Dilceu Sperafico
Os jovens brasileiros, a exemplo do que acontece no mundo inteiro, têm de estudar e se preparar cada vez mais para enfrentar novos e inéditos desafios, na disputa pelas melhores vagas no mercado de trabalho, elevação da renda e crescimento pessoal e profissional.
Conforme o Mapa do Trabalho Industrial 2019-2023, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), divulgado em agosto, para atender às novas formas de transformação, com cada vez maior tecnologia, o Brasil terá de qualificar 10,5 milhões de novos trabalhadores em atividades industriais, nos níveis superior e técnico, com qualificação e aperfeiçoamento, ao longo dos próximos quatro anos.
Neste período, de acordo com o estudo, a ocupação que apresentará a maior procura pelas empresas será a de condutor de processos robotizados, cujas vagas disponíveis aumentarão 22,4% até 2023, enquanto a expansão média de ocupações industriais ficará em 8,5%.
O trabalhador mais valorizado será o “transversal” ou o profissional que atuar em várias áreas de suas funções, desempenhando tarefas de pesquisa e desenvolvimento, controle de produção e desenho industrial.
Conforme o levantamento do Senai, serão abertas 1,7 milhão de vagas para essa atividade; seguida de perto pela metalmecânica, com 1,6 milhão de oportunidades; construção civil, com 1,3 milhão; logística e transportes, com 1,2 milhão; preparação de alimentos, com 754 mil; informática, com 528 mil; eletrônica, com 405 mil; e energia e telecomunicações, com 359 mil novos contratados.
Entre as profissões de nível superior mais procuradas e valorizadas pela indústria até 2023, estarão analistas de tecnologia da informação, com 305.172 vagas; engenheiros civis e afins, com 57.399; gerentes de produção e operações de indústrias extrativas, de transformação e de serviços de utilidade pública, com 54.940; e engenheiros de produção, qualidade, segurança e afins, com 40.283 contratações.
Diante dessa mudança no mercado de trabalho, as profissões mais procuradas no País considerando a produtividade de profissionais, serão as de gerentes de tecnologia da informação; engenheiros eletricistas, eletrônicos e afins; engenheiros mecânicos e afins; artistas visuais, desenhistas industriais e conservadores-restauradores de bens culturais; administradores de tecnologia da informação; gerentes de manutenção e afins; gerentes de suprimentos e afins; gerentes de pesquisa e desenvolvimento e afins; arquitetos e urbanistas; pesquisadores de engenharia e tecnologia; engenheiros químicos e afins; gerentes de operações de serviços em empresa de transporte, de comunicação e de logística, incluindo armazenagem e distribuição; engenheiros em computação; e químicos.
Qualificar esse enorme e diversificado contingente de trabalhadores será grande desafio para o Senai, que possui uma das maiores estruturas de ensino profissionalizante do mundo, capaz de absorver quase 2,5 milhões de novos alunos todos os anos, como para as demais instituições de ensino superior e técnico.
Essas dificuldades prosseguem com problemas múltiplos e complexos de adaptação da economia brasileira, especialmente da indústria de transformação, aos padrões de empresas digitalizadas e conectadas 4.0, que já operam em diversos países do mundo, incluindo o desafio da elevação de produtividade de diferentes segmentos produtivos.
O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado