BATOM NA CUECA! NA ERA FRUET, O SETOR DE ALVARÁS ERA UM VERDADEIRO BALCÃO DE NEGÓCIOS!!

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O Gaeco já tocou numa parte do esquema quando deflagrou a operação Al Barã. No entanto, o que foi exposto é café pequeno, longe da dimensão que o problema aponta ter
A liberação de obras e construções durante a gestão Gustavo Fruet em Curitiba reúne um paiol de casos que têm tudo para ser um novo front de uma disputa que não terminou com a eleição municipal do ano passado. Os casos apontam para situações que representaram sérios danos e prejuízos para a cidade, cuja estimativa pode chegar a mais de R$ 100 milhões, somente no último semestre de 2016. Há indícios que alvarás de grandes obras foram concedidos mediante a doações de campanha para o candidato do segundo turno.
O imbróglio recente envolvendo o Instituto Paranaense de Cegos e a família Leprevost, bastante seletivamente explorado por colunista do antigo jornal e ora site Gazeta do Povo, é só um aperitivo do que está por vir.Na Prefeitura, pessoas ligadas à atual administração sorriram ao ver Fruet defendendo a atuação do Conselho Deliberativo de Urbanismo, que foi fonte, na avaliação da atual gestão, de uma série de decisões ilegais. Criado por ele, o órgão solapou o Conselho Municipal de Urbanismo (de características mais técnicas) e centralizou decisões em apenas cinco membros do primeiro escalão (o presidente do Ippuc, Sérgio Povoa Pires, e os secretários Reginaldo Cordeiro (Ubanismo), Renato Lima Torres (Meio Ambiente), Joel Krüger (Trânsito) e Itamar Neves (Governo).
Recuperar os estragos:
O ex-prefeito defendeu que a mudança era para “agilizar” os processos na cidade. O atual prefeito, Rafael Greca extinguiu o Conselho Deliberativo, restituiu as funções do Conselho Municipal de Urbanos e criou uma Comissão de Auditoria Governamental para analisar os casos.
As medidas, vistas como retaliação política por Fruet, têm o objetivo, segundo a Prefeitura, de tentar recuperar os estragos feitos pelas decisões do Conselho Deliberativo.
E o que essa comissão viu até agora aponta para uma série de irregularidades, que já superam mais de 300 alvarás irregulares. aparentemente, toda a agilidade defendida por Fruet se baseou em liberar obras e potencial construtivo em absoluta desconsideração do que manda a legislação.
Membros da comissão reforçam que o trabalho será cauteloso e criterioso, em bases exclusivamente técnicas. Depois de investigados os casos, a comissão poderá ratificar a autorização do conselho deliberativo, retificá-la ou anulá-la.
Apenas em um dos cerca de 300 casos que serão analisados um potencial construtivo que deveria ter sido liberado por aproximadamente R$ 5 milhões saiu por R$ 1 milhão, sem ter nenhum amparo que justificasse tamanho desconto – e prejuízo aos cofres do município. Em outro, uma construção que e lei determinava não poder ser maior do que 100 metros quadrados transformou-se numa edificação de 1.000 metros quadrados, dez vezes mais que o permitido.
O Gaeco já tocou numa parte pequena desse rolo quando deflagrou a operação Al Barã. Ali, no entanto, o que foi exposto é café pequeno, longe da dimensão que o problema aponta ter.
Sem doação, não sai
O secretário de Urbanismo da gestão Fruet, Reginaldo Cordeiro, foi levado a depor, mas curiosamente o grupo ligado ao Ministério Público disse que ele ainda não era suspeito.
Informações a que a repo rtagem teve acesso, no entanto, mostram que as digitais – devidamente reforçadas pelas conversas gravadas nos grampos feitos com autorização judicial – do ex-secretário numa série de medidas do Conselho Deliberativo.
Numa conversa com um interlocutor, Cordeiro teria vinculado com todas as letras que para desatar pendências de liberação de vistorias (para alvará) seria preciso “resolver as doações”.
A desenvoltura de Cordeiro para vincular uma coisa a outra fica mais clara em outro trecho, no qual – questionado sobre as aprovações de liberações – ele responde dizendo que foi o decreto que “inventei de regularização”.
Veja alguns trechos:
Outro trecho:
Em outra conversa, o interlocutor pergunta se o secretário poderia ajudá-lo. Ao que ouve: “Claro que ajudo”. Em outra parte, vendo que uma medida que defendia podia não ser acatada pelos pares do conselho, Cordeiro é categórico: “Mandei tirar [o assunto da pauta]”.
As falas que apontam negociações financeiras tocadas pelo ex-secretário sugerem ainda que alguns interlocutores consideravam os valores um tanto altos. Ao marcar uma reunião com um deles, Cordeiro ouve um sugestivo: “Café caro, pqp!”.
Em um dos pontos do diálogo, Reginaldo conversa com Ney da Maffrei para saber se ele foi ao almoço do Ney Leprevost no Madalosso, fazer doação para a campanha.
Ainda há muita coisa a ser investigada, mas esse rol de informações levantado até agora mostra que há muito coelhos neste mato escuro.
Pessoas próximas aos episódios vêem ligação, além das doações de campanha, com imóveis vistosos adquiridos pelos envolvidos poucos meses depois de começarem a operar no município.
Nos próximos episódios será possível ver até onde o Gaeco pretende se aprofundar nas evidências coletadas até agora.
Enquanto isso, a Prefeitura vai tendo de lidar com as obras liberadas na gestão passado e que darão muita dor de cabeça aos curitibanos, com problemas bem conhecidos, como excesso de trânsito na rua onde foi construída e outras mazelas que ocorrem quando se ignoram os conceitos urbanísticos que tentam preservar a qualidade de vida dos moradores – e não os interesses daqueles que sempre se consideram os mais espertos da sala.
Outra conversa :
Numa conversa com um interlocutor, Cordeiro teria vinculado com todas as letras que para desatar pendências de liberação de vistorias (para alvará) seria preciso “resolver as doações”

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