Usei o termo de um português mais castiço para evitar o popularesco “bagunceiro”. Sem embargo, é assim que vi o quadro político paranaense, depois do indefectível 04 de abril.
A análise mais simplória que se possa fazer do quadro que se nos foi oferecido é, sem embargo, uma demonstração inequívoca que ditado popular sempre tem muita verdade contida nas simplórias frases que os representam. Senão, vejamos: para o quadro deste abril, as vacas não só pastaram, mas sobretudo voaram, e talvez no português mais claro e simplório ainda, eu diria ainda que despejaram seus indefectíveis fecalomas na cabeça do populacho que ansiava pela decisão dos mandatários.
Sei que muitos podem discordar de mim, o que aliás, é a razão de ser da exposição das nossas ideias, a saber contribuir para que se construam raciocínios (favoráveis ou não) às manifestações do nosso entendimento, que por certo também pode ser correto ou não, ou nada disso, muito pelo contrário…!
Tive um professor de saudosa memória no Colégio Estadual do Paraná que foi além de meu técnico, um guia e para mim, um ídolo – tanto que apadrinhou meu casamento. Chamava-se, o mestre José Augusto Melin, e quando irritado pelo comportamento de alunos do meu saudosíssimo Colégio Estadual do Paraná, ou dos atletas de voleibol que ele construiu, ele usava um termo peculiar, e irritado dirigia-se ao partícipe dizendo: “isto é um merdel!”.
Pois bem. Não encontro termo mais apropriado para o quadro político paranaense na atualidade, que não seja um merdel.
Senão, vejamos.
O MERDEL

A análise circunstanciada das atitudes dos principais partidos nos levará à conclusão de que o título é adequado. Comecemos pelo grupo mais unido de todos, que é constituído pela dupla Requião e Gleisi da Sapucaí.
Não é preciso um aprofundamento que ultrapasse o ano de 2024 para que recuperemos toda a irritação do chefe do clã Requião, em relação ao PT de Lulle, o 51. Tanto verdadeira a irritação, que Roberto retirou-se da sigla que inaugurou o seu périplo partidário, porquanto até então houvera se mantido fiel no seu histórico MDB. Quando saiu do PT, atirou com metralhadora giratória e tocou a sua velha corneta de “membi tarará”, atacando a um e todos do grupo do marido de “Janjé de Parrí”.
Encontrou guarida no partido do velho Leonel Brizola, de quem se pode duvidar e falar de um tudo, mas até onde sei, jamais acusar de desonesto, o que já não ocorre com o atual presidente da sigla, o sempre cúmplice do PT, o senhor Carlos Lupi.
É sabido que gosto de Maurício Requião, o que aliás já demonstrei. Todavia, encontro dificuldades para o discurso que ele tão habilidosamente sustenta, e o seu grupo de apoio, que tem na figura de inteligência indiscutível, Gleisi, a companhia de todos os atos reprováveis que inúmeras vezes já citei que são atribuíveis ao perdulário e incompetente governo petista.
Mexo na bússola, e ela aponta imediatamente para o PL, e vislumbro a nova conformação do partido aqui no Estado do Paraná. E nela, enxergo o líder inconteste das pesquisas, Sérgio Moro, com um conglomerado enorme de neoliberais.
Devo enfatizar que não me escapa à realidade de que se as eleições fossem na data em que escrevo, Moro venceria de tala erguida.
Todavia, menos me escapa o fato de que o PL se tornou o albergue de um e todos, e que a porteira da casa da esquina foi aberta e por ela passaram gregos, troianos, napolitanos, soteropolitanos e tantos outros. Isto fez com que o discurso moralista que sustenta o histórico de Moro perdesse imediatamente a consistência histórica, porquanto Moro recebeu inúmeras pessoas que têm contas a ajustar na Justiça e que convivem com acusações de diversas matizes – entre as quais, o de roubo de salário de funcionários.
É evidente que o distúrbio e a falta de consonância do discurso do moralista e das pessoas com quem ele ora anda, será evidentemente alvo de exploração pelos adversários. Além do que, sob o ponto de vista do ideário liberal, a porteira aberta provocou outro distúrbio, que é relativo ao discurso libertário, porquanto a presença de radicais desqualifica a origem do partido, tal como foi sustentada por Álvaro Vale.
Há uma outra situação, advinda da modificação que decorre da saída do presidente Giacobbo, que tinha uma relação fortíssima com a direção nacional do partido.
Quando elos desta envergadura se rompem, é possível prever que consequências são previsíveis, e uma delas é que Giacobbo exigirá dos prefeitos fidelidade a compromissos históricos.
Se o leitor dúvida disto, me dê crédito e aguarde o tempo que se avizinha. Insisto, ainda uma vez, que o tempo, senhor da razão, nos esclarece que convenção partidária não é opção partidária, e as convenções, como já dito, serão no final de julho.
Como conheço política e nela já vi de um tudo acontecer, sugiro ao leitor que aguarde, pois, surpresas como as que aconteceram no dia 04 de abril, repetir-se-ão no final de julho.
