Levantamento publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo indica que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, ampliaram significativamente seu patrimônio imobiliário nos últimos anos. Segundo os dados, o casal é atualmente proprietário de 17 imóveis avaliados em aproximadamente R$ 31,5 milhões.
De acordo com a reportagem, o crescimento representa uma alta de 266% em relação a 2017, ano em que Moraes foi indicado ao STF pelo então presidente Michel Temer. Naquele período, o patrimônio imobiliário declarado era de R$ 8,6 milhões distribuídos em 12 imóveis.
Aquisições recentes concentram maior volume de investimentos
O levantamento, baseado em escrituras e matrículas de cartórios de São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal, aponta que, somente nos últimos cinco anos, foram investidos R$ 23,4 milhões na compra de imóveis — todos pagos à vista, conforme os registros.
Entre os destaques está a aquisição de uma mansão no Lago Sul, em Brasília, avaliada em R$ 12 milhões, além de apartamentos de alto padrão em regiões valorizadas como o Jardim Paulista, na capital paulista, e imóveis em Campos do Jordão.
O casal também mantém propriedades em São Roque e diversos imóveis residenciais e comerciais na capital paulista.
Empresa familiar centraliza gestão dos bens
Grande parte das aquisições foi realizada por meio do Lex Instituto de Estudos Jurídicos, empresa utilizada para administração do patrimônio familiar. A sociedade tem como sócios Viviane e os filhos do casal. Embora Moraes não figure formalmente como sócio, o regime de comunhão parcial de bens implica que os ativos adquiridos durante o casamento integram o patrimônio comum.
Além de administrar imóveis, a estrutura também foi utilizada em negociações recentes, incluindo compras e vendas de propriedades.
Atuação profissional e aumento de receitas
A evolução patrimonial ocorre paralelamente à ampliação das atividades do escritório Barci de Moraes Advogados, do qual Viviane é sócia-administradora. Segundo a reportagem, houve aumento no número de processos da advogada em tribunais superiores, incluindo o STF e o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Outro ponto destacado é o contrato firmado com o Banco Master, que prevê pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por serviços jurídicos nas áreas de compliance e direito criminal. O valor total recebido ao longo de 21 meses teria ultrapassado R$ 75 milhões.
Especialistas ouvidos pela publicação afirmaram que os valores pagos estão acima da média praticada por grandes escritórios de advocacia no país.
Transações com envolvidos em processos no STF
A reportagem também aponta que algumas negociações imobiliárias envolveram advogados com atuação em processos no STF. Em um dos casos, um imóvel no litoral paulista foi vendido a um advogado que já teve cliente beneficiado por decisão do ministro.
O comprador afirmou não possuir relação pessoal com Moraes e declarou que a negociação foi realizada com uma pessoa jurídica, sem contato direto com o ministro.
Sem manifestação
Procurados pelo jornal desde o fim de março, o ministro e sua esposa não se manifestaram sobre as informações divulgadas até a publicação da reportagem.