O que antes era apenas cochicho de bastidores virou movimento visível na política do Paraná. O distanciamento entre o governador Ratinho Jr. e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca deixou de ser especulação e passou a ser fato político, revelando que chegou a chamada “hora da bênção” para a disputa de 2026. Depois de sair da prefeitura e se agarrar em um discurso de Kassab na ceia da polenta, Greca se achava que era o nome natural para a Secretaria das Cidades, a melhor vitrine para quem mira o Palácio Iguaçu. Foi nessa secretaria que surgiu Requião, Ratinho Jr. e agora tem em Guto Silva, como o outro escolhido na secretaria que não tem pobreza. Na correria do desemprego político, Greca foi convencido para Desenvolvimento Sustentável, enquanto a pasta estratégica foi entregue a Guto Silva, que ganhou força no tabuleiro da sucessão.
Nos bastidores do PSD, o cenário mostra um grupo dividido, com secretários e deputados fazendo romaria até o governador mesmo no fim de semana, para que reveja seus conceitos e seus posicionamentos. Além de Guto, também aparece com força o presidente da Assembleia, Alexandre Curi, que tem força com os prefeitos de vários municípios do estado e um clamor empresarial em torno dele.
O dilema de Ratinho é escolher um nome sem transformar Greca e Curi em adversários — algo que poderia rachar o próprio grupo político.
O discurso público ainda é de união, mas na política, quando a palavra “consenso” precisa ser repetida demais, geralmente é porque ele já começou a se desfazer. E, queiram ou não os protagonistas, a disputa pelo governo do Paraná em 2026 já começou internamente no PSD.
Evitar o desgaste o quanto antes é a meta do governo, mas a pergunta que fica é “ até quando”?