Imagine você o cidadão que optou pelo partido Cidadania, e descobriu, na 25ª hora, que Fernando e Flávia haviam partido e num périplo cidadão, andaram a pé pela Cândido de Abreu e foram aninhar-se na casa da esquina.
Aqui um destaque: conheço muito bem o jovem Felipe Barros, de quem sou amigo inclusive dos genitores, a quem muito admiro, e acho absolutamente hilário vê-lo recebendo as pessoas que ele tem recebido, na condição de presidente do Partido Liberal.
Não invejo o meu bom e jovem Felipe, porque administrar este grupo heterogêneo na gaiola da esquina, exigirá dele não só estômago, mas também nervos de aço. Como gosto – e muito – dele, desejo-lhe a melhor sorte nesta árdua tarefa.
FELOMENAL
Nada mais adequado que lembrar do extraordinário ator José Wilker e seu personagem Giovanni Improtta, que gostava de maximizar expressões, e a melhor era a que ficou marcada para a história, sem embargo, foi “felomenal”. Pois muito bem.
Depois de um período de profundas indagações, em o qual a divagação dos experts em política vagou pelos nomes de Rafael, Alexandre e Luiz Augusto, a felomenal decisão do Governador recaiu sobre o ungido da construção civil.
De um momento para outro, me parece que algum iluminado do Iguaçu entendeu ser possível repetir a estratégia de Bolsonaro e do seu afilhado, o Tarcísio – e a varinha de condão iluminou os Campos Gerais e “bipidibopidibum”, nasceu a candidatura de Sandro Alex, embasada na estratégia vencedora em São Paulo, e no discurso construtor de pontes e estradas.

Por óbvio, o desafio, se já era muito grande para os três anteriormente citados, é muito maior para o senhor Sandro Alex. É óbvio que desafios existem para serem superados, e entendo que o senhor Sandro Alex, com a experiência adquirida no atual governo e na Câmara Federal, poderá sim, ser um hábil construtor de pontes políticas – não só as da engenharia civil – e com isso, dar consistência à sua trajetória.
Dele, devo afirmar nada cobro por ora, face à inusitada vara do “Bipidi bopidi bum”. A ele, portanto, dou o tempo e crédito que aqueles que há mais de dois anos estão na estrada, já tiveram. Por óbvio, o aquecimento da fervura provocou borbulhas e queimaduras, que o emplastro do interesse pessoal certamente apaziguará – porque dos políticos, as afirmações em arroubos jamais se traduzem em afirmativas perenes.
Quando os agrados vierem, e o cofre da Secretaria de Desenvolvimento Urbano for reaberto, a calmaria voltará à pradaria. Quem viver, verá!
Neste quadro, é preciso destacar que existem vários partidos que não escreveram ainda como será o seu amanhã, e que devem estar consultando nesta etapa a cigana. O que será o amanhã, será respondido por Simone, cantando a plenos pulmões o seu inesquecível sucesso…!
O FÊNIX DE PIRAQUARA
Quando os lua preta do Iguaçu imaginaram que haviam aprisionado a fênix piraquarense, ela ressurge altaneira, e do alto de sua experiência, lança o seu atual grito de guerra “Viva o Paraná”.
É absolutamente relevante lembrar que Rafael Greca de Macedo é um sujeito de extrema coragem pessoal, que alia a esta coragem a condição de grande orador com vasta cultura e conhecimento histórico e que, mercê de sua capacidade criativa, criou bordões que acompanharam a sua já referida trajetória.
Desta trajetória, acho fundamental destacar a sua vitória quando eleito prefeito de Curitiba pelo partido de pouco destaque, e que o fez ressurgir – por isso, nominado fênix depois de uma fragorosa derrota à Assembleia Legislativa.
A sua capacidade de reinventar-se, aliada à sua tenacidade, fizeram-no vencer três eleições diretas em Curitiba, o que lhe garante, ao lado de Roberto Requião, o galardão de maiores vencedores de eleições diretas na história do Paraná.
Nesta etapa, tem a seu favor um partido histórico, e em matéria de história, o maior deles, e a possibilidade de agregar em sua caminhada, partidos importantes como o Progressistas. Não é segredo para ninguém a amizade que existe entre Rafael e Ricardo e Cida, e também não é segredo para ninguém que, ao assumir o comando do União, o deputado federal Laiola poderá vir a compor com o projeto Greca de governar o Paraná.
Confesso que, como cidadão, acho importante que uma figura do calibre de Rafael contribua para a discussão do Paraná de hoje e do futuro. Me incomoda, enquanto cidadão, o discurso raso de direita e esquerda tão somente. Reitero a minha opção bolsonarista, feita desde 2016, e que já me exigiu, inclusive, renúncias pessoais – mas creio relevante para meu estado e para meu país que sejam construídos projetos eleitorais que contemplem efetivas propostas de desenvolvimento que, portanto, não podem ficar submissas a tão somente posturas ideológicas.
Acho – e não só acho, tenho certeza – que devemos ter a visão periférica que nos permita entender que precisamos na eleição de 2026 de compromissos sérios.
ORAÇÃO DE OGIER BUCHI:
Rezo para que paranaense não eleja para o senado alguém que seja frouxo e pusilânime.