BASTIDORES DO PODER: O PRIMEIRO MOVIMENTO DO TABULEIRO

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A saída de Guto Silva do comando da Secretaria das Cidades, confirmada para 4 de abril, não é troca de cadeira. É abertura oficial da sucessão estadual.
Campanhas nunca começam quando são anunciadas — começam quando alguém levanta da mesa do governo para voltar ao jogo político. Foi exatamente o que aconteceu.
Aliado central de Ratinho Junior desde o período em que a vitória ainda era aposta de risco, Guto deixa o cargo depois de atravessar todo o ciclo do poder: Casa Civil, Planejamento e Cidades. Poucos acumulam esse percurso. Menos ainda saem no momento certo.
Nos bastidores do Palácio Iguaçu, a leitura é clara: o governador entra agora na fase mais sensível do segundo mandato — administrar a própria sucessão sem produzir fissuras internas.
A equação é delicada. Ratinho Junior construiu um governo de alta aprovação, mas sabe que herança política não se transfere automaticamente. Precisa ser organizada, pactuada e, sobretudo, aceita pela base.
Guto realiza o movimento esperado e ocupa posição estratégica: deixa o governo associado à entrega, não à despedida. Sai com obras em andamento,
presença municipal consolidada e discurso pronto — gestão antes de eleição.
O gesto também muda o clima entre aliados. A disputa, que até ontem era silenciosa, ganha calendário. Prefeitos começam a se posicionar. Partidos reavaliam alianças. E nomes que aguardavam sinal verde entendem que o tempo da espera acabou.
Na política, existe um momento em que o governo ainda governa, mas a sucessão já começou.
O Paraná acaba de entrar exatamente nesse ponto.

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