A população brasileira sentiu na última semana que o discurso duro com a política fiscal feito pelo presidente eleito Lula da Silva ao defender a ampliação de gastos públicos, criticar o teto de gastos, a reforma da Previdência e que irá trabalhar por mudanças na legislação trabalhista, demonstrou ao mercado que o novo governo terá pouco compromisso com a responsabilidade fiscal e, a partir de 2023 contribuirá para aprofundar as perdas na bolsa impulsionando a alta do dólar e dos juros no país. Para se ter uma idéia do prejuízo, a bolsa de valores brasileira perdeu mais de R$ 156 bilhões, em valor de mercado por causa das falas do petista m um dia.
Com tantas promessas formuladas por Lula durante a campanha, o único objetivo agora antes de assumir é que a equipe de transição negocie com o Congresso a abertura de espaço de R$ 175 bilhões no Orçamento de 2023, através de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), que terá que ser aprovada ainda neste ano.
O discurso de Lula fez relembrar a publicação da revista britânica “The Economist” de 2009, sinalizando que a economia brasileira estava pronta para decolar com vários índices positivos, com o título “Brasil takes off” (“Brasil decola“). Mas a alegria durou pouco e passado alguns anos a revista fez outra publicação onde mostrava o Cristo, mas, desta vez, em trajetória de queda em parafuso, com o título inverso: “Brazil blown it” (Brasil em Queda).
Estas mesmas imagens podem ser adotadas para o atual momento que estávamos passando no país e que após as eleições uma declaração deste porte provocou reais perdas em vários segmentos do país. O presidente Jair Bolsonaro estava conseguindo recuperar os índices, deflação, dólar em baixa e a bolsa em alta, era os sinais que os empresários estavam necessitando, mas um discurso insensato colocou todo o mercado em apreensão.
Como Lula ainda não definiu qual será o seu ministro da Fazenda, e declarou que anunciará sua equipe somente após voltar da COP 27 (Conferência das Partes sobre o Clima), que aconteceu no Egito nesta semana, a insegurança de investidores já é sentida na Bolsa de Valores e no mercado.
OS PRINCIPAIS TEMAS QUE AZEDARAM OS INVESTIDORES FORAM RESSALTADOS PELA TRADEMAP, QUE ATUA NO MERCADO DAS AÇÕES:
GASTOS SOCIAIS: “Quem já nasce no asfalto, com luz elétrica e água encanada, não tem noção do que é fazer política para o povo pobre desse país. As pessoas não têm noção do significado de uma cisterna. Parece uma coisa trivial para quem tem água encanada, parece bobagem. Por que fazer 1,4 milhão cisterna? O que isso interessa para a economia brasileira? O que representa para o PIB?” “A gente não pensa no PIB quando faz isso. A gente não pensa na economia ou na macroeconomia. A gente pensa na sobrevivência da espécie humana que o Estado tem a obrigação de cuidar e dar a possibilidade da igualdade de condições para as pessoas.”
MUDANÇAS TRABALHISTAS: “A gente tem que discutir o mundo do trabalho. A gente não pode viver num mundo em que os trabalhadores parecem que são micro empreendedores, mas que trabalham como se fossem escravos sem nenhum sistema de seguridade social para protegê-lo no infortúnio.”
REFORMA DA PREVIDÊNCIA: “Parece pouco, mas a reforma da aposentadoria fez com que um trabalhador que receberia normalmente R$ 2 mil, vai receber R$ 1,3 mil. Parece pouco que uma mulher que poderia receber R$ 2 mil de pensão do marido, vai receber metade disso. Os empresários que ficaram chateados porque falamos que vamos rediscutir a legislação trabalhista, a verdade é que nós vamos ter que discutir a relação capital e trabalho no século 21.”
TETO DE GASTOS:
“Por que as mesmas pessoas que discutem com seriedade o teto de gastos não discutem a questão social desse país? Por que as pessoas são levadas a sofrer em conta de garantir a tal de estabilidade fiscal nesse país? Por que todas as pessoas falam é preciso cortar gastos? É preciso fazer superávit, é preciso fazer teto de gastos?”
BNDES: “As empresas públicas brasileiras serão respeitadas. A Petrobras não vai ser fatiada. Quero dizer que o Banco do Brasil não será fatiado, a Caixa. O BNDES, BNB e Basa voltarão a ser banco de investimento, inclusive para o pequeno e médio empreendedor.”
Infelizmente enquanto enfrentamos a elevação do dólar e a Bolsa caindo, reflexos estes das declarações de Lula com um compromisso da irresponsabilidade fiscal e querendo gastar mais de R$ 200 bi que não existem nos cofres brasileiros, um dos homens cotados ao Banco Central, Henrique Meirelles, disse que Lula “DILMOU” e desejou sorte aos financistas do país.
A luz vermelha está acesa, após uma enxurrada de promessas que citam a regulação da mídia, aliado a investimentos nos países de Maduro e companhia só nos resta rezar e torcer para que o congresso e o senado sejam nossos defensores desta arruaça econômica.