A política tem dessas ironias que dispensam comentário — mas rendem coluna. O episódio envolvendo Rafael Azevedo Perich é um bom exemplo. Apresentado como voz vigilante ao denunciar uma suposta situação de desvio de função na Prefeitura de Curitiba, ele acabou exposto por um detalhe nada trivial: o crachá que carrega não é exatamente o que diz portar, revelou a denúncia do Portal POLITIZA.
Segundo sua conta no Instagram, se apresenta como integrante do gabinete do deputado Requião Filho, mas consta, de fato – conforme dados da ALEP referente a janeiro de 2026, como servidor da estrutura administrativa da Assembleia Legislativa. A diferença pode parecer burocrática, mas politicamente é enorme. Afinal, quem se coloca na linha de frente de denúncias costuma ser cobrado pelo mesmo rigor que exige dos outros.
O episódio produz um efeito clássico da política local: o denunciante vira pauta. Não pelo conteúdo da denúncia em si, mas pela coerência entre discurso e posição funcional. Em tempos de redes sociais e militância permanente, a fronteira entre atuação política, institucional e narrativa pessoal é cada vez mais sensível.
No fim, o chamado “tiro certeiro” acabou com ricochete. E deixou no ar a pergunta que Brasília, Curitiba e qualquer praça política conhecem bem: quem fiscaliza o fiscal quando o discurso não bate com o cargo?
FONTE https://politizabrasil.com.br/ricochete/
