ARMAÇÃO PORTO GUARÁ X APPA: PORTO DE PARANAGUÁ VÊ TENTATIVA DE SABOTAGEM EM ATUAÇÃO DE RIVAL PRIVADO

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A Folha de São Paulo, escrachou nessa semana que o segundo maior complexo portuário do país em movimentação de cargas, está no centro de uma disputa bilionária por expansão territorial, em um processo conturbado que passou a envolver acusações de suposta sabotagem contra a expansão da área pública.

A Folha teve acesso a documentos de um processo judicial que corre no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) que trata dessa disputa. A administração do Paranaguá cita uma denúncia feita na esfera administrativa ao Ministério dos Portos e Aeroportos, que atribui ao projeto de um porto privado vizinho uma ofensiva contra a expansão do terminal estatal. O projeto privado se chama Porto Guará, tem autorização da União para funcionar, mas depende de licenciamento ambiental para sair do papel.

A acusação que consta do processo do Paranaguá é que o projeto privado teria coordenado uma ofensiva judicial e administrativa para tentar impedir, retardar ou reduzir a atratividade de leilões, uma vez que ambos disputam os mesmos clientes, em transações

que superam R$ 2 bilhões em investimentos. A denúncia chegou à Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), que confirmou à Folha ter recebido documentos do Mpor (Ministério de Portos e Aeroportos), sob análise técnica.Enquanto o terminal privado Porto Guará continua a ser um projeto, o Paranaguá tem ampliado sua capacidade por meio de

novos leilões de áreas para movimentação de soja, milho e farelo de soja, mesmo mercado que o concorrente privado pretende disputar.

DENÚNCIA DE FERRI DE SABOTAGEM

 Em abril, três áreas do Paranaguá foram oferecidas em leilão e arrematadas. Somados, os três contratos representam mais de R$ 2 bilhões em investimentos, além de R$ 855 milhões em outorgas pagas à APPA (Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina), também

chamada de Portos do Paraná. Segundo denúncia à Antaq de um ex-advogado do Porto Guará chamado Matheus Ferri, havia um “Plano de Defesa do Porto Guará” cujo objetivo seria dificultar novos arrendamentos públicos para preservar a competitividade do empreendimento

privado, que aguardava licenças para ser construído. Ferri integrava o escritório XVBM, que atuava para o Porto Guará. Em abril de 2026, já fora do escritório, ele apresentou uma denúncia à Secretaria Nacional de Portos com documentos e emails de discussões internas que tinham como plano “dificultar/impedir os leilões ou, quando menos, torná-los menos interessantes”. Os e-mails mostram que Ferri participava das

discussões.

O plano, segundo a denúncia, tinha diversas frentes. Havia ações para serem apresentadas ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público do Paraná, além de pedidos de impugnação a editais de leilões, solicitações de esclarecimento, mandados de segurança, recursos e até uma ação popular para suspender o licenciamento dos terminais públicos, sob alegação de que não teria havido consulta prévia a povos indígenas da região.

                      ATÉ TU DIVIDINO?

O PELADÃO DO PORTO, PROVAVEL PRESIDENTE DA APPA NA GESTÃO MORO FOI CITADO NAS DENÚNCIAS

Para sustentar sua versão, o denunciante anexou dezenas de documentos e e-mails ao processo judicial, mostrando o que ele alega ser divisão de tarefas, acompanhamento semanal da estratégia e participação direta da direção do Porto Guará nas

decisões. Os documentos apresentados também citam Luiz Henrique Tessutti Dividino, que foi presidente do porto de Paranaguá entre 2012 e 2018 e, posteriormente, virou consultor do Porto Guará por um período. O relatório afirma que ele fez uma revisão na área de Paranaguá, formalizada em 2016, retirando áreas do porto público, o que depois abriria espaço para a implantação de terminais privados, como o Porto Guará. Até o momento, nenhuma dessas acusações foi a julgamento. O porto de Paranaguá as utiliza como argumento em sua estratégia de defesa no TRF-4.

A Folha tentou, por telefone, email e aplicativo de mensagens, obter um posicionamento de Matheus Ferri e Luiz Henrique Tessutti Dividino sobre as informações contidas nas denúncias, sem retorno de ambos até a publicação desta reportagem.

O Porto Guará declarou, por meio de nota, que “não tem conhecimento de denúncia, procedimento administrativo ou que “não tem conhecimento de denúncia, procedimento administrativo ou ação judicial referidos nesta solicitação” e que “até o presente momento, não foi notificado sobre o seu teor por qualquer via oficial”. “Caso venha a ser formalmente notificada, a empresa apresentará sua manifestação junto às instâncias competentes, nos termos e prazos legais.

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