Em um mundo saturado pelo bombardeio digital e pelo scroll infinito das redes sociais, um movimento silencioso, porém esteticamente poderoso, está redefinindo o conceito de sofisticação e relevância: o retorno das mídias físicas. Dados apresentados recentemente revelam que, longe de estar extinto, o papel consolidou-se como um porto seguro para a curadoria de conteúdo e o consumo consciente.
O “privilégio digital” e o valor do papel
De acordo com as tendências observadas para 2026, o mercado editorial físico não apenas sobreviveu à era digital, como se tornou um marcador de status. Enquanto o digital é associado à velocidade e, muitas vezes, à superficialidade, o impresso é agora visto como “cool”.
Grandes publicações globais como Capricho e Vanity Fair lideram esse resgate, tratando o papel como um item colecionável. A lógica é simples: em um mar de informações gratuitas e voláteis, ter uma revista física em mãos é um sinal de curadoria limpa e focada.
Números que impressionam
Os dados do setor editorial brasileiro reforçam essa tese:
- 92% do mercado editorial no Brasil ainda é dominado pelo formato físico.
- 64% dos leitores declaram preferir a leitura em papel, um crescimento notável em relação aos anos anteriores.
- O impresso deixou de ser apenas um veículo de informação para se tornar uma experiência sensorial.
A visão do especialista Hugo Rodrigues
O publicitário e estrategista Hugo Rodrigues destaca que este fenômeno faz parte de uma mudança comportamental profunda. Segundo ele, “o impresso virou diferencial” porque oferece algo que o algoritmo não consegue replicar: a pausa e a autoridade.
Para Rodrigues, o futuro da comunicação passa pela capacidade de causar impacto sem interromper de forma agressiva a rotina do consumidor. O papel, nesse contexto, funciona como uma “âncora no agora”, permitindo que o leitor se conecte com o conteúdo de forma tátil e deliberada.
Conexão com a saúde mental
Esse resgate do físico dialoga diretamente com as discussões sobre saúde mental. A psicóloga Cintia Mara Cardoso, em palestras recentes no município, reforçou a necessidade de estarmos “ancorados no agora”. O consumo de mídias físicas, ao exigir atenção plena e desconexão das telas, apresenta-se como um exercício prático de bem-estar em um cotidiano hiperconectado. Seja pela textura das páginas, pelo cheiro da tinta ou pela exclusividade de uma edição limitada, o impresso prova que, na busca pela atenção do público, às vezes o caminho mais moderno é aquele que podemos tocar.
( FONTE : https://uniaometropolitana.com.br/a-forca-do-impresso-por-que-o-papel-continua-sendo-a-midia-mais-prestigiada/?utm_source=frame&utm_medium=whatsapp