A eleição de 2022 pode ficar marcada na história do Brasil.
Os eleitores terão vários tipos de arranjos políticos baseados na constante necessidade de coordenação política entre poderes e a formação de pactos que raramente são em prol do povo.
O presidencialismo de junção política tem desempenhado um papel muito mais estratégico para os partidos e representantes do que para a população em si.
O processo é amarrado para que determinado candidato ou partido vença as eleições presidenciais e que outros ganhem cargos nesse governo expondo negociatas e o famoso toma-lá-dá-cá.
O povo como sempre, fica em segundo plano como uma verdadeira massa de manobra.
Os diferentes perfis e trajetórias dos últimos candidatos, ou mesmo os novos que vem para disputa, irão colocar em xeque todos os discursos e promessas de idoneidade, anticorrupção, enxugamento da máquina e as verdades individuais, como ocorreu com a operação Lava Jato iniciada em 2014.
As trajetórias distintas identificam um Lula (PT), que foi preso e absolvido até o momento, pois o processo deverá ter início novamente, mas hoje ele está elegível.
Um Jair Bolsonaro (sem partido), que chegou com rompantes e promessas de anticorrupção, que jamais se venderia para o Centrão, mas que acabou caindo no colo da politicagem. De sobra enfrentou uma pandemia, mas ao invés de seguir a ciência se tornou um negacionista, foi chamado de genocida porque mal administrou a saúde, trocou vários ministros e atrasou a compra de vacinas, o que pode ser considerada a sua maior falha.
Sérgio Moro filiado ao Podemos recentemente vem com o selo da Lava-jato. Como ponto negativo, tem a participação frustrada no governo Bolsonaro, de onde saiu por acusar a interferência presidencial na Polícia Federal e atrapalhar o comando do Ministério da Justiça. Saiu atirando, revelando conversas e segredos bolsonaristas.
Na ala mais direita da eleição vem João Doria do PSDB, com a imagem de empresário bem-sucedido numa ascensão incrível de prefeito de São Paulo ao governo estadual em pouco tempo de administração. Não se pode negar o empenho na liberação da vacina Coronavac a todos os brasileiros, fato este que foi decisivo para rompimento com Bolsonaro, a quem havia apoiado em 2018.
Outros pretensos concorrentes como Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (REDE) e João Amoedo (NOVO) já vem com uma rotulagem antiga de sempre se apresentarem a cada quatro anos, participando do processo e garantindo alguns minutos de fama no horário eleitoral gratuito.
Os debates certamente serão uma troca de acusações para deixar o eleitor perplexo, tamanha será a sujeira guardada debaixo de alguns tapetes.
São muitas as situação deste complexo sistema político, que precisa de mecanismos que tornem o sistema representativo mais preocupado com a representação popular do que aos interesses privados.
É preciso um sistema representativo baseado no planejamento de governo que atenda aos anseios sociais e que aproxime mais representantes e representados.
DESINFORMAÇÃO E FAKE NEWS
Tão rápidas e destrutivas quanto o próprio coronavírus, as notícias falsas (fake news) têm prestado um enorme desserviço à população.
Pelas recentes cassações a grande quantidade de multas aplicadas aos candidatos, o Tribunal Superior Eleitoral terá que agir com mais rigor na campanha do ano que vem.
Requião, Oriovisto, Beto e Flávio Arns.
A própria campanha do atual presidente foi um produto de redes sociais, com plataformas e suspeitas de uso de robôs para disseminação de Fake News. É essencial o esclarecimento do eleitor, porque a cada dia as informações são mais desencontradas e corrompidas. Corretas ou incorretas, mudam uma eleição. Elegendo ou derrubando um candidato rapidamente. Exemplos claros aqui no Paraná com a derrubada de Beto Richa e Requião, e vitória de Oriovisto Guimarães e Flavio Arns, em menos de cinco dias da votação.
O aumento de fake news se dá por conta da própria agilidade das redes sociais. Não há vácuo nas informações: as pessoas preferem compartilhar notícias falsas a admitir desconhecimento sobre temas, com objetivo claro de manipular a opinião pública e depreciar instituições ou obter vantagens econômicas ou políticas.
O TSE cada vez mais controla as plataformas digitais como Twitter, YouTube, Facebook, entre outras. Mas mesmo assim há resistência ao combate claro às notícias faltas, apesar de já estarem trabalhando com alertas sistemáticos e terem fiscalizado a utilização em massa das redes sociais para fins eleitoreiros.