador da Esh Capital, Vladimir Timerman, afirmou em depoimento na CPI do Crime Organizado, que o empresário Nelson Tanure é o verdadeiro “dono” do Banco Master. Segundo ele, Vorcaro é apenas uma figura de fachada, enquanto os controladores do banco permanecem ocultos. (Vladimir Timerman) “O Sr. Nelson Tanure é uma das cabeças, eu acho que é o mais alto da hierarquia, quem são as outras pessoas, eu só posso falar o que eu posso provar.” Timerman explicou aos senadores que, preocupado com seus investimentos, em 2019 teria encaminhado a primeira denúncia sobre irregularidades na atuação do Banco Master às autoridades e criticou a Polícia Federal, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pela demora na apuração das fraudes. (Vladimir Timerman) “Um ponto importante é a captura da CVM; os ativos que foram utilizados para perpetrar os desvios são da competência da CVM, e eu consigo apresentar elementos que mostrem o porquê aconteceu o que aconteceu: Essas pessoas, não é que elas achavam que elas sairiam impunes; elas tinham certeza de que elas sairiam impunes.” O depoente declarou ainda ter sofrido “mais de 30 ações criminais e ameaças de morte”, além de pedidos de prisão em retaliação às suas denúncias.  Para o relator da CPI, senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe, é preciso discutir a liquidação do Banco Master na CPI em função das evidências de que o banco lavava dinheiro do crime organizado. ( senador Alessandro Vieira) ” A gente está falando de Banco Master aqui porque nós temos notícias de diversas operações policiais, inclusive com denúncias já ofertadas e ações penais instauradas que apontam a circulação de recursos de facções violentas por esse mecanismo de lavagem. Entre outras coisas, este grupo criminoso oferece um serviço de lavagem de dinheiro; e esse recurso, depois, branqueado, volta para algum tipo de ativo lícito.”   Antes do depoimento de Timerman, a CPI aprovou as convocações da influenciadora digital Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro, o suposto dono do Banco Master; e do ex-governador de Mato Grosso e ex-senador Pedro Taques; mas os senadores rejeitaram o pedido de convocação do presidente do Partido Liberal, Valdemar da Costa Neto. Da Rádio Senado, Cesar Mendes.  

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