Como há mais de trinta anos escrevo neste semanário e o meu assunto versa sobre o mundo político, essa não é a primeira vez que me valho da imortal canção também interpretada por Simone – e, de fato, nem a cigana, nem muito menos a pitonisa tem condições nesta etapa de falar com alguma segurança sobre o que será o amanhã.
O fato inquestionável é que a jogada digna de um Meckinho ou de qualquer outro mestre internacional do xadrez deve ser creditada a Sérgio Fernando, que sempre se outorga a condição de não político, mas que jogou com extrema habilidade e deu um roque na candidatura palaciana.
O fato é que, se Moro já liderava com certa folga, ao lado de Flávio Bolsonaro, numa primeira leitura atingiu a possibilidade de estar com cinquenta pontos, o que lhe garantiria, claro, se as eleições fossem hoje, com mais um voto, a vitória em sede de primeiro turno.
É óbvio que analisaremos os movimentos defensivos – ou não – de outras candidaturas, mas é impossível para quem gosta de política como eu, deixar de admirar a grande jogada que foi montada pelo juiz!
E O GOL DO GIACOBO?

Estive pessoalmente no início da reunião capitaneada por Fernando Lúcio Giacobo, no Hotel San Juan, em a qual mais de quarenta prefeitos estiveram presentes. É claro que não me lembro do nome de todos, e desde logo me desculpo por nominar tão somente os que conheço melhor, como por exemplo Dalmora (de Matinhos), Baitala (de Guarapuava), Renato (de Cascavel), General Joaquim Silva e Luna (de Foz do Iguaçu) e, é claro, o Presidente da Associação dos Municípios do Paraná, Michelleto. Nominando-os, por extensão, nomino aos demais, inclusive as ilustres senhoras Prefeitas presentes.
O fato é que a atitude do deputado federal Giacobo consolida os seis mandatos de deputado federal que ele detém, além de passagem pela Mesa da Câmara Federal.
É importante frisar que é muito difícil para um político, em especial quando ele não está em começo de carreira, abdicar da Presidência regional do maior partido do país, e mais do que isso, detentor – na mesma medida – do maior fundo partidário dentre todos.
É óbvio que não há como deixar de admirar a demonstração de lealdade que ele fez ao seu amigo in pecturis Carlos Ratinho Massa, e que será certamente devolvida no período eleitoral.
Quem me conhece sabe o quanto eu deploro atitudes tíbias e covardes, tão habituais nos políticos de carreira. Portanto, não há que estranhar o forte elogio que aqui exponho a Fernando Lúcio, pois convenhamos: coragem foi o que lhe sobrou neste episódio de lealdade à vida política. Auguri, Fernando Lúcio!
NINGUÉM SOLTA A MÃO DE NINGUÉM
A manifestação do prefeito de Assis Chateaubriand Michelleto remete aos bons princípios da hombridade e da lealdade.
De fato, eu ouço de muitas pessoas que Carlos Roberto Massa Júnior foi um governador com grande atuação municipalista, e que sem embargo, ajudou ao crescimento dos trezentos e noventa e nove municípios do estado, sem preocupar-se com a vertente política do alcaide. Isto lhe vale o resultado magnífico que obtém nas pesquisas de popularidade, e neste episódio que eu chamo de “grito de San Juan”, uma demonstração de gratidão e de coragem dos prefeitos municipais.
Eu sei que muita gente não entende como um homem velho como eu, e com a larga experiência que tenho em relação à política, ainda se comove e surpreende positivamente com atitudes como a de Michelleto. Mas o fato, minha gente, é que a temporada política, ou mesmo o poder, sempre são efêmeros. O que não é efêmero é o balanço antes do carinho do travesseiro – e, com certeza, aqueles tantos prefeitos que demonstraram amizade, lealdade e gratidão ao Governador, tiveram um sono reparador nesta quinta-feira.
ELOCUBRAÇÕES
É evidente que não vi nenhuma pesquisa até então relativa à intenção de votos, mas não precisa ser o Professor Landi, o Guru, para saber que os números iniciais pesquisados nesta etapa serão superlativos a Sérgio Moro, porque soma-se a grandeza do apoio bolsonarista do Paraná ao já consolidado apoio até então publicizado a Sérgio Fernando.
Imagino que por força da necessidade de escolha partidária e desincompatibilização – se for o caso – as novidades serão oferecidas até fatídico dia 04.
E A CHAPA OFICIAL?
Quero deixar patente que escrevo ao meio-dia de quinta-feira, e que portanto, externo o que me é de conhecimento até esta etapa. O que mais avulta neste instante é o que trata da escolha de Ratinho Junior que neste momento indica Eduardo Pimentel.
De verdade, todo mundo sabe que conheço – e bem – os atores que estão atuando, seja nos bastidores, seja sob a luz dos holofotes. E, é claro que eu poderia consultá-los. Ocorre que isto me criaria um problema, porque fatalmente eles seriam obrigados a mentir para mim, e isto, com certeza, me irritaria muito.
Portanto, prefiro trabalhar com minhas conclusões pessoais, liberando meus amigos de mentirem para mim por razões, ou pessoais, ou profissionais. Como disse anteriormente, no momento em que falo com o teclado, a última escalação do time oficial tem os nomes de Eduardo, Guto Silva na vice, e no Senado, Alexandre e o convidado do MDB, senhor Álvaro Dias.
