FAKE NEWS DO PT : Deltan e PT travam disputa sobre inelegibilidade

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O ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo-PR) reagiu publicamente, na sexta-feira (17), às divulgações feitas por Gleisi Hoffmann e Arilson Chiorato, ambos do PT, sobre uma certidão emitida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relacionada ao seu caso. Em um vídeo com tom crítico, Dallagnol afirmou que o partido adversário estaria “em pânico” e acusou seus opositores de tentar criar uma narrativa de que ele já estaria inelegível para as eleições de 2026.

A manifestação ocorreu pouco depois de o tema ganhar força nas redes sociais. O documento do TSE, expedido na quarta-feira (16), confirma que o processo envolvendo a candidatura de Dallagnol em 2022 foi encerrado: o registro foi negado de forma unânime em maio de 2023, os recursos apresentados posteriormente foram rejeitados e o caso foi definitivamente concluído em setembro do mesmo ano.

No vídeo, Dallagnol também alegou que houve uma ação coordenada para divulgar informações falsas e sugeriu que a escolha do momento das publicações teria sido estratégica, visando dificultar uma resposta judicial imediata. Ele mencionou ainda decisões recentes que determinaram a remoção de conteúdos que tratavam sua inelegibilidade como algo já definido.

De fato, houve decisões nesse sentido, mas com ressalvas importantes. Em uma delas, a juíza auxiliar Gisele Lemke apontou que, naquele momento, não existia uma decisão clara e definitiva que sustentasse afirmar categoricamente que Dallagnol estaria inelegível até 2031. Além disso, destacou que aquele tipo de ação não era o meio adequado para antecipar uma conclusão sobre eventual candidatura futura.

Outro ponto citado por Dallagnol foi a multa aplicada ao deputado Zeca Dirceu (PT-PR), penalizado em R$ 15 mil por publicações consideradas inadequadas ao afirmar, de maneira conclusiva, a inelegibilidade do ex-procurador.

Por outro lado, as manifestações do PT têm base em posicionamentos anteriores do próprio TSE. Em 2023, o tribunal informou que a cassação do registro de Dallagnol ocorreu porque ele deixou o Ministério Público enquanto ainda respondia a procedimentos disciplinares, situação enquadrada na Lei da Ficha Limpa. Esse entendimento tem sido retomado no debate político, especialmente após pesquisas recentes indicarem o ex-deputado como um dos nomes fortes na disputa pelo Senado no Paraná.

O episódio evidencia que a questão ultrapassou o campo jurídico e já faz parte do embate político. Enquanto Dallagnol tenta apresentar o caso como exemplo de perseguição, seus adversários buscam reforçar a interpretação de impedimento eleitoral. No entanto, a própria Justiça Eleitoral sinaliza que qualquer definição sobre 2026 só deverá ocorrer no momento formal de registro de candidatura.

Assim, o cenário atual no Paraná não aponta para uma conclusão definitiva, mas sim para uma disputa de versões, em que decisões passadas e interpretações jurídicas são utilizadas como instrumentos de estratégia política antes mesmo do início oficial da campanha eleitoral.

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