Uma servidora comissionada da Procuradoria Geral do Estado (PGE-PR) é apontada como principal suspeita por elaborar edital de licitação para modernização tecnológica da prefeitura de Paranaguá. O edital foi lançado no início de 2026 e nos meta dados do arquivo digital do documento o nome da servidora aparece como autora, e também que a mesma efetuou alterações no documento, o que afasta a possibilidade de o edital ter sido baixado do PNCP (Portal Nacional de Contratações Públicas).
Esta informação consta em um processo em trâmite no Tribunal de Contas do Estado, aguardando o arquivamento pelo Pleno do TCE-PR, e em outro que se encontra no Ministério Público do Paraná.
As investigações precisam esclarecer cinco pontos: quem contratou a servidora para elaborar o serviço?; quem pagou pelo serviço?; quanto foi pago?; e se a servidora está atuando sozinha ou por quais interesses?
*SISTEMA DE GESTÃO*
A licitação teve como objeto a contratação de Sistema de Gestão Integrada que já está sendo implantado. Antes do pregão, quatro empresas entraram na área para tirar a prestadora que vinha executando os serviços digitais – alvo de críticas pelo novo governo que assumiu a prefeitura em 2025. Porém, somente uma delas participou efetivamente da contratação.O certame de Paranaguá foi apreciado pelo TCE-PR, avaliado pelos conselheiros Maurício Requião e Durval Amaral (relator), que não encontraram irregularidades e o Pleno liberou o prosseguimento da contratação.
*CONTROVÉRSIAS*
A prefeitura de Paranaguá está anunciando a implantação da outra empresa como a maior modernização tecnológica dos últimos tempos, mas há muitas controvérsias, pois várias outras prefeituras do estado vêm tendo problemas com o mesmo sistema (Cruzeiro do Oeste, Marialva). Recentemente, a imprensa acessou o memorando elaborado pelos servidores da prefeitura de Foz do Iguaçu, que também é usuária desse mesmo sistema. São mais de 40 páginas de relatos de situações graves e clara evidência de dano ao erário.
Na semana passada a prefeitura de Foz do Iguaçu estabeleceu por meio de decreto a limitação de despesas para os próximos meses de 2026. A medida, que totaliza R$ 29.386.315,80, objetiva preservar o equilíbrio das contas públicas e garantir o cumprimento das metas fiscais. A implantação daquele sistema e os problemas advindos do mesmo são apontados como principal causa da queda da arrecadação dos impostos municipais.