Repito que tão somente trato do que ouço, não afirmo, especialmente porque faltando oito dias para a véspera da Sexta-Feira Santa, não é lícito imaginar que num quadro político de intensa elocubração, possamos imaginar que “alea jacta est”.
Como sou aquilo que se chama de bugio velho, imagino que haverá muito arremesso de coco entre os bugios até que tenhamos um pouco de paz na floresta chamada Centro Cívico, paz esta que durará até meados de julho, quando começa a segunda fase dos arremessos de coco.
Ah! Em tempo: quando começarem os programas eleitorais e respectivas propagandas, daí o arremesso não é mais de coco, aí o arremesso desmesurado é de tisca mole. E aí, salve-se quem puder do indefectível mau cheiro!
PL ANTIFACÇÃO
Na última terça-feira (24), Lulle promulgou o PL Antifacção, que “fortalece a capacidade do Estado de atuar contra o crime organizado” (conforme está no site oficial do Governo). Chamou atenção a fala do presidente, que disse que a promulgação do PL ajudaria o Brasil a ser “um dos países mais respeitados do mundo no crime organizado”. A Secom depois corrigiu dizendo que ele quis falar “no combate ao crime organizado”. O comentário infeliz do Presidente foi devastador, porquanto remete inobstante o ato falho, a permanente simpatia que o vetusto tem em relação ao segmento.
Ele ainda disse que agora “a gente tem a chance não de pegar os bagrinhos da periferia, mas de pegar os responsáveis que moram em condomínios de luxo e que chamamos de magnatas do crime organizado. Esses é que precisam ser presos e punidos”.
A lei estabelece que lideranças conectadas a esses crimes deixam de ter benefícios como anistia e indulto, fiança ou liberdade condicional. A progressão de pena fica mais restrita. Em alguns casos, exige-se até 85% do cumprimento em regime fechado. Os líderes de facções cumprirão pena ou prisão preventiva em presídios de segurança máxima.
Pois bem. Muito se esperava da legislação em comento, mas o que ninguém imaginava é que o Presidente fosse vetar trechos importantes e, mais do que isso, fosse capaz do desastroso comentário.
O primeiro ponto vetado, por ser considerado inconstitucional, permitiria, pela nova lei, o enquadramento de pessoas que não integrassem comprovadamente organizações criminosas. Tal trecho abriria brechas que poderiam resultar na criminalização de movimentos sociais, bem como de participantes de protestos e manifestações.
Essa elastecida interpretação em relação aos movimentos sociais, sem nenhum embargo, sempre me preocupa, porque me remete àquele grupo de eleitores que tanto manifesta simpatia pelos “Renatos da vida”.
Não está sendo fácil ser Lulle.
E A VELHA CORRUPÇÃO, HEIN?
Quando todo mundo imagina que corrupção é marca registrada do governo Lulle, o Ministério Público paulista arregaça Carrefour, Casas Bahia, Postos Ipiranga, que faziam o chamado “fura fila do ICMS”.
E A CPI DO INSS?
Enquanto escrevo, o Supremo tenta derrubar a prorrogação concedida por Mendonça, e aí eu fico me perguntando: o que será que separa este jovem Ministro, dos demais? E o que justifica a revolta daqueles que não o acompanham e que buscam jogar definitivamente para baixo do tapete esta mácula à história de nosso país, que vem a ser roubar os já roubados historicamente, com aposentadorias que beiram a mendicância…?
Com efeito, me causa profundo pesar saber que no Brasil existe um permanente conluio entre pessoas que pertencem a segmentos tão representativos quanto o Supremo Tribunal Federal, e que não sentem vergonha de impedir que a Justiça seja cumprida.
E A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

Nesta quinta-feira (26), recebo uma consulta oficial do nosso diretor Marcelo Fedeger. Como o leitor sabe, tenho a honra de ser o advogado deste jornal há mais de trinta anos, e às vezes, sou consultado por Marcelo relativamente a decisões administrativas, na falta do nosso sempre pranteado Luiz Fernando.
A consulta passa pelo retorno do nosso correspondente de Dubai, o sempre lembrado “Jah Lyi Rhabey”. Com efeito, acho relevante, especialmente em tempos de guerra, tanto lá como cá, que o ilustre correspondente internacional volte às nossas páginas.
Não se engane o leitor: por ainda que Rhabey possa estar geograficamente em posição longínqua, a internet torna o mundo uma aldeia. Portanto, nesta aldeia global, imagino que a próxima edição já contenha comentários peculiares, em especial em relação a quem ficou e quem disse adeus ao governo estadual.
Confesso que conversei poucas vezes com “Jah Lyi Rhabey”, e como não falo árabe, tive alguma dificuldade de entender o seu inglês que tem um sotaque extremamente carregado.
De qualquer sorte, é grande a minha expectativa pelo retorno do confrade.
ORAÇÃO DE OGIER BUCHI:
Senhor, só para meu conhecimento, o Coritiba compareceu ao clássico no domingo, ou aquilo era só um espectro com a camisa verde e branca? Amém.
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